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Usinas de São Paulo e Goiás são citadas em operação da PF que apura casos de sonegação

Um ano após a primeira fase, a Operação Rosa dos Ventos entra em nova etapa; três usinas do setor estão envolvidas nas investigações da PF

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A segunda fase da Operação Rosa dos Ventos, deflagrada pela Polícia Federal no dia 15 de agosto, apura crimes de corrupção e lavagem de dinheiro envolvendo sonegação fiscal de distribuidoras de combustíveis. Quatro investigados já foram presos, incluindo o auditor fiscal Luiz Fernando Celani, que teria recebido vantagens financeiras em troca do repasse de informações sigilosas e da agilidade na liberação de bens importados.

Além disso, usinas do setor sucroenergético também estariam envolvidas na investigação. No relatório da PF, três produtoras de etanol são mencionadas como participantes do esquema de corrupção.

A primeira fase da Operação Rosa dos Ventos, instaurada exatamente um ano antes da segunda, investigava um rombo de R$ 3 milhões causado por distribuidoras de combustíveis que estavam em nomes de laranjas a fim de sonegar tributos. As investigadas usavam onze empresas "barrigas de aluguel" para deixar de pagar impostos, aumentando os lucros com a venda de etanol. O principal alvo era o empresário Miceno Rossi Neto.

Confira, na versão completa, mais informações sobre as usinas citadas e de que forma elas se envolveram no esquema de Rossi Neto.

A segunda fase da Operação Rosa dos Ventos, deflagrada pela Polícia Federal no dia 15 de agosto, apura crimes de corrupção e lavagem de dinheiro envolvendo sonegação fiscal de distribuidoras de combustíveis. Quatro investigados já foram presos, incluindo o auditor fiscal Luiz Fernando Celani, que teria recebido vantagens financeiras em troca do repasse de informações sigilosas e da agilidade na liberação de bens importados.

Além disso, usinas do setor sucroenergético também estariam envolvidas no esquema. No relatório da PF, três produtoras de etanol são mencionadas como participantes do esquema de corrupção: Usina Dracena, de Dracena (SP); Usina São Paulo, de Porteirão (GO); e Usina Alta Paulista, de Juqueirópolis (SP).

A Usina Dracena é a maior das três companhias listadas, com capacidade de moagem de 3,5 milhões de cana-de-açúcar por safra. A companhia também possui autorização da ANP para produzir diariamente 450 mil litros de etanol anidro e 550 mil litros de etanol hidratado. Já a Usina São Paulo pode moer até 1,5 milhão de toneladas de cana a cada temporada, com capacidade para produzir 600 mil litros de etanol por dia.

Por fim, a Usina Alta Paulista está atualmente em recuperação judicial e enfrenta dificuldades por não pagar os direitos trabalhistas de mais de 500 ex-funcionários demitidos a partir de 2016. A unidade possui estrutura para moer pouco menos de 1 milhão de toneladas de cana por safra.

A primeira fase da Operação Rosa dos Ventos, instaurada exatamente um ano antes da segunda, investigava um rombo de R$ 3 milhões causado por distribuidoras de combustíveis que estavam em nomes de laranjas a fim de sonegar tributos. As investigadas usavam onze empresas "barrigas de aluguel" para deixar de pagar impostos, aumentando os lucros com a venda de etanol. O principal alvo era o empresário Miceno Rossi Neto.

Usinas Alta Paulista e Dracena

As usinas Alta Paulista e Dracena foram mencionadas no depoimento do sócio da locadora de veículos Leão 9 Autos, Geraldo Soares Leão. Um dos investigados, Adriano Rossi – dono da empresa Alfa Participações e Empreendimentos, irmão de Miceno Rossi Neto e sócio da Usina Dracena –, adquiriu diversos carros em nome da locadora que ajudou a abrir para auxiliar Leão, que também trabalha na Alfa.

De acordo com os documentos, Rossi movimentava as contas da Leão 9 e o aluguel de carros fazia parte do esquema, pois a empresa servia como fachada para os veículos, que foram comprados por Rossi e eram usados para fins próprios. Segundo a polícia, os depoimentos incoerentes entre o empresário e Leão comprovam que o fato ocorria por “blindagem patrimonial”, a fim de dissimular o real patrimônio de Rossi.

