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Usinas X resto da economia: desempenho dos grupos de açúcar e etanol contra 25 setores da economia

usina etanol fumaca 010915Comparação entre os grupos de açúcar e etanol com a média dos resultados de 25 diferentes setores da economia revela a situação das usinas em relação a empresas brasileiras de outros segmentos de atuação

NovaCana 6 min de leitura

As maiores empresas de açúcar e álcool do país já começaram a sentir o efeito do mercado mais favorável, como mostra uma compilação dos balanços financeiros com fechamento em 2015. Este ano promete ser muito melhor, mas para entender como as usinas avançaram é fundamental confrontar o desempenho com empresas de outros setores da economia nacional.

O NovaCana apresenta uma comparação abrangente entre todas as maiores empresas do Brasil em 25 diferentes setores da economia (no total foram mais de mil grupos analisados).

Ao todo foram oito indicadores confrontados. Os grupos do mercado sucroenergético ganharam da média geral em quatro desses oito parâmetros.

Veja a seguir o texto completo e 16 gráficos resumindo a compilação:

- Os resultados médios registrados pelos 29 principais grupos econômicos do setor de açúcar e etanol contra a média das principais empresas de 25 setores da economia.

- Os setores da economia que se saíram melhor (e pior) que o setor sucroenergético (por indicador).

- Onde as usinas melhoraram mais que o resto da economia (e onde pioraram).

Apesar de ainda existir uma grande distância separando os resultados do setor sucroenergético dos demais segmentos da economia do país, as maiores empresas de açúcar e álcool do país já começaram a sentir o efeito do mercado mais favorável, como mostra uma compilação dos balanços financeiros com fechamento em 2015.

Os resultados médios registrados em 2015 pelos 29 principais grupos econômicos do setor sucroalcooleiro contra a média das principais empresas de 25 diferentes setores da economia confirmam isso.

O mercado sucroenergético melhorou em muitos indicadores e agora perde, em relação à média de todos os 25 setores, em apenas quatro dos oito indicadores analisados (no ano anterior os grupos sucroenergéticos perdiam em seis dos oito indicadores).

Os dados fazem parte do levantamento realizado pelo jornal Valor Econômico, que listou os mil maiores grupos empresariais do Brasil. O recorte deste ano (com base nos dados de 2015) inclui os 29 maiores grupos de açúcar e etanol. No ano passado (dados de 2014), 30 empresas do setor constavam no ranking do jornal.

De acordo com o levantamento, o setor perdeu para a média dos 25 setores da economia nos indicadores de Receita Líquida média, Crescimento Sustentável, Liquidez Corrente e Margem Ebitda. Mesmo com parâmetros do setor permanecendo abaixo da média, alguns deles melhoraram bastante, como é o caso da receita líquida do setor que cresceu expressivamente comparada à média dos demais setores da economia.

As sucroalcooleiras também demostram um melhor aproveitamento dos ativos no exercício e uma certa estabilidade na capacidade de geração de caixa das empresas para administrar seus compromissos financeiros. Dessa forma, o setor superou a média geral de todos os setores nos indicadores de Rentabilidade Patrimonial, Margem da atividade, Giro do Ativo e Cobertura de Juros (veja gráficos abaixo).

Receita líquida média

Em um dos mais importantes índices de avaliação das companhias, a receita líquida média dos 29 maiores grupos sucroenergéticos cresceu significativamente. Enquanto em 2014 cada um desses grandes grupos conseguiram, em média, R$ 1,96 bilhão, em 2015 o volume financeiro líquido recebido foi de 2,45 bilhões (crescimento de 24%).

Apesar do crescimento, o montante fica abaixo da média dos mil maiores grupos empresariais do Brasil, que saiu de 3,1 bilhões para 3,3 bilhões em 2015 (crescimento de 6%).

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Margem de lucro

Mais um dado calculado é a margem da atividade, indicador obtido pela divisão do resultado da atividade – lucro ou prejuízo operacional sem o resultado líquido das transações financeiras –, pelo total da receita líquida do exercício.

Nesse caso, o setor sucroalcooleiro conseguiu um crescimento significativo em relação à 2014, saindo de um péssimo 4,3% para uma margem de lucro de 8%. O Valor considera a receita que as usinas obtêm com a venda de açúcar, etanol e energia, descontado o custo médio de produção, mais despesas administrativas e impostos. Segundo estudo do Itaú BBA, uma usina média do setor precisaria de um retorno de 12% para sair do vermelho.

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Rentabilidade patrimonial

Outro índice em que o setor tomou a contramão do mercado foi o de rentabilidade, que leva em conta o patrimônio líquido da empresa comparado ao lucro líquido.

Enquanto as médias gerais revelam os problemas da saúde financeira das empresas brasileiras, que atingiram o índice de -4,7% (impulsionados em grande parte por resultados de companhias como a Petrobras, Vale e Samarco), a média das 29 maiores sucroalcooleiras ficou em 2,8%.

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Ebitda

Os lucros antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda), que indicam o desempenho operacional da atividade, foi aproveitado em dois índices.

Em primeiro, a margem Ebitda, calculada em porcentagem pela divisão do valor do Ebitda pela receita líquida. O setor de açúcar e etanol atingiu 18,3%, um número menor do que no ano anterior. O índice, no entanto, ainda está acima da média geral dos demais setores, de 12,5%.

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O segundo índice relacionado ao Ebitda é a cobertura de juros. Esse valor é expresso em pontos, sendo obtido pela divisão do Ebitda pelas despesas financeiras. Dessa forma, a média setorial permaneceu praticamente estável, e alcançou 0,91 pontos, enquanto a totalidade de empresas do ranking registrou queda de 1,92 para 0,82 pontos.

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O índice de cobertura de juros mede a capacidade de geração de caixa das empresas para administrar seus compromissos financeiros. Os números demonstram que os impactos do atual momento econômico foram sentidos mais no âmbito geral, do que pelas companhias do setor. Se, em 2014, as empresas entre as mil maiores atingiram quase duas vezes os recursos necessários para arcar com suas despesas financeiras, em 2015, essa relação não chegou a uma vez.

Crescimento e dívidas

Outro índice comparativo é o de crescimento sustentável. Ele é obtido com a divisão do percentual de aumento da receita líquida pelo percentual de aumento do patrimônio líquido ajustado (isento da reserva de reavaliação). Caso uma empresa, durante o exercício, tenha revelado queda na receita líquida e/ou no patrimônio ajustado, esse indicador não é calculado.

No entanto, é preciso observar que a equivalência entre esses dois dados é desejável, de modo que resultados mais próximos a um são os mais recomendados. Assim, média geral das empresas de 1,0245 é mais saudável do que o resultado de 1,1635 obtido na média setorial sucroenergética.

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Liquidez corrente

Já a liquidez corrente é calculada com o ativo circulante (bens e direitos que podem ser convertidos em dinheiro em curto prazo) sobre o passivo circulante (obrigações que devem ser pagas dentro de um ano, como dívidas, empréstimos, impostos e contas a pagar).

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Nesse índice, o setor sucroalcooleiro tem 0,89 pontos, enquanto a média geral é de 1,7 pontos. Isso demonstra que o setor sucroalcooleiro possui um endividamento elevado em relação ao contexto da média geral.

Giro ativo

O giro do ativo é um dado que mostra o aproveitamento dos ativos no exercício. O valor, expresso em pontos, é obtido pela divisão da receita líquida pelo total do ativo. As companhias sucroalcooleiras obtiveram 0,68 pontos – contra 0,59 do total de analisadas –, o que evidencia melhora do setor.

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Marina Gallucci – NovaCana

 

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