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Mirando usina brasileira, Novozymes apresenta levedura transgênica para etanol celulósico

Novozymes bandeira 180815 A companhia de biotecnologia, que tem origem dinamarquesa, está perto de incluir no portfólio sua primeira levedura geneticamente modificada autorizada em solo tupiniquim para a produção de etanol

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A Novozymes, principal fornecedora mundial de enzimas para usinas de etanol celulósico, vai ampliar sua influência junto às pioneiras da segunda geração no Brasil. A companhia de biotecnologia, que tem origem dinamarquesa, está perto de incluir no portfólio sua primeira levedura geneticamente modificada autorizada em solo tupiniquim para a produção de etanol.

Fornecedora de enzimas para clientes que estão na vanguarda da indústria 2G, como Poet, Beta Renewables, GranBio e Raízen, a companhia pode agora disputar o espaço em mais uma etapa do etanol celulósico, a fermentação.

No país, a transgenia com leveduras para a produção do renovável foi desbravada pela GranBio, que já liberou a comercialização de duas variedades, a primeira produzida pela holandesa DSM e internalizada pela brasileira, e a segunda desenvolvida pela própria GranBio para uso específico com a biomassa de cana.

A levedura feita pela Novozymes foi desenvolvida sob encomenda de um cliente brasileiro. Veja os detalhes a seguir.

A Novozymes, principal fornecedora de enzimas para usinas de etanol celulósico, vai ampliar sua influência junto às pioneiras da segunda geração no Brasil. A companhia de biotecnologia, que tem origem dinamarquesa, está perto de incluir no portfólio sua primeira levedura geneticamente modificada autorizada em solo tupiniquim para a produção de etanol.

A Novozymes Latin America, divisão que atende ao Brasil, solicitou à Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CNTBio) autorização para liberar a comercialização de sua primeira levedura transgênica, a estirpe S1260 da Saccharomyces cerevisiae.

O pedido foi protocolado no órgão do Ministério da Ciência e Tecnologia em abril deste ano e, se for aprovado, será o terceiro micro-organismo modificado utilizado no Brasil para a produção de etanol de segunda geração.

O microrganismo foi desenvolvido ‘on-demand’, ou seja, trata-se de uma encomenda, por isso já tem um cliente específico – e não revelado –, portanto, não deve ser disponibilizado ao mercado geral de segunda geração.

No documento protocolado pela empresa em abril deste ano, ao qual o NovaCana teve acesso, a companhia apresenta informações técnicas sobre a levedura, explica sua utilização e garante a segurança do organismo geneticamente modificado (OGM).

A empresa pede sigilo sobre as informações relativas ao desenvolvimento da levedura. De acordo com um adendo que consta no material encaminhado à CTNBio, as páginas 26 a 38 contém informações confidenciais.

“Enquanto etapas individuais da construção do rDNA [DNA recombinante] e/ou detalhes sobre as atividades enzimáticas selecionadas podem ser conhecidos ou estão disponíveis publicamente, a combinação do rDNA construção, perfil enzimático e atividade constitui a informação que está sendo reivindicada pela Novozymes”, justifica a empresa em sua solicitação de confidencialidade.

A proposta de liberação comercial esteve disponível para consulta pública por 30 dias, desde a sua publicação do extrato prévio no Diário Oficial, e o prazo se encerrou no último dia 8.

Segundo o documento, a S1260 será fabricada na unidade da Novozymes em Franklinton, na Carolina do Norte (EUA), ou por fabricantes contratados.

Novozymes quer sinergia entre enzimas e leveduras

Em comunicado enviado ao NovaCana por email, assinado por Daniel Cardinali, gerente de desenvolvimento de negócios para etanol celulósico na América Latina, a Novozynes confirmou que a companhia trabalhou no desenvolvimento de uma levedura geneticamente modificada para produção de etanol celulósico, para qual aguarda licença de comercialização.

“Agora estamos desenvolvendo diferentes cepas para aumentar a produtividade em etanol e viabilizar maior rendimento em diferentes condições de fermentação”, comentou. “Além disso, nossos departamentos de pesquisa e desenvolvimento e de serviços técnicos estão trabalhando muito para assegurar o máximo de sinergia entre nossas enzimas e leveduras. A busca por essa sinergia reflete nosso compromisso em agregar cada vez mais valor ao negócio e fazer o melhor pelo sucesso de nossos parceiros”, diz Cardinali.

Levedura S1260

A Saccharomyces cerevisiae é empregada na transformação de açúcares em álcool etílico. No conteúdo público do documento, a companhia traz apenas informações sobre a segurança da cepa geneticamente modificada, a S1260, que sustentam seu baixo risco para a saúde humana, animal e meio ambiente. Não há dados sobre a origem do gene introduzido.

A S1260 destina-se à fabricação de etanol de primeira e segunda geração em escala comercial, com habilidade para fermentar eficientemente os açúcares de glucose e pentoses, estes últimos resistentes às leveduras convencionais empregadas na primeira geração. É essa capacidade de fermentação em nível comercial da xilose, pentose presentes na biomassa, o diferencial dessa OGM.

Clientes brasileiros

No país, a Novozymes é fornecedora de enzimas destinadas ao pré-tratamento da biomassa, para os projetos 2G da GranBio e da Raízen.

Em maio, na capital dinamarquesa, Novozymes e Raízen apresentaram conjuntamente as perspectivas para a conversão da biomassa em etanol. Na ocasião, a sucroenergética brasileira apresentou como desafio à segunda geração o processo de fermentação.

As questões a serem resolvidas consistiam no desenvolvimento de uma levedura transgênica capaz de fermentar a xilose; escolha do melhor design de fermentação; desenvolvimento de equipamentos e processos para propagação on-site e operação de acordo com a regulação da CTNBio.

Leveduras pioneiras

A GranBio obteve, em maio deste ano, a autorização da CNTBio para a liberação comercial da primeira levedura transgênica produzida no país para a fabricação de etanol 2G. O micro-organismo, batizado de Celere-2L, foi desenvolvido pela própria companhia após quatro anos de pesquisa.

A Celere-2L foi a segunda levedura habilitada pela CTNBio para uso comercial na produção de 2G. A primeira foi desenvolvida pela holandesa DSM e licenciada nacionalmente também para uso da GranBio.

Em maio, a DSM obteve o Certificado de Qualidade em Biosegurança (CQB) para atuar com micro-organismos geneticamente modificados no Techno Park, em Campinas (SP). A preocupação da holandesa em montar um laboratório no Brasil reforça a importância do mercado local para as gigantes de biotecnologia.

Filipe Albuquerque — NovaCana

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