Leão relatou à polícia que recebeu a proposta de Rossi para abrir a Leão 9. O objetivo seria locar veículos em seu nome para que os carros fossem usados de modo particular e em outras duas empresas .

Ele ainda disse que o combinado era que Rossi compraria uma parte dos veículos e ele administraria a empresa. Após aceitar a proposta, Leão teria falado com um terceiro, Carlos Eduardo Guedes de Oliveira Souza, para que figurasse no contrato social – sem receber algo em troca ou sequer participar da administração da empresa.

Um mês após a integração, o capital social foi alterado para R$ 602 mil pela transferência dos veículos que estavam em nome de Leão e mais R$ 300 mil, em dinheiro, foram integralizados por Rossi. Leão já possuía alguns carros e caminhões que estavam em seu nome e foram transferidos para a Leão 9 Autos. Além disso, Rossi possuía cerca de 15 veículos apreendidos durante a Operação Rosa dos Ventos, que foram locados por meio da empresa.

Dois carros ficaram com Rossi e parte dos outros veículos foram locados pela Usina Alta Paulista (Usalpa). Leão afirmou que não lembra com quem negociou a locação, valores ou prazos. Segundo ele, Rossi não tem relação com a Usalpa e nem com a locação, mesmo que os veículos tenham sido entregues no pátio da Usina Dracena.

Após a devolução, os veículos foram locados – com todos os outros veículos da Leão 9 Autos –para duas empresas de Rossi. Os contratos eram anuais e, a partir de 2015, a empresa não firmou mais compromissos, apenas fazia locação particular com pagamento em dinheiro.

Usina São Paulo

Outra companhia envolvida na operação é a Usina São Paulo, de Porteirão (GO), que manteve vínculos comerciais com a Agrofield Centro-Oeste Comércio de Produtos Agrícolas. Segundo os dados apresentados, embora tivesse capital social de R$ 790 mil, a Agrofield realizou compras imobiliárias no valor de R$ 11,95 milhões, a maioria em terrenos.

O relatório da polícia federal menciona um contrato entre a Agrofield e a Sky Flyer Aviação (peça integrante do esquema de lavagem de dinheiro de Rossi Neto) no qual constam repasses da Agrofield de diversos imóveis em Luziânia (GO), em troca de um crédito de R$ 1,39 milhões contra a Usina São Paulo. Um dos documentos, inclusive, é o balancete com a escrituração da dívida da usina com a Agrofield.

balancete rosa ventos 24082018

Além disso, a usina ainda teria contratado o consultor Luidg Alessandro Uchoa para realizar a reestruturação da companhia. Uchoa, por sua vez, prestou uma série de serviços para Miceno Rossi Neto e aceitou áreas urbanas como pagamento. Rossi Neto também atuava como procurador de uma das empresas de Uchoa.

No documento, a polícia federal cita a empresa Everest Participações e Empreendimentos, ligada a Uchoa, que comprou 96 imóveis registrados pela Capital Brasil Transportes, de Rossi Neto, com o objetivo de blindar o patrimônio do empresário. Entre eles estariam dezenas de terrenos de 450 m², declarados por apenas R$ 5 mil cada, caracterizando subfaturamento.

Segundo depoimento de um dos laranjas da Capital Brasil, Áureo Demétrio da Costa Junior, os lotes transferidos da Capital à Everest foram usados para o pagamento dos honorários dos serviços prestados por Uchoa à Usina São Paulo.

A Everest Participações concluiu, desde o início da sua existência, em 2015, até o final do período investigado pela PF, em 2017, 1.034 operações imobiliárias. Conforme a PF, o valor de cada uma das transações era de cerca de R$ 2 mil.

Além disso, a Everest teria pago pouco mais de R$ 5,10 milhões por 1.015 imóveis que totalizaram 364,5 mil m². Dessa forma, o valor médio foi de R$ 14 por metro quadrado, considerado irrisório pela polícia.

O NovaCana tentou entrar em contato telefônico com as três usinas citadas, mas os números estavam desativados. Os sites das companhias também se encontram fora do ar.

Gabrielle Rumor Koster – NovaCana

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