Etanol: Abastecimento

Etanol: Abastecimento

Usinas acusam varejo de não repassar queda no preço do etanol em MG

No início do ano, o etanol saía da indústria pelo preço de R$1,86, sem impostos, e na semana passada estava a R$1,56, mas a redução não chegou às bombas


JM Online - Publicado: 14 Mar 2017 - 08:36

A associação das Indústrias Sucroenergéticas de Minas Gerais (Siamig) alerta que a redução no preço do etanol hidratado não tem sido repassada ao consumidor. A entidade afirma que, na produção, o valor do combustível sofreu queda de R$ 0,30, do início de janeiro até o março, mas essa diferença não chegou a algumas bombas.

Segundo o presidente da Siamig, Mário Campos, no início de janeiro, o preço do litro do etanol na indústria era de R$1,86, sem impostos, e na semana passada caiu para R$ 1,56, enquanto que, na bomba, o combustível limpo e renovável estava a R$ 2,91, em janeiro, e na semana passada, a R$ 2,90 o litro, praticamente estável.

“A redução do preço do etanol na indústria se deu em função da baixa demanda do etanol nesse período de entressafra, somada à grande quantidade de importação do produto no início deste ano – somente nos primeiros meses deste ano foram importados 450 milhões de litros –, o que prejudicou a demanda por parte do etanol das usinas produtoras”, esclarece o dirigente da associação.

Em Uberaba, conforme pesquisas de preço realizadas pela Fundação Procon, na comparação do preço médio do etanol em janeiro e em março, houve redução de apenas R$ 0,11. Em postos onde o combustível apresentou o menor preço do mercado, a diferença foi de R$ 0,16, não chegando aos R$ 0,30 de redução na produção.

Vale lembrar que essa variação também deveria chegar, mesmo que em menor valor, ao consumidor de gasolina, visto que desde 16 de março de 2015 o percentual obrigatório de etanol anidro combustível na gasolina comum é de 27%. E a diferença no preço médio foi o mesmo.

Para Mário Campos, a redução na bomba propiciaria um consumo maior do etanol e a orientação do presidente da Siamig é que os consumidores façam a conta do rendimento do próprio veículo, sem se ater somente à convenção de que o etanol é mais rentável se ficar em 70% do preço da gasolina.

“A relação de preço poderia ser ainda melhor para o consumidor se o governo federal não tivesse recomposto o PIS/Cofins no valor de R$ 0,12 por litro de etanol, a partir de 1º de janeiro deste ano, em razão da grande contribuição do etanol para a redução da poluição e do aquecimento global. Algumas usinas em Minas Gerais já vão iniciar a safra este mês e essa demora no repasse da queda dos preços prejudica muito o produtor e, principalmente, o consumidor”, afirma Mário Campos.

Thassiana Macedo