Na safra 2013/14 o nível de impurezas era 6,7%, enquanto no mesmo período desta temporada o índice chegou a 7,6%
Na safra 2014/15 a presença de impurezas vegetais por tonelada de cana-de-açúcar entregue às usinas aumentou em quase um ponto percentual em relação ao ciclo anterior, enquanto, o nível de impurezas minerais é menor. Apesar de impactar a produtividade industrial, é possível que a maior presença de palha seja intencional.
“Uma hipótese é que os produtores estão optando por trazer um pouco mais de palha para aproveitar os bons preços de energia elétrica para a cogeração no mercado spot” considerou o presidente da Datagro, Plínio Nastari.
Segundo levantamento da consultoria, no acumulado até setembro da safra 2013/14 o nível de impurezas era 6,7%, enquanto no mesmo período desta temporada o índice chegou a 7,6%. “Isso significa que 7,6% da cana que está sendo entregue nas moendas, na realidade, é palha que não produz açúcar e álcool, mas que pode produzir energia”, afirmou.
Mesmo com a maior presença de impurezas, o rendimento industrial (ATR) é melhor do que na safra anterior, compensando parcialmente as perdas de produtividade agrícola, mas não o suficiente para neutralizar o efeito da seca sobre os canaviais. Com a falta de chuva para o desenvolvimento das plantas, a cana apresenta entrenós bastante encurtados, falhas de brotação e desenvolvimento fisiológico atrasado.
“Isso tem trazido rendimentos agrícolas menores nesta safra, com bastante redução de produtividade e consequente impacto de custo”, observa Nastari.
Como a seca também impactou a geração de eletricidade pelas hidrelétricas, a escassez de energia tem mantido os preços de energia bastante atrativos no mercado livre. Desde fevereiro, no submercado Sudeste/Centro-oeste, o Preço de Liquidação das Diferenças (PLD) tem oscilado entre R$ 412,65 por megawatt-hora (MWh) e o teto de R$ 822,83 por MWh, que não era registrado desde a última semana de maio e voltou a ser atingido na sexta-feira, dia 17.
“O PLD, tarifa spot de cogeração, é que tem justificado, nesta hipótese levantada, a entrega de mais palha junto com a cana”, analisou.
Apesar da oportunidade momentânea para as usinas, no longo prazo a fraca regulação do mercado de energia elétrica traz riscos para o desenvolvimento da cogeração com a biomassa de cana. O presidente da consultoria considera que o modelo atual dos leilões de energia pode frear o aproveitamento de todo o potencial de cogeração com resíduos de cana.
Nastari defende que a energia do bagaço e palha da cana sejam valorizados de acordo com os benefício oferecidos como a sazonalidade complementar à geração por fonte hídrica, além de exigir menores investimentos e menores perdas de transmissão, por estar localizado junto aos principais mercados consumidores.
Amanda SchArr – NovaCana