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Quanto as usinas podem ganhar com o aumento da eficiência com etanol nos motores flex?

carro-flex-270114Não se trata apenas de aumentar a demanda interna por etanol, mas de garantir mais lucro para o setor produtivo
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A quem interessa veículos a etanol eficientes? Segundo a Unica, o aumento da paridade em 5% poderia proporcionar incremento no preço potencial do produtor no estado de São Paulo em 10%. A frase resume o argumento mais contundente para justificar o interesse do setor sucroenergético no assunto.

Com a perspectiva de forte redução nas exportações de etanol, o aumento da procura pelo biocombustível no mercado interno seria muito bem-vindo. Mas motores mais ajustados para trabalhar com etanol teriam reflexo direto também na lucratividade das usinas.

Veja a seguir quanto as usinas poderiam cobrar a mais se a paridade média dos motores saísse de 70% para 71%.

E mais:
- Os dados da Unica para o aumento da demanda por etanol
- Infográfico: a rentabilidade das usinas com a maior eficiência do etanol
- Estimulando o interesse das montadoras por carros mais eficientes com etanol
- As tecnologias que podem promover a otimização dos motores com o biocombustível

A quem interessa veículos a etanol eficientes? Segundo a Unica, o aumento da paridade em 5% poderia proporcionar incremento no preço potencial do produtor no estado de São Paulo em 10%. A frase resume o argumento mais contundente para justificar o interesse do setor sucroenergético no assunto.

A entidade defende que o uso do etanol em veículos flex pode alcançar uma eficiência de até 77% em relação à gasolina. A partir disso, o NovaCana fez uma projeção simples sobre o efeito de uma maior eficiência sobre os preços do etanol, sem considerar os impactos do aumento de demanda que a maior competitividade poderia acarretar. Assim, se a maior eficiência fosse uma realidade no atual cenário paulista, a rentabilidade do produtor de etanol aumentaria quase dois centavos por litro (R$ 0,0186) a cada 1% ganho em eficiência.

O cálculo se baseia na relação entre a média de preços praticados na primeira semana de janeiro no estado de São Paulo para a gasolina e etanol ao consumidor, respectivamente R$ 2,843 e R$ 1,912 (paridade equivalente à 67,25%) e do etanol hidratado na usina a R$ 1,2844 (valor 33% menor que o preço ao consumidor). Assim, no caso de eficiência a 77%, mantendo a mesma folga de preços ao consumidor da primeira semana de janeiro (etanol 2,75% abaixo do limite da paridade), a remuneração pelo litro de hidratado na usina aumentaria mais de 13 centavos, ficando em R$ 1,418 por litro (veja mais detalhes no infográfico abaixo).

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Melhorar a paridade para aumentar a demanda

O questionamento do início deste texto foi feito dois meses atrás, durante o evento Uso Eficiente do Etanol Veicular no Brasil. Promovido pelo Instituto Nacional de Eficiência Energética (INEE), com o apoio da Unica e patrocínio da Copersucar, o encontro mostrou alternativas e motivos para alterar a relação de consumo entre etanol e gasolina.

Mesmo admitindo o conteúdo do etanol hidratado como 30% menor que o da gasolina C, os especialistas em motorização que participaram do seminário consideram que as propriedades físico-químicas do etanol, especialmente a alta octanagem, permitem atingir bem mais eficiência do que a relação a 70% com a gasolina.

A possibilidade, já encarada há uma década pela Unica, deve ganhar tratamento prioritário em 2014. Com esforços pouco exitosos junto ao governo federal para que o etanol obtenha uma política equivalente à da gasolina, a Unica procura alternativas para ajudar o setor a sair do momento de estagnação. O tema revela, além da busca direta por margens maiores, a grande questão que recai sobre o necessário aumento de demanda pelo biocombustível.

Na visão da entidade, até o final da década o ritmo de expansão do setor dependerá fundamentalmente do mercado doméstico de etanol. Mas se a competitividade restrita – com o aumento de custos ao produtor e preços ao consumidor represados devido aos subsídios à gasolina – parece uma barreira para o aumento da demanda, melhorar a correlação de eficiência pode ser uma saída.

Com o aumento da paridade em 5%, pela estimativa da Unica, em abril, mês de menor consumo do etanol, a participação do biocombustível nos motores de ciclo Otto poderia saltar dos 6% (registrados em 2013) para 44%. Já nos meses fortes da safra a demanda seria de 10% a 13% maior.

Entretanto, alterar o nível de eficiência do etanol nos motores flex exige mais tecnologia, o que traz custos que as montadoras não se disporiam a bancar. Por isso, mesmo trabalhando em uma frente alternativa, o setor continua precisando da colaboração do governo. A proposta é fomentar a evolução através de mecanismos de estímulo, como desoneração fiscal, dentro do InovarAuto, programa de estímulo à inovação nos veículos. Dessa forma se colocaria às montadoras novas metas em relação ao desempenho do etanol nos motores.

Os especialistas que participaram do evento do INEE estimam que a eficiência energética do flex usando etanol pode ser de 10 a 15% maior do que usando gasolina, nível que poderia ainda ser superado com motores dedicados ao combustível renovável. Entretanto, a volta de motores exclusivos para o etanol não é uma opção considerada pela Unica.

Sobre a viabilidade técnica, algumas tecnologias já disponíveis em modelos mais modernos podem promover a otimização dos motores com o biocombustível. Entre elas: o uso da injeção direta, taxa de compressão variável, controle eletrônico, compressores e turbos e câmbio automático com maior número de marchas.

As apresentações dos palestrantes que participaram do seminário podem ser baixadas aqui: http://www.etanolveicular.inee.org.br/programacao.html

Amanda SchArr – NovaCana
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