NovaCana

Menor valor em 12 anos: BNDES aprova financiamento para 18 empresas sucroenergéticas em 2016

bndes-banco-rio-rj-120517Valor financiado pelo BNDES para setor sucroenergético é o menor em 12 anos, queda anual de 43,5% (um ano antes a queda já havia sido de 85%)

NovaCana 6 min de leitura

De acordo com o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), o setor sucroenergético é o atual líder na geração de prejuízos dentro da carteira da instituição. Entre 2006 e 2016, as companhias de açúcar e etanol teriam sido responsáveis por um rombo de R$ 568,5 milhões. O resultado negativo não é exatamente uma surpresa, uma vez que o período engloba tanto um surto de investimentos no setor quanto uma das maiores crises já vistas pelos empresários sucroenergéticos.

O reflexo disso está vindo de forma drástica, com os recursos do banco para o setor caindo com força nos últimos dois anos. Em 2016, o BNDES apresentou sua relação de financiamentos aprovados por meio de operações não automáticas com a devida ausência de investimentos nas áreas de etanol de segunda geração, estocagem, implantação de novas unidades, inovação agrícola ou logística. Entre janeiro e dezembro do ano passado, o banco aprovou empréstimos no valor de R$ 396,31 milhões para o setor sucroenergético envolvendo apenas projetos de cogeração e de renovação dos canaviais.

Esse montante é o menor valor anual registrado desde 2004 e representa a segunda queda consecutiva nas aprovações do banco para o segmento.

Veja a seguir, em gráficos exclusivos:

- Evolução dos contratos aprovados pelo BNDES para o setor sucroenergético (total e por finalidade)

- Relação das companhias que emprestaram dinheiro com o banco em 2016

- Detalhamento dos financiamentos destinados a cogeração: valores, taxas de juros, período de carência e prazo de amortização

- Detalhamento dos financiamentos feitos dentro do ProRenova: valor total, área financiada e valor médio por hectare

- Bancos intermediários das operações do ProRenova: valores e taxas de juros

De acordo com o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), o setor sucroenergético é o atual líder na geração de prejuízos dentro da carteira da instituição. Entre 2006 e 2016, as companhias de açúcar e etanol teriam sido responsáveis por um rombo de R$ 568,5 milhões. O resultado negativo não é exatamente uma surpresa, uma vez que o período engloba tanto um surto de investimentos no setor quanto uma das maiores crises já vistas pelos empresários sucroenergéticos.

O reflexo disso está vindo de forma drástica, com os recursos do banco para o setor caindo com força nos últimos dois anos. Em 2016, o BNDES apresentou sua relação de financiamentos aprovados por meio de operações não automáticas com a devida ausência de investimentos nas áreas de etanol de segunda geração, estocagem, implantação de novas unidades, inovação agrícola ou logística. Entre janeiro e dezembro do ano passado, o banco aprovou empréstimos no valor de R$ 396,31 milhões para o setor sucroenergético abordando apenas projetos de cogeração e de renovação dos canaviais.

Esse montante é o menor valor anual registrado desde 2004 e representa a segunda queda consecutiva nas aprovações do banco para o segmento. Em 2015, o declínio foi mais drástico (84,8%), mas a queda atual continua significativa, com 43,5%. Ainda que esse número possa ser revisto em futuras atualizações trimestrais do BNDES – uma vez que, segundo a instituição, trâmites cartorários podem atrasar a liberação da publicação dos contratos –, os valores finais normalmente apresentam pequenas variações.

bndes-030517-historico v2

Ao longo de 2016, 18 empresas de 16 grupos sucroenergéticos conseguiram aprovar financiamentos não automáticos, diretos ou indiretos, com o BNDES. Essas operações abrangem contratos com valores acima de R$ 10 milhões.

Em 2015, considerando também as operações automáticas, o BNDES informa que foram aprovados contratos com o setor sucroenergético somando R$ 2 bilhões. Desse número, 35% – ou R$ 701,5 milhões – foram referentes a operações não automáticas (veja gráfico acima). Para 2016, a expectativa apresentada no final do ano passado era que os contratos somassem R$ 1,5 bilhão, uma queda de 26% em relação ao ano anterior. No entanto, o banco não divulgou os recursos emprestados ao setor pelas operações automáticas.

Cogeração e expansão industrial

Dos R$ 396,31 milhões aprovados em 2016, 21,9% foram direcionados para projetos envolvendo cogeração. O valor é 51% menor que o visto em 2015 e é composto por apenas dois projetos.

bndes-030517-cogeracao-historico v2

O primeiro deles, aprovado em fevereiro, é referente às obras na Unidade WD, do Grupo Detoni. Segundo o banco, o empréstimo de R$ 55,28 milhões foi direcionado para a expansão da capacidade de cogeração de energia elétrica, incluindo a construção de uma subestação e de uma linha de transmissão. A usina, que possuía 18 MW de potência instalada, já obteve autorização da Aneel para operar com sua nova capacidade, de 48MW.

Além disso, parte do montante também seria direcionado para o plantio de 3 mil hectares de cana-de-açúcar e para investimentos sociais.

O segundo financiamento foi aprovado em setembro para a Delta Sucroenergia. Somando R$ 31,38 milhões, o valor seria uma suplementação de recursos para expansão da capacidade instalada de cogeração de energia elétrica da Usina Delta, no município homônimo de Minas Gerais. Com a expansão, a capacidade de cogeração da usina passará dos atuais 30 MW para 70 MW.

bndes-030517-cogeracao-detalhes v2

Plantio e renovação dos canaviais

Assim, a maior parte dos contratos de financiamento aprovados pelo BNDES para o setor sucroenergético ao longo de 2016 foi no âmbito do programa ProRenova, destinado ao plantio e à renovação dos canaviais. O valor total foi de R$ 309,65 milhões – o menor valor desde a criação do programa.

bndes-030517-prorenova-historico v2

No total, 17 empresas de 15 grupos conseguiram financiamentos. Com isso, o BNDES estaria envolvido na renovação ou no plantio de 106,7 mil hectares de cana-de-açúcar pelo país – desse total, 76% (81,2 mil hectares) estão em São Paulo. O restante está direcionado para Goiás, Minas Gerais, Paraná e Mato Grosso do Sul.

Segundo o BNDES, o limite de custo por hectare para o cálculo do financiamento é de R$ 7,62 mil, ante R$ 7 mil no ano anterior. Considerando o total dos contratos aprovados, o banco participou, em média, com R$ 2,9 mil por hectare de cana-de-açúcar. Em 2015, esse índice foi de R$ 2,6 mil.

bndes-030517-prorenova-detalhes v2

Parte desses investimentos foi aprovada ainda dentro da edição 2015 do ProRenova. A edição 2016 do programa teve orçamento de R$ 1,5 bilhão e as empresas tiveram até o dia 31 de dezembro para apresentar seus projetos para o BNDES.

NovaCana DATA

Renata Bossle – NovaCana

Compartilhar: