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Usina Santa Isabel pesa muda ainda na colheita e otimiza logística agrícola


Visão Agro - Publicado: 05 Mar 2026 - 10:18 | Atualizado: 06 Mar 2026 - 07:04

A rotina operacional da usina Santa Isabel passou por uma mudança estratégica que alterou diretamente a dinâmica logística do plantio de cana-de-açúcar. Ao transferir a pesagem da muda para dentro da lavoura, a unidade eliminou deslocamentos até a balança industrial, aumentou a disponibilidade dos equipamentos da frente de plantio e passou a trabalhar com o peso real da cana ainda no momento da colheita.

Em um setor onde cada viagem impacta custo e cada hora parada interfere na produtividade do talhão, a decisão de medir o peso diretamente no campo representou mais do que uma atualização tecnológica: significou ajuste fino na operação agrícola.

Historicamente, o controle de peso das cargas era realizado exclusivamente na balança da unidade industrial, conhecida como “campeão”. O procedimento exigia que os conjuntos rodomudas se deslocassem até a usina para aferição, mesmo quando o viveiro estava localizado próximo à área de plantio.

Segundo o gerente agrícola da Santa Isabel, Wilson Agapito, esse modelo atendia às necessidades de controle, mas trazia limitações logísticas importantes.

O desafio, segundo ele, estava na distância operacional. “A dificuldade era deslocamento até a unidade industrial para pesagem, pois quando se trata de muda para plantio, o viveiro geralmente é o mais próximo possível da área que será plantada”, disse.

Na prática, isso significava que parte do tempo da frente de plantio era consumida por deslocamentos que não agregavam valor direto à operação agrícola. Cada trajeto até a balança representava tempo improdutivo, consumo de combustível e menor disponibilidade dos equipamentos no campo.

Peso real ainda na frente de colheita

A mudança ocorreu com a implantação de um sistema de pesagem embarcada, que passou a permitir a aferição do peso diretamente no transbordo, ainda na lavoura. “O motivo da implantação era termos o peso real da muda direto na colheita e já sair dessa frente direto para o destino da frente de plantio”, explica Agapito.

Com a pesagem realizada no próprio campo, os conjuntos rodomudas deixaram de depender da validação na balança industrial. A logística do ciclo da muda tornou-se mais enxuta e eficiente.

Além da redução de deslocamentos, a usina passou a trabalhar com maior precisão na entrega da quantidade exata de muda por área, fortalecendo o controle do consumo por hectare e reduzindo distorções que poderiam ocorrer quando a pesagem dependia apenas de amostragens ou médias.

Implantação rápida e curva de aprendizado curta

Do ponto de vista operacional, a transição ocorreu de forma ágil. Segundo o gerente agrícola, tanto a instalação quanto a adaptação da equipe foram rápidas.

“A implantação foi muito rápida e a curva de aprendizagem da equipe também. Após a implantação pela Multittech e com o treinamento deles, essa curva não passa de uma semana”, explica. Esse fator foi decisivo para que a mudança não gerasse impactos negativos na rotina da safra ou no cronograma de plantio.

Embora no caso da Santa Isabel o foco tenha sido a cana muda destinada ao plantio, o sistema também pode ser aplicado à cana de moagem, especialmente em operações que enfrentam exigências relacionadas à Lei da Balança.

“Não utilizamos o sistema para pesagem de carga de cana para moagem, mas é uma opção para quem quer controlar o peso das cargas dos caminhões de transporte, principalmente quem tem algum Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) ou Ação Civil Pública com o Ministério Público do Trabalho (MPT) sobre a Lei da Balança”, ressalta Agapito.

Ele complementa: “Se for utilizado para o transporte de cana safra, com certeza, o peso em tempo real será aferido na saída da carga da lavoura. Isso reduzirá o risco de excessos de peso (Lei da Balança) e, consequentemente, a redução de autuações e pagamentos de multas ao MPT.”

Gestão imediata, não mais retrospectiva

Ao trazer o peso para dentro da lavoura, a gestão deixa de ser baseada exclusivamente em dados consolidados após a chegada da carga à indústria e passa a ser imediata, orientada por informação no momento da decisão.

No caso da usina Santa Isabel, o ganho mais visível foi a eliminação de deslocamentos até a balança industrial e o aumento da eficiência logística do plantio. Indiretamente, isso também representa maior disponibilidade dos equipamentos, melhor aproveitamento de tempo operacional e maior controle sobre o consumo de mudas por hectare.