Após resultado recorde no ano passado, companhia encerrou a safra 2017/18 com saldo modesto
Mesmo com indicadores financeiros relativamente estáveis nos últimos cinco anos-safra, a Usina Santa Fé teve uma queda de 95% no lucro líquido no período 2017/18, encerrado no dia 31 de março deste ano, em relação ao período anterior.
Em um primeiro olhar, o tombo da usina – depois da trajetória de recuperação na última temporada –surpreende. Porém, na comparação entre as safras 2016/17 e 2017/18, há cifras que podem explicar o novo resultado. Algumas das circunstâncias que pesam são a desvalorização do ativo biológico (cana em pé) e os aumentos das despesas operacionais e do imposto de renda pago entre os dois anos.
Para completar, a empresa utilizou contabilidade de hedge (estratégia de proteção para investimentos de risco) em seu balanço financeiro, com o objetivo de reduzir a volatilidade dos resultados de operações em moeda estrangeira. A ideia é corrigir eventuais diferenças que podem surgir entre o registro da operação e o valor final e, com isso, o resultado abrangente da Usina Santa Fé foi negativo em 2017/18.
Ou seja, o lucro elevado na temporada passada foi uma exceção à regra.
A seguir você confere os principais números do balanço 2017/18 da Usina Santa Fé, além de dados acumulados das últimas cinco safras.
- Resultado líquido x resultado abrangente
- Motivações da queda no resultado
- Números da fase operacional
- Perfil da dívida da companhia
Mesmo com indicadores financeiros relativamente estáveis nos últimos cinco anos-safra, a Usina Santa Fé teve uma queda de 95% no lucro líquido no período 2017/18, encerrado no dia 31 de março deste ano, em relação ao período anterior. A usina, localizada em Nova Europa (SP), teve um resultado final positivo em R$ 1,07 milhão, ante os R$ 22,57 milhões em 2016/17.
Em um primeiro olhar, o tombo da usina – depois da trajetória de recuperação na última temporada –surpreende. Porém, na comparação entre as safras 2016/17 e 2017/18, há cifras que podem explicar o novo resultado. Algumas das circunstâncias que pesam são a desvalorização do ativo biológico (cana em pé) e os aumentos das despesas operacionais e do imposto de renda pago entre os dois anos.

O perfil financeiro de 2016/17 e 2017/18 teve grandes diferenças na dinâmica de entrada e saída de capital. Um exemplo é o resultado parcial da usina antes de serem descontadas as despesas financeiras líquidas e a variação cambial. O valor caiu de R$ 102 milhões em 2016/17 para R$ 75,4 milhões em 2017/18: uma retração de 71%.
Quando são descontadas as despesas financeiras e a variação cambial, a diferença se torna ainda mais expressiva, de R$ 36 milhões na safra passada para R$ 5,5 milhões na encerrada em março desse ano – o que significa um recuo de, aproximadamente, 85%. Com base somente nesses números, já é possível entender que, apesar de modesto, o saldo financeiro da usina é positivo não só por estar no azul, mas porque indica a reversão do histórico de prejuízos acumulados, principalmente, entre 2012 e 2015.
O lucro elevado na temporada passada foi uma exceção à regra. A companhia teve quatro prejuízos consecutivos, seguidos de um lucro substancial na safra 2016/17, completando o cenário com um resultado menos vultuoso em 2017/18, mesmo que positivo.
Lucro ou prejuízo?
Para completar, a empresa utilizou contabilidade de hedge (estratégia de proteção para investimentos de risco) em seu balanço financeiro, com o objetivo de reduzir a volatilidade dos resultados de operações em moeda estrangeira. A ideia é corrigir eventuais diferenças que podem surgir entre o registro da operação e o valor final.
Com isso, o resultado abrangente da Usina Santa Fé foi negativo em 2017/18. Nesse caso, é considerada uma variação cambial não realizada que representa perdas de R$ 3,93 milhões, resultando em um prejuízo de R$ 2,86 milhões.
Em 2016/17, esse mesmo item trouxe R$ 52,55 milhões adicionais, elevando o resultado abrangente da companhia para R$ 75,93 milhões.
Operacional em queda
Outro argumento que reforça esse raciocínio é que, apesar da discrepância no lucro líquido entre as duas últimas safras, a diferença no lucro bruto não é tão significativa: de R$ 133,83 milhões em 2016/17 para R$ 121,71 milhões no período encerrado em 31 de março deste ano – queda de 9%.

Assim, por mais que a queda esteja relacionada a uma situação excepcionalmente favorável no ano anterior e ao aumento dos gastos este ano, também houve uma perda na capacidade de geração de capital da Usina Santa Fé.
A relação entre a receita operacional líquida e os custos com vendas, por exemplo, aumentou de 77,4% em 2016/17 para 78,2% em 2017/18, indicando que um aumento dos custos já na fase operacional.

Dívidas sob controle
O perfil das dívidas com vencimento em 12 meses da Usina Santa Fé, ao final da safra 2016/17, era de R$ 236,57 milhões. Já as dívidas com vencimento a longo prazo representavam R$ 295,10 milhões.

Neste ano, a posição das dívidas da companhia com empréstimos e financiamentos caiu no curto prazo, com o valor registrado de R$ 163,39 milhões em 31 de março. Em contrapartida, as dívidas de longo prazo passaram a somar R$ 384,06 milhões, totalizando débitos de R$ 547,45 milhões – um aumento de 2,98% em relação aos R$ 531,66 do período anterior.
Nicholle Murmel – NovaCana