Apesar de aperto na margem operacional, companhia manteve patamar de resultado líquido pelo segundo ano consecutivo
Acompanhando o contexto setorial de aumento nos custos de produção, a usina Santa Lúcia contabilizou uma retração anual de 36,9% em seu lucro líquido na safra 2022/23, saindo de R$ 184,83 milhões para R$ 116,67 milhões. Assim, mesmo com a queda, a sucroenergética localizada em Araras (SP) manteve seu resultado acima de R$ 100 milhões pela segunda temporada seguida.
De acordo com a divulgação de resultados publicada no jornal Gazeta de São Paulo, a Santa Lúcia tem uma capacidade de moagem de mais de 1,5 milhão de toneladas de cana por safra. Desta forma, considerando que houve o processamento de 1,48 milhão de toneladas em 2022/23 – alta anual de 0,9% –, o nível de ocupação foi quase totalmente atingido.
Com o direcionamento de 44,4% desta matéria-prima para a fabricação de açúcar, a companhia produziu 86,14 mil toneladas da commodity (-15,3%) e 62,95 milhões de litros de etanol (+28,4%). Além disso, a partir das vendas do biocombustível, a empresa emitiu 45,18 mil CBios (+38%), os créditos de descarbonização do programa RenovaBio.
Na safra anterior, a Santa Lúcia optou por um mix de produção mais açucareiro, com 51% da cana indo para a fabricação do adoçante.
Saiba mais sobre os resultados da companhia no texto completo (exclusivo para assinantes NovaCana).
- Evolução do lucro líquido
- Resultado operacional
- Relação entre receitas e custos
- Formação da receita
- Balanço financeiro
- Perfil das dívidas
- Resultados da J.O. Bioenergia
Acompanhando o contexto setorial de aumento nos custos de produção, a usina Santa Lúcia contabilizou uma retração anual de 36,9% em seu lucro líquido na safra 2022/23, saindo de R$ 184,83 milhões para R$ 116,67 milhões. Assim, mesmo com a queda, a sucroenergética localizada em Araras (SP) manteve seu resultado acima de R$ 100 milhões pela segunda temporada seguida.
De acordo com a divulgação de resultados publicada no jornal Gazeta de São Paulo, a Santa Lúcia tem uma capacidade de moagem de mais de 1,5 milhão de toneladas de cana por safra. Desta forma, considerando que houve o processamento de 1,48 milhão de toneladas em 2022/23 – alta anual de 0,9% –, o nível de ocupação foi quase totalmente atingido.
Com o direcionamento de 44,4% desta matéria-prima para a fabricação de açúcar, a companhia produziu 86,14 mil toneladas da commodity (-15,3%) e 62,95 milhões de litros de etanol (+28,4%). Além disso, a partir das vendas do biocombustível, a empresa emitiu 45,18 mil CBios (+38%), os créditos de descarbonização do programa RenovaBio.
Na safra anterior, a Santa Lúcia optou por um mix de produção mais açucareiro, com 51% da cana indo para a fabricação do adoçante.

“Toda cana-de-açúcar utilizada no processo das unidades industriais provém de lavouras cultivadas em áreas próprias e por meio de parcerias agrícolas com acionistas e terceiros”, relata a Santa Lúcia. Ainda segundo a empresa, os parceiros agrícolas são remunerados de acordo com os critérios do Conselho dos Produtores de Cana-de-Açúcar, Açúcar e Álcool do Estado de São Paulo (Consecana-SP).
Desempenho operacional
O resultado da Santa Lúcia na temporada representa o oitavo ano consecutivo de lucro da sucroenergética. Considerando a série histórica iniciada em 2023/14, os R$ 116,67 milhões obtidos em 2022/23 correspondem ao segundo maior desempenho da companhia, ficando atrás apenas do recorde obtido na safra anterior.

A queda no resultado líquido acompanha uma retração ainda maior, de 55,4%, vista no lucro bruto da companhia. O desempenho da companhia na fase operacional passou de R$ 227,69 milhões em 2021/22 para R$ 101,6 milhões na temporada mais recente.
Este resultado deriva de um aperto nas margens. Os custos de produção da Santa Lúcia ao longo da safra foram equivalentes a 74,2% da receita líquida, ante os 59,7% contabilizados um ano antes. Este é o resultado mais alto desde os 80,5% vistos em 2018/19.

