Às vésperas do início da próxima safra, que começa oficialmente no dia 1º de abril, o setor pode esperar um fenômeno há tempos não vivenciado no mercado sucroalcooleiro. Para a próxima temporada, projeções apontam que tanto o etanol quanto o açúcar estarão com preços bons e, não importa o mix, as usinas conseguirão vender bem.
É essa a perspectiva apresentada pelo sócio da consultoria FG/Agro, Willian Hernandes, em reportagem do Valor Econômico. Segundo o analista, a confluência de ciclos positivos para os dois produtos em uma única safra não ocorria desde a safra 2005/06.
Foi nessa temporada, há dez anos, segundo Hernandes, que emergiu o boom de investimentos em etanol no país, atraindo milhões de dólares de empresas nacionais e estrangeiras para construção de novas usinas de cana-de-açúcar.
A confluência de ciclos positivos para os dois produtos em uma única safra não ocorria desde a safra 2005/06
Depois desse período, de acordo com o consultor da FG/Agro, houve alternância: enquanto o açúcar estava em alta, o etanol estava na baixa.
A visão da FG/Agro traduz um sentimento que permeia atualmente o mercado sucroalcooleiro e as instituições que acompanham o desempenho do setor.
Neste mês, a agência de classificação de risco, Standard & Poor’s (S&P) já havia atestado que uma mudança positiva está no horizonte do setor sucroenergético. A conjuntura apontada pela agência seguia a mesma linha da consultoria, destacando o déficit na oferta global de açúcar e a demanda favorável por etanol que afetariam de forma positiva os preços dos produtos.
A aposta da consultoria para o etanol é de uma oferta estável no Brasil na temporada 2016/17 — ou até menor — frente ao ano passado para uma demanda de estável a levemente maior. Nas contas da FG/Agro, o preço médio do etanol hidratado, considerados os contratos futuros da BMF&Bovespa, deve se situar na temporada 2016/17 no patamar de R$ 1,52 por litro. Se a estimativa for confirmada, será um preço 16% acima da média de R$ 1,33 por litro do ciclo 2015/16.
O açúcar, por sua vez, promete pagar acima disso, na visão da consultoria. Os preços médios da commodity (em reais) na safra 2016/17 serão 20% acima dos estimados para os preços médio do etanol hidratado no mesmo intervalo. O que tende a sustentar os preços do açúcar na próxima temporada é a amplamente divulgada possibilidade de déficit global da commodity, mesmo diante de projeções de uma oferta maior no Brasil.
Essa promessa do açúcar deve, conforme as últimas previsões da consultoria, fazer com que as usinas do Centro-Sul destinem 44,4% do caldo da cana para fabricar açúcar em 2016/17 (ante 40,9% em 2015/16).
A produção da commodity pode chegar a 35,6 milhões de toneladas, o que seria um recorde. O anterior, de 34,4 milhões de toneladas, foi no ciclo 2013/14. Para a produção de etanol, a consultoria estima um volume total de 27,6 bilhões de litros em 2016/17 no Centro-Sul sendo 16,9 bilhões de litros de hidratado, uma retração de 0,5% frente ao estimado para 2015/16.
A perspectiva positiva do açúcar ganhou mais força recentemente com várias instituições revisando as projeções para o mercado global da commodity. Na semana passada, o banco holandês Rabobank noticiou que revisou a projeção de déficit de açúcar para safra global 2015/16, que se encerra em 30 de setembro, de 4,7 milhões de toneladas para 6,8 milhões de toneladas. Na mesma semana, a empresa de análises Platts Kingsman elevou a mesma projeção para 7,6 milhões de toneladas, ante os 6,5 milhões de déficit previstos anteriormente.
novaCana com informações do Valor Econômico