Os resultados obtidos recentemente colocam a empresa numa rota rara no setor, da recuperação efetiva
As agências de classificação de risco estão atentas às dívidas e, principalmente, aos pagamentos da USJ Açúcar e Álcool. Em maio, a companhia deixou de pagar juros de notas e teve sua classificação junto à S&P Global Rating rebaixada de CC para default seletivo. Ou seja, o medo do calote havia se transformado em uma realidade.
Posteriormente, a empresa conseguiu renegociar o pagamento das notas com seus credores e não apenas saiu da temida classificação de default, mas subiu para CCC-.
Agora, uma nova classificação dá uma nova perspectiva para a empresa. A situação financeira atual e as perspectivas da USJ estão detalhadas na avaliação da S&P, veja a seguir.
As agências de classificação de risco estão atentas às dívidas e, principalmente, aos pagamentos da USJ Açúcar e Álcool. Em maio, a companhia deixou de pagar juros de notas e teve sua classificação junto à S&P Global Rating rebaixada de CC para default seletivo. Ou seja, o medo do calote havia se transformado em uma realidade.
Posteriormente, a empresa conseguiu renegociar o pagamento das notas com seus credores e não apenas saiu da temida classificação de default, mas subiu para CCC-. Agora, uma nova elevação colocou a companhia na posição CCC+, tanto na escala de crédito global quanto na nacional.
Segundo a S&P, embora a negociação tenha sido classificada como desfavorável para a USJ, ela conseguiu reduzir a pressão sobre a liquidez da empresa para os próximos dois anos. “A posição de liquidez da empresa também melhorou graças às expectativas de uma geração de fluxo de caixa mais forte para esse mesmo período diante de melhores perspectivas para o setor”, complementa.
Ainda assim, a elevação da nota não foi suficiente para retirar a USJ da faixa de empresas com alto risco de inadimplência. De acordo com a agência, a companhia é dependente de eventos externos ao setor sucroenergético, como a vendas de terras, injeção de capital ou refinanciamento de dívida – sob o risco de não conseguir pagar suas dívidas.

“O rating de crédito CCC+ reflete nossa visão de que a estrutura de capital da USJ é insustentável no médio a longo prazo porque vemos suas métricas de crédito como altamente alavancadas”, garante a S&P. O relatório ainda complementa que pesa contra a USJ o fato da empresa enfrentar a amortização de um débito que vence em 2021, dívida considerada elevada em relação à geração de fluxo de caixa esperada.
Mais gastos que receita
A partir dos dados do último balanço da USJ (encerrado em 31 de março de 2016), a S&P calculou que, nos doze meses seguintes, as fontes de caixa excederiam os gastos esperados em quase 10%, ou o equivalente a R$ 38 milhões. O número representa um alívio considerável em relação ao calculado em setembro de 2015, quando a S&P esperava por um déficit de quase R$ 110 milhões nos caixas da USJ após o período de um ano.
“A melhora da liquidez reflete a redução da dívida de curto prazo e dos pagamentos de juros”, aponta o novo relatório. Contudo, a S&P observa que o mercado de crédito no Brasil permanece restritivo, com taxas de juros altas e liquidez apertada, o que poderia limitar a rolagem da dívida de curto prazo da USJ nos próximos 18 meses.
Conforme a agência, a posição da dívida com vencimentos em até 12 meses era de R$ 252 milhões em 31 de março de 2016.
Alto preço do açúcar deve gerar estabilidade em 2017 e 2018
Apesar das diversas mudanças na classificação registradas nos últimos meses, a S&P classificou sua perspectiva para a USJ como estável. Em relatório, a agência afirmou que não é provável que haja uma alteração nos ratings nos próximos dois anos.
Além disso, os preços mais altos do açúcar nos mercados internacionais devem se refletir em bons resultados financeiros para a companhia. Na estimativa da S&P, a USJ deve registrar um crescimento de da receita de 16,6% em 2017 e 2,8% em 2018. A expectativa é que o caixa excedente seja utilizado para reduzir a alavancagem, o que deve incluir o pagamento de aproximadamente R$ 150 milhões de dívida de curto prazo nesses dois anos.
Já o Ebitda, segundo a previsão da S&P, deve ser em torno de R$ 251 milhões no exercício fiscal de 2017, crescendo ligeiramente nos exercícios posteriores. Assim, o índice dívida ajustada sobre Ebitda ficaria em 5,5x para 2017 e em 5,4x para 2018. Por sua vez, as margens Ebitda ajustadas devem ficar faixa de 44% durante os próximos três anos.
Renata Bossle – NovaCana