O Brasil deverá produzir 655,16 milhões de toneladas de cana-de-açúcar nesta safra em cerca de 8,95 milhões de hectares. A estimativa é que a produção do país tenha um incremento de 3,2% em relação à safra passada e só não é maior em razão da leve redução de área plantada no país e a produtividade nos canaviais de São Paulo, maior estado produtor, se recuperam de um impacto hídrico da safra passada.
A safra de cana do centro-sul em 2015/16, que está em andamento, foi estimada nesta quinta-feira em 593,96 milhões de toneladas, em abril a Conab havia projetado volume de 592,7 milhões de toneladas. A produção de açúcar da região foi estimada em 33,67 milhões de toneladas, ante 33,72 milhões de toneladas do relatório anterior.
Nesta safra o aumento de produção é uma característica das duas grandes regiões do país, a Região Centro-Sul e a Região Norte e Nordeste. Na Região Centro-Sul a recuperação da produtividade (aumento de 4%) reflete numa expectativa de aumento de produção (3,2%), só não é mais acentuado porque haverá basicamente uma leve redução na área plantada (0,7%).
Na Região Norte e Nordeste a cultura da cana-de-açúcar na safra 2014/15 se recuperou de uma forte seca em duas safras (2012/13 e 2013/14) e em função do prognóstico de bom regime climático, deve ter um acréscimo na produtividade da atual safra de 2,2%, além de um aumento na área plantada (0,8%), o que reflete num aumento de produção de 3,1% em relação à safra 2014/15.
A área cultivada no Brasil com cana-de-açúcar que deverá ser colhida e destinada à atividade sucroalcooleira na safra 2015/16 é de 8.954,8 mil hectares. São Paulo, maior produtor, possui 51,8% (4.648,2 mil hectares), seguido por Goiás com 10,1% (908 mil hectares), Minas Gerais com 8% (715,3 mil hectares), Mato Grosso do Sul com 8% (713,7 mil hectares), Paraná com 6,8% (613,4 mil hectares), Alagoas com 4,2% (380,3 mil hectares), Pernambuco com 3,1% (273,4 mil hectares) e Mato Grosso com 2,6% (230,3 mil hectares). Estes oito estados são responsáveis por 94,7% da produção nacional. Os outros 14 estados produtores possuem áreas menores, com representações abaixo de 1,4%, totalizando 5,3% da área total do país.
O Brasil deve ter uma redução na área de apenas 49,7 mil hectares na temporada 2015/16, equivalendo a 0,6% em relação à safra 2014/15. O decréscimo foi reflexo do comportamento da safra em três grandes estados produtores: Minas Gerais com redução de 11,2% (90,2 mil hectares), São Paulo, com redução de 0,8% (37,5 mil hectares), Paraná com redução de 3,4% (21,6 mil hectares) e Espírito Santo com redução de 19,5% (13,5 mil hectares). Além destes, Piauí, Rio Grande do Norte, Paraíba, Alagoas e Rio Grande do Sul também deverão ter decréscimo na área plantada. Na Região Norte e Centro-Oeste, todos os estados produtores apresentam leve incremento na área cultivada.

A produtividade estimada para a atual temporada da safra 2015/16 deve ter um aumento de 3,8%, passando de 70.495 kg/ha para 73.163 kg/ha.

São Paulo é o maior estado produtor de cana-de-açúcar do Brasil, consequentemente, também o maior produtor potencial de açúcar e etanol. Os canaviais no estado se recuperam, nesta safra, de uma forte restrição hídrica na safra passada. A expectativa é que a produtividade média seja de 74.945 kg/ha, 2,8% superior à safra passada, mas ainda 8,5% menor do que a produtividade obtida na safra 2013/14, que foi de 81.899 kg/ha. A área deve sofrer uma leve redução de 0,8%, o que corresponde a uma redução de 37,5 mil hectares. Com o ganho de produtividade esperado, a estimativa é que a produção seja de 348,36 milhões de toneladas, o que representa um incremento de 6,8 milhões de toneladas em relação à safra passada
Centro-Sul do Brasil
Os prognósticos climáticos indicam, de maneira geral, forte probabilidade de que o volume de precipitação na Região Sul fique próximo ou acima da média na região norte do Paraná, durante o trimestre agosto-setembro-outubro de 2015. Esses prognósticos são significativamente influenciados pela condição de temperatura acima da média na superfície do Oceano Pacífico nos últimos meses, configurando uma condição de ocorrência do fenômeno El Niño (Figura 17). Tipicamente, durante esse fenômeno, a possibilidade de chuvas mais intensas aumenta substancialmente no Sul e, dependendo da sua magnitude, a área atingida por chuvas acima da média pode incluir ainda São Paulo e Mato Grosso do Sul. Em Goiás, Minas Gerais e Mato Grosso, os prognósticos climáticos indicam uma maior probabilidade de chuvas dentro da faixa normal ou abaixo, na maior parte desses estados. Contudo, o período é caracterizado por ser uma transição entre o inverno e a primavera, logo, o cenário climático pode não ser conclusivo até o final desse trimestre.

O levantamento completo pode ser acessado aqui.
A compilação e apresentação dos dados, com a comparação entre o primeiro e este segundo levantamento, está acessível na plataforma de dados (exclusivo para assinantes).