Média de indicadores das maiores companhias de açúcar e etanol deixa clara a prioridade do setor: recomposição financeira
Enquanto boa parte das empresas brasileiras viveu um 2016 repleto de apreensões – grandes denúncias, problemas econômicos e crise política –, o setor sucroenergético começou a enxergar uma luz no fim do túnel após anos de dificuldades financeiras. O bom momento para o açúcar no mercado internacional e o aquecimento da demanda por etanol indicavam que seria possível voltar a lucrar, ainda que não imediatamente.
Analisando os resultados financeiros das mil empresas de maior renda líquida do país é possível perceber que as empresas de açúcar e etanol estão preocupadas com uma recuperação financeira que se sustente no curto prazo. Tanto é que as empresas chegaram a registrar resultados acima da média quando se trata de giro do ativo e de cobertura de juros.
A seguir, confira o resultado das 34 maiores companhias sucroenergéticas em oito indicadores – receita líquida média, margem Ebitda, crescimento sustentável, rentabilidade patrimonial, margem da atividade, liquidez corrente, giro do ativo e cobertura de juros. Eles são apresentados em comparação com a média das mil maiores empresas do país e em relação a outros 24 setores.
















Enquanto boa parte das empresas brasileiras viveu um 2016 repleto de apreensões – grandes denúncias, problemas econômicos e crise política –, o setor sucroenergético começou a enxergar uma luz no fim do túnel após anos de dificuldades financeiras. O bom momento para o açúcar no mercado internacional e o aquecimento da demanda por etanol indicavam que seria possível voltar a lucrar, ainda que não imediatamente.
Analisando os resultados financeiros das mil empresas de maior renda líquida do país, obtidos por meio da publicação Valor 1000, é possível perceber que as empresas de açúcar e etanol estão preocupadas com uma recuperação financeira que se sustente no curto prazo. Tanto é que as empresas chegaram a registrar resultados acima da média quando se trata de giro do ativo e de cobertura de juros.
Em 2016, elas também se destacaram com suas margens Ebitda e no indicador de rentabilidade patrimonial. Esses dois indicadores demonstram a preocupação em melhorar os resultados operacionais.
Entretanto, as sucroenergéticas ainda sentem os efeitos da crise e existe muito espaço para recuperação. Na comparação com outros 24 setores da economia, elas ficaram entre as últimas posições quando o assunto é crescimento sustentável e liquidez corrente – ambos prejudicados pelo alto endividamento ainda presente. Elas também ficaram abaixo da média geral em receita líquida média e margem da atividade.
A seguir, confira o resultado das 34 maiores companhias sucroenergéticas em oito indicadores. Eles são apresentados em comparação com a média das mil maiores empresas do país e em relação a outros 24 setores.
As empresas consideradas para os cálculos foram: Adecoagro, Barralcool, Bevap Bioenergia, Biosev, Cerradinho Bionergia, CMAA, Cocal, Companhia Agrícola Colombo, Copersucar, Da Mata, Grupo Balbo, Grupo Maringá, Grupo Olho D'Água, Iaco Agrícola, Ipiranga Agroindustrial, Jalles Machado, Lincoln Junqueira, Melhoramentos, Odebrecht Agroindustrial, São Martinho, Tereos Internacional, Usina Batatais, Usina Bazan, Usina Bela Vista, Usina Colombo, Usina Coruripe, Usina Delta, Usina Nardini, Usina Santa Fé, Usina Santa Isabel, Usina Santa Terezinha, Usina São João, Usina São Manoel e Zilor.
Receita líquida média
O indicador que seleciona as mil maiores empresas do país, a receita líquida média representa o resultado operacional da companhia já com a dedução de impostos, descontos e devoluções. Em 2016, devido aos reflexos da crise econômica, a maior parte dos setores registrou uma queda nesse índice.
Na média, as mil maiores empresas do país vivenciaram um recuo de 0,4%, alcançando R$ 3,32 bilhões. As 34 maiores sucroenergéticas, entretanto, tiveram um tropeço ainda maior, de 2,5%. Em 2016, elas tiveram um faturamento de R$ 2,39 bilhões, contra os R$ 2,45 bilhões vistos em 2015.


Giro do ativo
Ainda assim, as maiores sucroenergéticas do país mantiveram sua tendência de crescimento do giro do ativo, que alcançou 0,77 ponto em 2016 (+13,24%). Na média geral, o índice permaneceu praticamente estável em relação ao ano anterior, sendo calculado em 0,6 ponto.
Esse dado, obtido pela divisão da receita líquida pelo total do ativo, mostra o aproveitamento dos ativos no exercício. O aumento registrado pelas empresas de açúcar e etanol, portanto, registra uma melhora na capacidade de geração de faturamento de acordo com o tamanho das companhias.


