A crise vai continuar fazendo vítimas no setor produtivoFoi só o começo. As seis usinas que neste ano entraram em recuperação judicial serão seguidas por outras no início da safra 2014/15. Na análise da consultoria MBF Agribusiness, o setor está "na linha tênue entre crise geral e possibilidade de melhora. Teremos preços melhores, mas poucos irão se beneficiar."
Com esta perspectiva de uma nova fase de preços para o açúcar e a recuperação se concentrando no grupo de usinas mais saudáveis financeiramente, "os olhares de investidores se voltarão para o setor e teremos uma nova onda de aquisições e consolidação de grupos, porém, de forma mais lenta do que nos anos anteriores".
Apesar da ausência de perspectivas otimistas para a safra que começou oficialmente ontem, não devem haver novas perdas de capacidade de moagem com mais unidades paralisando as atividades em 2014, segundo avalia a consultoria MBF Agribusiness. Mesmo este sendo um "momento muito crítico", a pior fase ficou em 2010, segundo os diretores da MBF Marcos Antonio Françóia e Jair Cezar Pires. Eles analisam o período atual como decisivo e veem espaço para a retomada dos processos de consolidação do setor.
"Estamos na linha tênue entre crise geral no setor e possibilidade de melhora. Teremos preços melhores, mas poucos irão se beneficiar."
A análise reforça a tese do diretor do Itaú BBA de que apenas as unidades com menores custos de produção conseguem lucrar com os preços mais remuneradores do açúcar no mercado internacional.
Com a perspectiva de uma nova fase para os preços e a recuperação se concentrando no grupo mais saudável de usinas, "os olhares de investidores se voltarão para o setor e teremos uma nova onda de aquisições e consolidação de grupos, porém, de forma mais lenta do que nos anos anteriores".
Para os próximos planos de recuperação, a criação de uma unidade produtiva isolada (UPI) para venda desses ativos, em alguns casos, pode ser a única solução. Françóia e Pires lembram que este foi o caso da Usina Campestre, comprada pela Clealco, e também das usinas Jaciara e Pantanal, do Grupo Naoum. As unidades da Naoum foram adquiridas no início de março pela Porto Seguros Negócios Imobiliários S/A pelo valor de R$ 210 milhões na mais recente negociação do setor em razão de recuperação judicial.
"Nessas empresas, a transferência de mãos é necessária para a continuidade e cumprimento do plano de recuperação judicial que, devido aos percalços econômicos e políticos não foi cumprido como previsto. Então, constitui-se uma UPI, que é repassada para outros grupos e os recursos da venda são utilizado para liquidar dívidas", explica a consultoria.
Conforme o estudo da MBF, desde 2007, quando a primeira empresa, a Cia. Albertina, de Sertãozinho (SP) fez uso das possibilidades dadas pela Lei de Recuperação Judicial já somam 58 as unidades que apelaram a este recurso, sendo 24 apenas no estado de São Paulo. Com perfil de alto endividamento e custos financeiros onerosos, essas usinas precisam "melhorar, e muito, a gestão", além de controlar custos e eficiências.

"O governo do PT foi o grande divulgador e incentivador do setor até pouco tempo atrás, mas agora age como se todo o investimento já feito em tecnologia e conhecimento não fosse importante, colocando em segundo plano, ou melhor, deixando sem plano a política energética do país", critica a consultoria.
Ainda é preciso buscar a colaboração das instituições financeiras para obter flexibilização em prazos e taxas. Em contrapartida, deve ser exigido das sucroalcooleiras uma melhor qualidade na gestão e feito um monitoramento do planejamento de longo prazo.
"Afinal, se há falta de credibilidade do mercado financeiro, também terá que haver flexibilidade por parte das empresas em abrir seus números e compartilhar a gestão. Caso contrário, o número de pedidos de recuperação judicial continuará a aumentar durante o ano, forçando os credores a sentarem à mesa para negociar."
Para os especialistas a falta de planejamento na expansão do setor, que teve investimentos estimulados durante o período de 2005 a 2007, influenciou na situação das 58 usinas que apelaram pela recuperação. Segundo avaliam, além da crise internacional e da política nacional, pesaram no processo de deterioração dessas empresas a falta de controles internos e de qualidade na gestão.
"Houve uma disponibilidade de crédito muito grande entre os anos de 2005 e 2007. Muitos desses investimentos foram feitos em projetos que não mostravam viabilidade na época, mas a facilidade de entrada de recursos permitiu as aplicações. A crise atual do setor poderia ser menos impactante se houvesse um planejamento melhor de aplicação dos recursos".
A MBF vê ainda influência negativa do aumento do volume de moagem em função do prolongamento da safra, o que provoca perdas sobre a qualidade da matéria-prima. Associado a isso, nos últimos anos o setor se viu comprometido com novos custos ambientais, trabalhistas e sociais, além da colheita mecanizada que reduziu a longevidade do canavial.
Amanda SchArr – NovaCana
Com esta perspectiva de uma nova fase de preços para o açúcar e a recuperação se concentrando no grupo de usinas mais saudáveis financeiramente, "os olhares de investidores se voltarão para o setor e teremos uma nova onda de aquisições e consolidação de grupos, porém, de forma mais lenta do que nos anos anteriores".
