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O campo não está para cana? Valor da produção deve sofrer nova queda em 2016

cana-embrapa-151015Apesar do comportamento de alta experimentado pelos mercados do etanol e do açúcar nos últimos meses, cujos preços servem de balizadores para que sejam determinados os montantes pagos aos produtores de cana-de-açúcar no mercado brasileiro, a medir pelo Valor Bruto de Produção, o campo ainda não sentiu o reflexo da variação positiva

NovaCana 10 min de leitura

O valor da produção brasileira cana-de-açúcar registra uma tendência de encolhimento desde 2014 e a expectativa é de que o próximo ano não seja diferente.

Isso é o que mostra o índice de Valor Bruto de Produção (VBP) Agropecuária, uma espécie de Produto Interno Bruto do setor de agronegócios. Se um é medido pela soma de todas as riquezas do país, o índice agrícola é a soma de tudo que se produz no campo. Bons resultados se devem especialmente aos preços elevados somados a um bom volume de safra.

A cana é uma das 21 culturas que têm o VBP avaliado pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa). Nos períodos antecessores, em 2012 e 2013, o valor nacional dos canaviais havia atingindo os picos mais altos da série histórica.

Apesar do comportamento de alta experimentado pelos mercados do etanol e do açúcar nos últimos meses, cujos preços servem de balizadores para que sejam determinados os montantes pagos aos produtores de cana-de-açúcar no mercado brasileiro, a medir pelo Valor Bruto de Produção, o campo ainda não sentiu o reflexo da variação positiva.

Na lente de aumento do enquadramento por culturas, recorte feito pelo portal NovaCana, a cana-de-açúcar perde espaço mais intensivamente entre as dez principais plantas cultivadas no país, de acordo com os maiores valores brutos de produção.

A seguir, a evolução da cana, em cinco safras, nos 10 principais estados produtores do Brasil, com as informações sobre:

- valor bruto da produção

- preço médio da cana por estado

- volume produzido

 O valor da produção brasileira cana-de-açúcar registra uma tendência de encolhimento desde 2014 e a expectativa é de que o próximo ano não seja diferente.

Isso é o que mostra o índice de Valor Bruto de Produção (VBP) Agropecuária, uma espécie de Produto Interno Bruto do setor de agronegócios. Se um é medido pelo pela soma de todas as riquezas do país, o índice agrícola é a soma de tudo que se produz no campo. Bons resultados se devem especialmente aos preços elevados somados a um bom volume de safra.

A cana é uma das 21 culturas que têm o VBP avaliado pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa). Nos períodos antecessores, em 2012 e 2013, o valor nacional dos canaviais havia atingindo os picos mais altos da série histórica.

A explicação para a queda, segundo a Coordenação-Geral de Estudos e Análises da Secretaria de Política Agrícola (SPA), responsável pela pesquisa, estaria na combinação de dois fatores: redução de preço e do volume de produção. A notícia pior é a previsão para 2016, de que o índice para a cana continue perdendo participação no total dos valores da produção do país.

Mas o tempo ruim não é exclusividade da matéria-prima sucroenergética. A redução acompanha, em quase todos os estados analisados, a tendência de queda geral da atividade agrícola frente às atividades pecuárias.

Por um lado, os índices de produção total são superiores ao ano passado – os R$ 487,9 bilhões apurados em outubro de 2015 pela SPA é o mais alto desde o início do levantamento em 1989. Do outro, revelam-se os dados desmembrados por atividade, onde as lavouras representam R$ 311,8 bilhões do VBP nacional, e a pecuária vem ganhando espaço, avançando para R$ 176,1 bilhões do valor bruto produzido no país.

E é no detalhe onde reside a diferença: no ano anterior, em 2014, as lavouras de diversas culturas representavam R$ 314,8 bilhões, enquanto a pecuária R$ 171,4 bilhões. Para o próximo ano a previsão é que os ligeiros decréscimos das culturas agrícolas se repitam em cerca -0,5%, já o aumento do VBP da pecuária é esperado em 1,5%.

