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Usina Santa Adélia inicia projeto de irrigação por gotejamento no polo Igaraí


RPA News - Publicado: 27 Jun 2023 - 08:51
Usina Santa Adélia inicia projeto de irrigação por gotejamento no polo Igaraí

Pivô para irrigação dos canaviais em área da usina do grupo Santa Adélia

No último dia 15 de junho, a usina Santa Adélia realizou um evento de lançamento com a apresentação dos times que integrarão a gestão do projeto de irrigação por gotejamento em sua unidade de Pereira Barreto (SP), na região de Araçatuba.

Na ocasião, o grupo multidisciplinar formado por colaboradores e gestores das áreas agrícola, indústria, excelência e segurança, saúde e meio ambiente (SSMA) da usina falou sobre o cronograma de implantação, diretrizes de SSMA na execução das obras, engenharia detalhada dos projetos hidráulicos, elétricos e civis. Além disso, foram apresentadas as empresas parceiras no projeto: Inteliagri, Central Irrigação e Netafim.

Com investimento de R$ 40 milhões, a iniciativa tem como objetivo aumentar a produtividade dos canaviais da unidade, mitigando os efeitos do período em que há falta de chuvas na região, e trazendo maior previsibilidade sobre a quantidade de cana ao longo das safras. No total, o projeto vai abranger 4 mil hectares de cana-de-açúcar e os primeiros mil hectares com a nova tecnologia entrarão em operação já em 2024.

Unidade já tinha estrutura de irrigação

A Sana Adélia já tinha um projeto grande, que abrange 15 mil hectares de irrigação, na unidade de Pereira Barreto. A usina está posicionada entre três grandes rios – Tietê, Paraná e São José dos Dourados –, que dão uma condição de captação de água considerada “muito interessante” pela companhia.

“Em função dos invernos e outonos bastantes restritos em relação a condição hídrica, a usina já tem um pré-projeto de 15 mil hectares que são divididos em polos, cada qual com seu polo de captação e sua outorga; inclusive, com a maioria das outorgas já emitidas”, disse o diretor agrícola da Santa Adélia, Cássio Paggiano, em entrevista concedida em maio à RPAnews.

O projeto de irrigação por gotejamento deve expandir em hectares, mas, de acordo com Paggiaro, dependerá de uma série de fatores, como os resultados que serão obtidos nos mil hectares implementados inicialmente e a curva de aprendizado da operação por gotejo.

A unidade de Pereira Barreto já tem uma estrutura montada para irrigação de salvamento, que começou a operar em 2022, onde que é possível fazer até 10 mil hectares por ano de irrigação em cana soca.

A irrigação é um tema bastante estratégico para que a companhia consiga mitigar um pouco os efeitos da falta de chuva e ter maior previsibilidade sobre a quantidade de cana ao longo das safras.

“Temos um pivô, temos irrigação de salvamento e agora iniciamos um trabalho forte de irrigação deficitária por gotejamento. É um projeto para 4 mil hectares, mas estamos iniciando com mil hectares”, explicou Paggiaro à RPAnews.

“A irrigação por salvamento foi iniciada pela companhia em 2022 e a estrutura montada cobre até 10 mil hectares por safra. Falo isso porque é uma estrutura que tem condições de fazer isso, mas que depende muito das condições de chuva e se vamos fazer mais ou menos áreas. Se tivermos retenção de água suficiente no solo, por exemplo, não fazemos a irrigação. Já a estrutura de pivô hoje atende 220 hectares”, completa.

De acordo com ele, a Santa Adélia tem duas unidades localizadas em regiões bastante distintas quando o assunto é qualidade de solos e chuvas. Apesar das precipitações anuais de ambas as regiões serem bastantes parecidas – em torno de 1.200 a 1.300 milímetros – a distribuição das chuvas é bastante diferente na região de Pereira Barreto, que também sofre com um inverno mais rígido e com temperaturas mais altas, o que causa uma evapotranspiração maior nas plantas e uma necessidade maior de água.

“Já que temos alta temperatura em um momento em que não temos água, vamos aproveitar essa temperatura para a cana continuar crescendo com uso da água por irrigação”, disse Paggiaro.

Moagem de cana próxima à capacidade

A companhia, que hoje tem uma capacidade de moagem de 5,8 milhões de toneladas, chegou a processar 5,17 milhões toneladas em suas duas unidades na safra 2022/23. Agora, a expectativa para a safra 2023/24 é chegar à moagem de 5,67 milhões de toneladas.

“O aumento já na safra 2022/23 se deu em função do clima melhor, desde a primavera do ano passado, com melhores condições pluviométricas e investimentos em alguns manejos que vem sendo alterados em busca da maior qualidade dos canaviais”, relata o diretor agrícola à RPAnews.

Ele reforça que, neste ano, a estimativa é ficar ainda mais próximo da capacidade de instalada. “Em Pereira Barreto, vamos rodar até um pouco acima capacidade máxima, que é de 3,2 milhões de toneladas de cana. Já em Jaboticabal, existe ainda um certo gargalo, mas estamos chegando perto com o aumento da produtividade dos canaviais”, completa.

Natália Cherubin