Margem Ebitda
O lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda) indica o desempenho operacional da atividade de uma empresa. Quando colocado em relação à receita líquida, ele gera um indicador que permite comparar empresas de diferentes portes em relação a sua capacidade de lucrar, mas desconsiderando fatores prévios, como a necessidade do pagamento de juros ou até mesmo taxações diferenciadas por setor.
Nesse caso, embora as usinas sucroenergéticas tenham ficado abaixo da média das mil maiores empresas, o crescimento do indicador foi mais significativo, denotando uma recuperação na rentabilidade operacional.
Em 2016, a margem Ebitda das principais companhias sucroenergéticas foi de 16,6%, um valor 4,1 pontos percentuais acima do registrado no ano anterior – quando o setor ampliou consideravelmente seu gap em relação à média dos 25 principais setores econômicos. Considerando as mil maiores empresas, o índice foi de 19,9%.


Margem de atividade
Esse número, obtido pela divisão do resultado operacional pelo total da receita líquida, demonstra a capacidade das empresas de efetivamente lucrar com seus produtos e serviços, ou seja, considerando aspectos ignorados pela margem Ebitda.
Com isso, o alto comprometimento da indústria com o pagamento de dívidas e as taxas de depreciação dos ativos industriais e agrícolas fez com que o índice ficasse abaixo da média das mil maiores empresas do país. Ainda assim, as companhias viveram quase uma situação de estabilidade, com o índice passando de 8% em 2015 para 7,9% em 2016.
Notadamente, a crise que se abateu sobre alguns dos principais setores da economia nacional em 2015 afetou significativamente o índice naquele ano, ainda que as sucroenergéticas tenham sido menos abaladas nesse sentido e já começassem a sentir os efeitos de uma recuperação econômica. Com os ânimos renovados, em 2016, o índice geral e o setorial se aproximaram.


Rentabilidade
Ainda assim, seguindo a recuperação da margem Ebitda, as usinas brasileiras viram uma rentabilidade patrimonial superior a da média das mil maiores companhias do país. Enquanto o setor cresceu 13,9% em 2016, a média geral foi de 5,2%.
A taxa de crescimento, contudo, foi bastante similar tanto no resultado setorial quanto no geral, demonstrando que o alívio econômico sentido em 2016 pelas companhias brasileiras foi, ao menos parcialmente, compartilhado com as empresas de açúcar e etanol.
Esse índice, considerado um indicador clássico de lucratividade, é calculado pela relação entre o resultado líquido e o patrimônio líquido no fim do exercício. Com isso, ele representa a capacidade da empresa de lucrar em relação ao tamanho da companhia.


Cobertura de juros
Esse valor, obtido pela divisão do Ebitda pelas despesas financeiras, expressa a capacidade das empresas de lidar com o pagamento dos juros dos empréstimos e financiamentos. Em um setor que sofre com o alto endividamento, como é o caso do sucroenergético, esse índice se torna particularmente relevante.
Em 2016, as 34 maiores companhias de açúcar e etanol registraram um aumento no indicador, que passou de 0,91 para 1,41 pontos. Elas estão levemente acima da média das mil maiores empresas do país, e ainda tenta se recuperar do baque financeiro visto em 2015.


Crescimento sustentável
Apesar disso, o índice de crescimento sustentável do setor sucroenergético está relativamente distante do ideal. Obtido pela divisão do percentual de aumento da receita líquida pelo percentual de aumento do patrimônio líquido ajustado (isento da reserva de reavaliação), esse número é considerado ideal quanto mais próximo de 1 ponto, uma vez que a equivalência entre esses dois dados é considerada desejável.
Em 2016, o setor obteve 0,9074 ponto, o que significa que o patrimônio das empresas cresceu mais do que a receita e pode implicar um aumento nos riscos. Em 2015, a questão havia sido inversa, com um índice de 1,1635 ponto, onde a receita aumentou mais que o patrimônio, indicando que o acréscimo no faturamento não foi reaplicado nos negócios.
Em ambos os anos, a média das mil maiores empresas do Brasil esteve mais próxima do valor considerado ideal, ficando em 1,0245 ponto em 2015 e em 0,9842 ponto em 2016.


Liquidez corrente
Outro índice em que as principais sucroenergéticas obtiveram um resultado inferior à média das mil maiores empresas do país foi a liquidez corrente. Esse valor é calculado pela divisão do ativo circulante (bens e direitos que podem ser convertidos em dinheiro em curto prazo) sobre o passivo circulante (obrigações que devem ser pagas dentro de um ano, como dívidas, empréstimos, impostos e outras contas).
Em 2016, o setor obteve 1,04 ponto nesse indicador, um crescimento de 16,85% em relação a 2015. A melhora significa que as companhias estão diminuindo seus endividamentos relativos de curto prazo, o que terá impactos futuros, como a diminuição das despesas financeiras e a possibilidade de melhores resultados financeiros.
Ainda assim, o indicador está abaixo do 1,35 ponto visto na média geral, demonstrando que o setor sucroenergético possui um endividamento mais elevado que o padrão nacional.


NovaCana DATA
Renata Bossle – NovaCana