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Usinas brasileiras endividadas terão ano difícil, projetam Fitch e S&P

fitch 300414A Fitch Ratings e a Standard and Poor’s (S&P), não veem melhoras no horizonte do setor sucroalcooleiro em 2015, apesar de medidas como a volta da Cide e o aumento da mistura de etanol anidro na gasolina

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Duas das três principais agências de classificação de riscos, a Fitch Ratings e a Standard and Poor’s (S&P), não veem melhoras no horizonte do setor sucroalcooleiro em 2015, apesar de medidas como a volta da Cide e o aumento da mistura de etanol anidro na gasolina.

Das dez usinas monitoradas pela S&P, cinco estão com o rating em perspectiva negativa, resultado da elevada percepção de risco por parte dos investidores.

A Fitch afirmou no ano passado que a quantidade de rebaixamentos das empresas de açúcar e etanol na América Latina superaria a de afirmações em 2015 (veja gráfico abaixo), perspectiva que permanece.

Duas das três principais agências de classificação de riscos, a Fitch Ratings e a Standard and Poor’s (S&P), não veem melhoras no horizonte do setor sucroalcooleiro em 2015, apesar de medidas como a volta da Cide e o aumento da mistura de etanol anidro na gasolina.

“A Fitch ainda entende que 2015 será um ano difícil para o setor. A volta da Cide era um antigo pleito das usinas. O impacto será positivo nas margens de geração de caixa das companhias, mas não a ponto de mudar o cenário em 180 graus”, disse por telefone, de São Paulo, o analista Cláudio Miori.

Na visão dos analistas entrevistados pelo portal NovaCana, os reflexos das medidas anunciadas pelo governo ainda são “incertos”.

“Estas medidas podem trazer algum alívio ao setor de cana, mas sozinhas, não são suficientes para melhorar a rentabilidade do setor como um todo”, apontou a analista da S&P, Flávia Bedran.

Crédito difícil

Como resultado da elevada percepção de risco das usinas, a oferta de crédito às sucroalcooleiras de menor porte continuará apertada, previu Miori.

Já as empresas mais capitalizadas, que contam com recursos da matriz, deverão ter o trabalho de alongamento da dívida facilitado.

Numa operação de crédito liderada pela francesa Crédit Agricole, e que envolveu um pool de sete bancos estrangeiros, a maioria europeus, a Guarani concluiu no mês passado a renegociação de U$ 300 milhões em dívidas que venciam no curto prazo.

“Os grupos que estão conseguindo fazer este trabalho, de alongamento da dívida, são grupos multinacionais, cujo rating já reflete uma capacidade de negociação melhor em relação às demais usinas. O fato de o banco negociar com eles não surpreende. Para as usinas menores, com ratings piores, a dificuldade deve permanecer”, disse o analista da Fitch Ratings.

Embora o cenário atual não seja favorável ao setor, Flávia ressalta que, a medida em que os preços melhoram, há a geração de caixa e uma menor necessidade de empréstimos para investimentos em canaviais. Esse ciclo tende a refletir em melhores condições na próxima safra, o que implica em condições de acesso ao crédito mais favoráveis.

Contudo, no cenário atual a taxa de juros ainda será alta para as companhias altamente alavancadas, lembrou a analista.

Incertezas na safra 2015/16

Contrariando a expectativa mais otimista de sucroalcooleiras como a Biosev, que esperam “uma virada” no ciclo de baixa dos preços do açúcar, iniciado em 2010, a Fitch ainda enxerga um cenário de preços “deprimidos” para o adoçante.

“O preço do açúcar ainda está em níveis baixos. Há incertezas quanto à produtividade agrícola e quanto ao impacto do clima na safra que inicia em abril”, adiantou Miori.

O estrago causado pelo clima seco em 2014/15 é outro elemento que aumenta a incerteza dos analistas quanto a uma recuperação da indústria em 2015. “A seca afetou 15% do volume de produção dos canaviais brasileiros e o efeito disso no próximo ciclo ainda é incerto. As chuvas precisam cair agora”, destacou a analista da S&P.

Risco elevado

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Mesmo com uma política fiscal mais rígida, como sinalizou o novo ministro da fazenda, Joaquim Levy, a percepção de risco das usinas ainda é elevada.

Das dez usinas monitoradas pela S&P, cinco estão com o rating em perspectiva negativa, resultado da elevada percepção de risco por parte dos investidores. O mercado de açúcar e etanol responde por 25% de todas as empresas do segmento de produtos de consumo monitoradas pela agência.

“Houve muitas ações de rating negativas no ano passado. Das dez empresas de açúcar e etanol que monitoramos, 50% estão com perspectiva negativa, o que indica um novo rebaixamento, caso as condições de mercado continuem desfavoráveis”, informou Flávia.

No final do ano passado, a Fitch havia adiantado que a quantidade de rebaixamentos das empresas de açúcar e etanol na América Latina superaria a de afirmações em 2015 (veja gráfico ao lado), perspectiva que permanece.

“A volta da Cide melhora o humor, mas não deve haver mudança tão drástica na percepção de risco quanto às usinas menores. Não houve uma mudança fundamental no humor da indústria”, reiterou Miori.

“O cenário que estamos vivendo hoje é preocupante”, completou Flávia.

Leonardo Siqueira – NovaCana

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