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A resiliência da usina paranaense Usaçúcar


Revista Amanhã - Publicado: 27 Set 2013 - 12:14 | Atualizado: 27 Set 2013 - 16:29
O cenário não tem sido dos mais acolhedores para a Usaçúcar, como é conhecida a Usina de Açúcar Santa Terezinha. Além da volatilidade dos preços do açúcar no mercado internacional, a companhia enfrenta, como as demais indústrias do setor, os efeitos colaterais da política de subsídios e preços controlados da Petrobras à gasolina - o que tira competitividade do álcool combustível. Mesmo assim, a companhia de Maringá, no Paraná, continua incólume no posto de maior e mais rentável do setor de Açúcar e Álcool do sul do país, conforme o ranking 500 MAIORES DO SUL. Uma posição mantida não só pela ausência de concorrentes à altura na região, mas também por uma filosofia de gestão focada na eficiência, no controle dos riscos financeiros e na agregação de valor. Em 2012, por exemplo, os volumes de produção de açúcar, etanol e energia da Usaçúcar encolheram. Mesmo assim, a empresa conseguiu vender o que tinha a preços mais altos. O resultado foi um aumento de 7% no faturamento, que totalizou R$ 2 bilhões, e uma rentabilidade equivalente a 7,9% da receita líquida.

Para alcançar esses números, a empresa teve de superar um obstáculo a mais em 2012: a forte estiagem que afetou as zonas produtivas - e que reduziu em aproximadamente 13% a moagem da última temporada. Miguel Rubens Tranin, presidente da Associação dos Produtores de Bionenergia do Estado do Paraná (Alcopar), diz que o setor ainda sofre com a queda de produção desencadeada pelos reflexos da crise econômica internacional de 2008. Até aquele ano, nossa produção vinha crescendo praticamente 10% ao ano. Mas a crise provocou um grande impacto, que causou a queda de investimentos. Concomitantemente, tivemos adversidades climáticas, e todos esses fatores ocasionaram uma menor produtividade já em 2009", aponta ele.

O presidente da Alcopar salienta que, no Brasil, o álcool tem um custo de produção de R$ 1,30 por litro. Mas é vendido, em média, a R$ 1,08 por litro - prejuízo de 20 centavos. Por ano, o Brasil produz até 23 bilhões de litros de etanol. Tranin estima que, das 430 empresas do setor, cerca de 40 estejam paradas e mais de 100 estejam em dificuldades financeiras. "Há dois anos se superava a questão do etanol, compensando no preço do açúcar. Hoje, isso não é mais possível" reclama.

Doces finanças
A indústria de álcool e açúcar e suas entidades representativas vem pleiteando medidas de incentivo através do governo federal. O objetivo é viabilizar a recuperação da capacidade de investimento nos canaviais. Além dos entraves políticos, no entanto, o setor esbarra nos subsídios que tornam a gasolina tão popular no Brasil. "As pessoas defendem a sustentabilidade, mas não percebem que um carro movido a etanol emite até 80% menos poluentes que um veículo a gasolina. Usar etanol é mais fácil e prático do que plantar uma árvore" entende Tranin.

Para enfrentar as dificuldades, a Usaçúcar recorre ao mercado futuro de commodities agrícolas. A possibilidade de negociar contratos de entrega antecipadamente permite à companhia gerenciar melhor o preço médio de venda dos produtos acabados. Além disso, a empresa investe na renovação e plantio de canaviais e em parcerias com programas de desenvolvimento de novas variedades de cana-de-açúcar. "Nos últimos tempos, e isso tem se repetido desde janeiro de 2011, os preços do açúcar em dólar têm caído, um movimento perene de queda no mercado internacional. Mas, mesmo depois dessa queda, nós ainda operamos com preços maiores que os de 2008", explica André Trein, analista da Fundamenta Investimentos.

Douglas Ceconello