Apesar da ausência de perspectivas otimistas para a safra que começou oficialmente ontem, não devem haver novas perdas de capacidade de moagem com mais unidades paralisando as atividades em 2014, segundo avalia a consultoria MBF Agribusiness. Mesmo este sendo um "momento muito crítico", a pior fase ficou em 2010, segundo os diretores da MBF Marcos Antonio Françóia e Jair Cezar Pires. Eles analisam o período atual como decisivo e veem espaço para a retomada dos processos de consolidação do setor.
"Estamos na linha tênue entre crise geral no setor e possibilidade de melhora. Teremos preços melhores, mas poucos irão se beneficiar."
A análise reforça a tese do diretor do Itaú BBA de que apenas as unidades com menores custos de produção conseguem lucrar com os preços mais remuneradores do açúcar no mercado internacional.
Com a perspectiva de uma nova fase para os preços e a recuperação se concentrando no grupo mais saudável de usinas, "os olhares de investidores se voltarão para o setor e teremos uma nova onda de aquisições e consolidação de grupos, porém, de forma mais lenta do que nos anos anteriores".
O grupo das piores usinas
A MBF, responsável por um levantamento que revelou que nos três primeiros meses de 2014 seis usinas já entraram em recuperação judicial, acredita que o número de pedidos tende a aumentar no início da safra, quando mais algumas usinas podem vir a pedir recuperação judicial. A explicação para que isso ocorra nesse período é que "grande parte da receita poderá ser usada para equilibrar um pouco as contas, já que, enquanto em recuperação, não se paga conta vencida".Para os próximos planos de recuperação, a criação de uma unidade produtiva isolada (UPI) para venda desses ativos, em alguns casos, pode ser a única solução. Françóia e Pires lembram que este foi o caso da Usina Campestre, comprada pela Clealco, e também das usinas Jaciara e Pantanal, do Grupo Naoum. As unidades da Naoum foram adquiridas no início de março pela Porto Seguros Negócios Imobiliários S/A pelo valor de R$ 210 milhões na mais recente negociação do setor em razão de recuperação judicial.
"Nessas empresas, a transferência de mãos é necessária para a continuidade e cumprimento do plano de recuperação judicial que, devido aos percalços econômicos e políticos não foi cumprido como previsto. Então, constitui-se uma UPI, que é repassada para outros grupos e os recursos da venda são utilizado para liquidar dívidas", explica a consultoria.
Conforme o estudo da MBF, desde 2007, quando a primeira empresa, a Cia. Albertina, de Sertãozinho (SP) fez uso das possibilidades dadas pela Lei de Recuperação Judicial já somam 58 as unidades que apelaram a este recurso, sendo 24 apenas no estado de São Paulo. Com perfil de alto endividamento e custos financeiros onerosos, essas usinas precisam "melhorar, e muito, a gestão", além de controlar custos e eficiências.

"Não há milagre"
Françóia e Pires avaliam que para superar o momento crítico as usinas dependem de esforços do próprio setor e a colaboração das instituições financeiras. Mas a falta de uma política clara do governo federal para o setor sucroenergético contribui de forma significativa para este cenário."O governo do PT foi o grande divulgador e incentivador do setor até pouco tempo atrás, mas agora age como se todo o investimento já feito em tecnologia e conhecimento não fosse importante, colocando em segundo plano, ou melhor, deixando sem plano a política energética do país", critica a consultoria.
Lição de casa
Mas também é preciso fazer a lição de casa. Os executivos afirmam que, por mais difícil que seja, é necessário ajustar os custos sem prejudicar o canavial, pois volume maior de produção nem sempre representa mais lucratividade.Ainda é preciso buscar a colaboração das instituições financeiras para obter flexibilização em prazos e taxas. Em contrapartida, deve ser exigido das sucroalcooleiras uma melhor qualidade na gestão e feito um monitoramento do planejamento de longo prazo.
"Afinal, se há falta de credibilidade do mercado financeiro, também terá que haver flexibilidade por parte das empresas em abrir seus números e compartilhar a gestão. Caso contrário, o número de pedidos de recuperação judicial continuará a aumentar durante o ano, forçando os credores a sentarem à mesa para negociar."
Para os especialistas a falta de planejamento na expansão do setor, que teve investimentos estimulados durante o período de 2005 a 2007, influenciou na situação das 58 usinas que apelaram pela recuperação. Segundo avaliam, além da crise internacional e da política nacional, pesaram no processo de deterioração dessas empresas a falta de controles internos e de qualidade na gestão.
"Houve uma disponibilidade de crédito muito grande entre os anos de 2005 e 2007. Muitos desses investimentos foram feitos em projetos que não mostravam viabilidade na época, mas a facilidade de entrada de recursos permitiu as aplicações. A crise atual do setor poderia ser menos impactante se houvesse um planejamento melhor de aplicação dos recursos".
A MBF vê ainda influência negativa do aumento do volume de moagem em função do prolongamento da safra, o que provoca perdas sobre a qualidade da matéria-prima. Associado a isso, nos últimos anos o setor se viu comprometido com novos custos ambientais, trabalhistas e sociais, além da colheita mecanizada que reduziu a longevidade do canavial.
Amanda SchArr – NovaCana