Lavouras em queda

Na lente de aumento do enquadramento por culturas, recorte feito pelo portal NovaCana, a cana-de-açúcar perde espaço mais intensivamente entre as dez principais lavouras do país de acordo com os maiores valores brutos de produção.

Em relação ao ano passado, espera-se que em 2015 a cana-de-açúcar registre queda de -9,6%, indo para R$ 46,8 bilhões, ante R$ 57,7 bilhões em 2014.
No próximo ano, a previsão é que haja nova queda de -5,6% no valor da lavoura de cana, totalizando assim R$ 44,1 bilhões.

Enquanto no total da produção agropecuária, o prognóstico preliminar mostra que o VBP nacional de 2016 poderá atingir R$ 488,6 bilhões, cerca de 0,3 % maior que 2015.

A previsão do Mapa foi feita baseada nos dados divulgados recentemente pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) e pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Das demais lavouras presentes no recorte dos ‘dez maiores valores de produção’, as que devem apresentar maiores crescimento em 2015 são a banana, o café, o milho e a soja. Já nas expectativas para 2016, soja e café são as únicas culturas do recorte com crescimento previsto.

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Valorização dos derivados de cana não atingiu o campo

Apesar do comportamento de alta experimentado pelos mercados do etanol e do açúcar nos últimos meses, cujos preços servem de balizadores para que sejam determinados os montantes pagos aos produtores de cana-de-açúcar no mercado brasileiro, a medir pelo Valor Bruto de Produção, o campo ainda não sentiu o reflexo da variação positiva.

O Valor Bruto de Produção da cana-de-açúcar é calculado pelos valores da produção obtidos pelo Levantamento Sistemático da Produção Agrícola (LSPA) do IBGE e pelos valores dos preços Recebidos pelos Produtores da FGVDados. A análise mostra a redução sistemática do valor total da cana devido ao fato desses índices não superarem os tetos registrados em anos anteriores ou oscilarem de forma oposta uma a outra.

Exemplo disso, são os anos de 2013 e 2014, quando a produção atingiu grandes volumes e o índice do VBP não apresentou variações significativas, devido aos preços pagos pela tonelada da cana-de-açúcar.

Para o coordenador da pesquisa, José Gasques, apesar das previsões de que o valor de produção da cana continue em queda em 2016, este decréscimo já é menor do que a prevista para o ano corrente. Segundo ele, “a cana é um produto que agora vai começar adquirir melhor o seu rumo e mostrar seu comportamento no mercado, por conta das recentes intervenções feitas no setor sucroalcoleiro em relação aos preços dos combustíveis”.

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Valor da cana em queda na maioria dos estados

Essa variação de preços e volumes produzidos, trouxe para o cenário nacional da cana-de-açúcar queda na maioria dos estados produtores, conforme avaliação do VBP apresentadas em outubro de 2015.

Entre os 10 maiores estados produtores de cana em 2014, e consequentemente com os maiores índices do VBP para esta lavoura, apenas duas unidades da federaçõ cresceram em valor de produção para cana: Paraná e Mato Grosso do Sul – que seguem em ritmo diferenciado de crescimento em todo setor agropecuário. Os dois estados registraram aumento dos volumes de produção.

Já São Paulo, Goiás, Alagoas, Mato Grosso, Pernambuco, Paraíba e Bahia, tiveram um certo arrefecimento das lavouras da planta, causado, na maioria deles, pela queda dos preços médios cobrados pela cana-de-açúcar.

São Paulo

Pelos índices de valor bruto de produção, a cana-de-açúcar e a laranja, duas culturas tradicionalmente fortes no estado de São Paulo perdem força, frente ao avanço das lavouras de soja e milho em 2015. De uma forma geral, as lavouras paulistas perderam valor, enquanto a pecuária se manteve quase estável.

Na composição do valor para a cana-de-açúcar, a queda sistemática dos preços pagos aos produtores têm contribuído para o declínio, que do ano passado para esse está previsto diminuir em quase R$ 4 bilhões – 13% menos que o registrado em 2014.

