O setor sucroenergético viveu dias difíceis em agosto de 2024. Em um contexto de tempo seco, calor e muito vento, incêndios se espalharam pelo cinturão canavieiro do Centro-Sul brasileiro, afetando principalmente a região de São Paulo.
De acordo com cálculos da Organização de Associações de Produtores de Cana do Brasil (Orplana) divulgados ao final de setembro, os prejuízos causados pelo fogo ultrapassaram R$ 1,5 bilhão. A entidade também estima que foram atingidos mais de 435 mil hectares de cana em pé e áreas de rebrota no Centro-Sul, sendo 200 mil hectares em São Paulo e 160 mil hectares em Minas Gerais.
Entre as companhias afetadas está a usina São Manoel, localizada em São Manuel (SP). Em evento organizado pela Datagro, o gerente industrial da companhia, Rafael Carnietto Bassetto, revelou que o fogo atingiu em torno de 5 mil hectares, incluindo áreas de cana a colher, já colhidas com palha em brotação e de preservação permanente.
Por conta disso, a unidade precisou receber 150 mil toneladas de matéria-prima queimada. O volume é considerado relevante no contexto da São Manoel, por mais que o impacto tenha sido menor em comparação ao observado em outras sucroenergéticas. “Nós moemos ao redor de 4 milhões de toneladas de cana por ano e temos uma área de colheita de, aproximadamente, 50 mil hectares”, revela Bassetto.
Ele também observa que a deterioração da cana-de-açúcar aumenta com o tempo por conta da ação de bactérias e exposição a outros fatores. Assim, a agilidade no processo decisório, na colheita e no processamento industrial ganham importância.
“Na São Manoel, sempre pensamos em evolução, lucratividade e rentabilidade. Por mais que falemos ‘vamos inovar’, se não tiver lucratividade e rentabilidade, a empresa está morta”, Rafael Carnietto Bassetto (São Manoel)
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