Conforme os números divulgados pela sucroenergética, os gastos de produção aumentaram 12,6% na comparação anual, para R$ 300,23 milhões. A maior parte deste valor corresponde aos gastos com matéria-prima, que tiveram alta de 3,7%, indo a R$ 188,96 milhões.
Em contrapartida, as receitas caíram 9,4% na mesma comparação, para R$ 404,67 milhões. O faturamento bruto, por sua vez, foi de R$ 442,7 milhões, queda anual de 9,8%.

Segundo a Santa Lúcia, as vendas ao mercado interno concentraram a maior parte do faturamento bruto, com R$ 391,78 milhões, alta anual de 4,2%. Dentro deste montante, a maior parte é vinculada às vendas feitas por meio da Copersucar, sendo R$ 185,79 milhões correspondente ao etanol (+5,4%) e R$ 172,09 milhões ao açúcar (+40,2%).
Além disso, a sucroenergética também fez comercializações sem vínculo com a cooperativa: melaço (R$ 26,05 milhões), energia (R$ 6,46 milhões), óleo fúsel (R$ 243 mil) e bagaço de cana-de-açúcar (R$ 147 mil). Já as revendas de produtos somaram R$ 1 milhão.
Para completar, as exportações – feitas por meio da Copersucar – geraram uma receita bruta de R$ 50,92 milhões, queda de 55,7% na comparação anual. Neste caso, o açúcar correspondeu a R$ 34,3 milhões (-67,4%) e o etanol a R$ 16,62 milhões (+73,3%).

Perfil das dívidas
As quedas nas receitas, entretanto, foram parcialmente minimizadas por uma alta de 164,2% no balanço financeiro da companhia, que teve um saldo positivo de R$ 22,2 milhões em 2022/23.
Esta elevação aconteceu por conta de um aumento de 128,8% nas receitas financeiras, para R$ 23,92 milhões; já as despesas caíram 16%, para R$ 1,72 milhão. A Santa Lúcia não divulgou a formação dos valores, mas eles costumam ser majoritariamente compostos por juros – pagos ou recebidos – pelas companhias.

Desta forma, a melhora no saldo já era esperada, uma vez que a sucroenergética registrou seu oitavo ano consecutivo de queda no endividamento bruto com empréstimos e financiamentos. Em 31 de março de 2023, os débitos somavam R$ 18,23 milhões, diminuição de 9,6% em relação à posição de um ano antes.
Dentro deste montante, R$ 965 mil correspondem ao endividamento com vencimento ao longo da safra 2023/24. Assim, houve uma queda de 64,6% nos débitos comprometidos no curto prazo, que eram de R$ 2,73 milhões ao final da temporada anterior.
Já o endividamento com prazo de vencimento superior a um ano era de R$ 17,26 milhões em 31 de março, retração de 1% na comparação anual.

Indicadores de desempenho
Considerando que houve um aumento de apenas 0,9% na moagem de cana-de-açúcar, as retrações nos resultados da Santa Lúcia acabam sendo levemente minimizadas em uma comparação por tonelada.
O lucro líquido da companhia, por exemplo, caiu 37,4%, de R$ 125,88/t para R$ 78,75/t. Já o resultado bruto teve uma queda de 55,8%, para R$ 68,75/t.
Por sua vez, as receitas da companhia diminuíram 10,3% na comparação anual, indo a R$ 273,13/t. Enquanto isso, os custos corresponderam a R$ 202,64/t, alta de 11,6%.

O endividamento bruto da Santa Lúcia com empréstimos e financiamentos foi equivalente a R$ 12,30/t, queda de 10,4% em relação ao resultado da temporada anterior.
Cogeração de energia
Além de divulgar seus resultados, a Santa Lúcia também publicou os números da J.O. Bioenergia, sua subsidiária que atua com cogeração e comercialização de energia. Segundo o documento, a empresa produziu de 60,97 gigawatts-hora na safra, queda de 6,3% frente aos 65,05 GWh de 2021/22.
Com a menor produção e os menores preços da energia, a empresa também teve uma queda de 55% na receita líquida, para R$ 13,62 milhões. Ao mesmo tempo, os custos subiram 29%, para R$ 9,85 milhões.
Desta forma, a J.O. Bioenergia teve uma queda de 83,4% em seu resultado bruto, para R$ 3,76 milhões, enquanto o desempenho líquido retraiu 72,8%, indo a R$ 5,59 milhões.
Renata Bossle – NovaCana