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Minas Gerais

O valor da lavoura da cana mineira está apresentando queda menos acentuada do que outras das principais culturas do estado. De 2014 para 2015, a previsão é que o decréscimo da cana seja de 8%.

Devido às previsões de preços médios e produção para 2015, o valor bruto da produção de cana-de-açúcar no estado (R$ 4,5 bilhões) deve atingir o menor valor em cinco anos, registrado em 2011, quanto chegou a R$ 4,7 bilhões.
Vale registrar que nenhuma das cinco principais lavouras de Minas Gerais registrou alta e que tanto as atividades agrícolas quanto pecuárias sofreram desvalorização do VBP.

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Goiás

Com uma queda menos acentuada no valor bruto de produção, de cerca de 6%, estimada para 2015, a cana-de-açúcar apresenta um comportamento semelhante às outras quatro maiores culturas do estado.
Com volume de produção quase estável, o que tem influenciado a queda do índice para cana mineira tem sido, principalmente, o declínio dos preços. A estimativa de preço médio da cana-de-açúcar neste ano é 5,5% menor do que a média registrada em 2014.

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Paraná e Mato Grosso do Sul

Os dois estados são os únicos que avançaram no valor da produção de cana- de-açúcar. O Mato Grosso Sul se destaca não só pelo maior avanço nesta lavoura (9,8%), como por estar crescendo nas demais principais culturas, o que contribui para a expansão do VBP geral do estado.

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O Paraná teve um avanço mais tímido (0,95%), mas também apresenta resultados mais promissores do que os demais estados. O que contribui para o crescimento das lavouras de ambos, apesar da queda dos preços médios, foi o aumento da produção agrícola. No Mato Grosso do Sul, o volume de cana aumentou 16% em 2015, enquanto no Paraná a previsão é que o aumento da colheita seja de 6,8%.

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Mato Grosso

No estado a produção apresentou queda ligeira, que não chega a meio ponto percentual (0,28%). A cultura, medida pelo seu valor bruto de produção, é a quarta com mais representatividade no estado, porém ainda com uma contribuição tímida comparada à soja, o milho e o algodão herbáceo.

O volume da produção de cana mato-grossense, que passou de 19,03 para 20,09 milhões de toneladas. O leve aumento foi prejudicado pela derrocada nos preços que passaram de R$ 70,24 para R$ 66,34, conforme a estimativa de preço médio para 2015.

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Alagoas

Em Alagoas, o VBP da cana-de-açúcar deve cair cerca de 10,5% ante 2014.

Com exceção da banana, o estado apresenta queda no valor de produção de todas as principais culturas medidas pelo índice VBP, com decréscimo também no montante total do valor agropecuário do estado.

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Pernambuco

A cana-de-açúcar, que é a principal lavoura pernambucana, vem registrando desde 2012 elevação tímidas nos seus volumes de produção. No entanto, a exemplo do resto do país, as quedas nos preços vem prejudicando o avanço do valor da lavoura. Do ano passado para 2015, a queda é esperada em -1,5%.

Com grande avanço das atividades pecuárias no estado, Pernambuco vê suas principais lavouras perdendo valor, com exceção do feijão que cresceu um pouco.

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Paraíba

Os canaviais paraibanos, mesmo apresentando pequenos avanços em volume, estão sendo impactados pela baixa nos preços médios. Em 2015, espera-se que o valor bruto da produção diminua em cerca de 20%, para R$ 414 milhões.

As lavouras e pecuária paraíbanas tiveram quedas significativas no total do VPB geral. Das principais lavouras, a banana e o tomate são as culturas que vão contra a tendência.

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Bahia

A cana-de-açúcar está longe de ser uma das principais culturas baianas, apesar do estado ser um dos dez estados que mais produz a planta no país. A cana segue uma tendência de outras culturas do estado, que têm recuado em valor de produção, cedendo espaço especialmente ao avanço do milho e da soja.

O valor bruto da cana deve cair 13,5% neste ano, para R$ 407 milhões. Desde 2012, são registradas quedas tanto nos preços médios quanto no volume de produção.

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Marina Gallucci - NovaCana

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