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Para usinas não perderem participação no mercado, moagem precisa crescer 70 mi/ton ao ano

cana-transporte-050713Confirmando safra mais alcooleira consultoria afirma que anidro oferece rentabilidade 38% acima da média do setor, a 6,49 dólares por tonelada de cana
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Se o Brasil quiser manter a sua participação no mercado mundial de açúcar e o abastecimento interno de etanol hidratado nos níveis atuais, a moagem de cana precisaria crescer 55 milhões de toneladas ao ano, alerta a Archer Consulting.

Se o Brasil quiser manter a sua participação no mercado mundial de açúcar e o abastecimento interno de etanol hidratado nos níveis atuais, a moagem de cana precisaria crescer 55 milhões de toneladas ao ano, alerta a Archer Consulting. A consultoria rebaixou em 2,5% sua estimativa de safra para 2014/15, de 590 (previstos me março) para 575 milhões de toneladas.

"Apenas para atender o crescimento vegetativo do mercado de açúcar mundial, imaginando que o Brasil mantenha seu market share, precisaríamos crescer pelo menos 20 milhões de toneladas. E para atender ao consumo de etanol, assumindo que ainda mantenhamos o percentual atual de carros flex que utilizam o combustível [hidratado], mais 35 milhões de toneladas de cana", explica o gestor de riscos e diretor da Archer, Arnaldo Correa.

Quando a demanda por etanol anidro para mistura à gasolina também é colocada na conta, o volume adicional necessário para o atendimento doméstico do biocombustível sobe para 50 milhões de toneladas de cana ao ano. Somado o crescimento necessário para o açúcar, o volume a ser adicionado por safra seria de 70 milhões de toneladas.

"Os números não fecham porque nossa capacidade instalada na indústria hoje é entre 620 a 640 milhões de toneladas, ou seja, sem novos investimentos e novas unidades o setor ficará estagnado".

A segunda estimativa da Archer Consulting aponta que as 575 milhões de toneladas de cana-de-açúcar serão distribuídas em uma produção de 33,8 milhões de toneladas de açúcar e 24,6 bilhões de litros de etanol, números levemente abaixo da estimativa de safra da Unica.

A consultoria prevê que a qualidade dos açúcares da cana fique em linha com safra passada e projeta um ATR de 133 kg por tonelada. Entretanto, Correa ressalva, há possibilidade de queda caso se confirme a ocorrência de El Niño, com chuvas atípicas entre junho e julho.

Anidro com rentabilidade de 6,49 dólares por tonelada
Sem uma mudança drástica no mercado internacional de açúcar, o etanol deverá continuar sendo o melhor negócio já que oferece uma rentabilidade 38% acima da média do setor. A Archer estima a atual média de rentabilidade em 4,67 dólares por tonelada de cana moída, enquanto o anidro traz uma rentabilidade de 6,49 dólares por tonelada.

Ao mesmo tempo, com a safra mais alcooleira, o setor tem 55% da sua produção dependente do preço da gasolina que está congelado pelo governo, avalia o especialista.

Corrêa destaca que na bomba o anidro tem participação de apenas 12% do preço final da gasolina C. Segundo ele, o valor cobrado ao consumidor é formado por 40% de gasolina A, 36% de impostos, 12% de etanol e os 12% restantes pelo frete e a margem de comercialização. "A carga tributária é algo absolutamente terrível", pontua.

O analista de risco afirma que se o preço da gasolina atualmente seguisse o mercado internacional, custaria R$ 3,176 por litro para o consumidor final, sendo que o preço médio no país está em R$ 2,593. A análise toma por base o fechamento do petróleo em Nova York a US$ 100,61 por barril e a cotação do dólar a R$ 2,243.

Uma eventual aumento da mistura de anidro à gasolina para 27,5% – que foi refutada pelo ministro da Fazenda Guido Mantega – reduziria esse preço de equilíbrio de R$ 3,176 por litro para R$ 3,133 por litro. Em uma ano essa diferença de R$ 0,0430 por litro representaria uma economia de R$ 1,8 bilhão para a Petrobras, diz Correa. Além disso traria um alívio para o setor sucroalcooleiro, altamente endividado.

"Infelizmente, o setor ainda deve muito. Segundo estimativas do mercado, o nível de endividamento é de R$ 100 por tonelada de cana, dos quais R$ 12 para o BNDES", completa.

Amanda SchArr – NovaCana
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