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Usinas e produtores de cana devem ter margens negativas na safra 2015/16


Agência Estado - Publicado: 16 Jun 2015 - 08:53 | Atualizado: 30 Nov -0001 - 21:00

Apesar da melhor produtividade, a safra 2015/2016 de cana-de-açúcar deve ter margens negativas para os produtores e para as usinas de açúcar e etanol no Centro-Sul do Brasil. O resultado é negativo em praticamente todos os cenários levantados pelo Programa de Educação Continuada em Economia e Gestão de Empresas da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Pecege/Esalq/USP) em estudo feito para Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA). Os dados, divulgados nesta segunda-feira, 15, apontam margens negativas ao produtor de cana em 17 dos 18 cenários projetados, se comparados remuneração esperada e custos de produção em diferentes índices de produtividade.

Esse prejuízo deve variar de 3% e 32%, dependendo da produtividade em tonelada de cana por hectare e ainda dos três cenários de remuneração ao produtor - pessimista, base e otimista. O único cenário positivo ao produtor considera uma produtividade de 82 toneladas de cana por hectare e uma avaliação de preço de R$ 0,5576 por quilo de açúcar total recuperável (ATR), ou seja, 13,6% superior aos R$ 0,4909/kg/ATR pagos no início da safra. Esse cenário considera apenas o custo operacional total, ou seja, deduz as remunerações de terra e do capital. Caso se concretize a projeção, ainda assim o produtor de cana teria apenas 2% de margem positiva nesta safra no Centro-Sul do Brasil.

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Para as usinas, o Pecege/Esalq divulgou nove cenários para açúcar demerara (VHP) e outros nove para o etanol anidro. No açúcar, apenas dois cenários apontaram margens positivas, ambos em uma avaliação otimista dos preços pagos pela tonelada da commodity, em R$ 942 por tonelada (em abril foi de R$ 858/t) e ainda com uma produtividade da cana entre 77 e 83 toneladas por hectare. Nos outros seis cenários, as margens seriam negativas entre 3% e 16%.

Já para o etanol anidro a expectativa é menos ruim, com margens positivas projetadas para quatro dos nove cenários. Caso as usinas recebam R$ 1.683 por metro cúbico (mil litros) do etanol, no cenário otimista, as margens esperadas serão positivas entre 4% e 12% dependendo da produtividade da cana. Caso o preço fique em R$ 1.544 por metro cúbico, a margem será positiva, em 3%, apenas para produtividade de cana em 82 toneladas por hectare. Nos outros cinco cenários, as margens serão negativas entre 1% e 13%.

"A produção sucroenergética, em mais uma safra, projeta-se como uma atividade econômica de baixa atratividade em relação a investimentos feitos em outros setores da economia brasileira. A perspectiva de maior rentabilidade do etanol em relação ao açúcar se mantém para a safra 2015/2016, embora apenas as usinas com processos mais otimizados apresentem possibilidade de obter equilíbrio econômico na safra", apontam o Pecege/Esalq e a CNA em relatório.

O levantamento estimou um aumento de 9,8% nos preços do etanol hidratado e de 8,6% para o anidro, com base na variação do preço da gasolina. No caso do açúcar demerara, o aumento no preço para o produtor deverá chegar a 7,2% na safra 2015/2016, com base nos valores médios dos contratos futuros do açúcar e dólar com vencimento em julho e outubro deste ano, período em que historicamente acontece o pico da comercialização do produto.

No entanto, o Pecege/Esalq e a CNA apontam aumentos maiores em custos de produção, como o de 18,33% no calcário, de 11,34% dos fertilizantes e de 8,04% na mão-de-obra. Em compensação, dois itens pesarão menos: inseticidas, com queda de 11,61%, e herbicidas, de 1,49%.

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Gustavo Porto