Milho

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Usina flex: Cargill e USJ querem produzir mais etanol de milho que de cana

Com financiamento Governo Federal mostra que está aumentando sua aposta nas usinas flex


NovaCana - Publicado: 09 Mar 2015 - 12:37 | Atualizado: 09 Mar 2015 - 15:47

Uma aposta ainda incomum no setor sucroalcooleiro, a produção de etanol a partir de usinas flex - que utilizam o milho e a cana-de-açúcar para a fabricação do biocombustível - começa a ganhar contornos cada vez mais claros. A criação destas usinas está sendo estimulada pelo governo, que vê na iniciativa “uma promissora alternativa para garantir a rentabilidade da produção de etanol” no Centro-Oeste do país.

A SJC Bioenergia, joint venture entre a americana Cargill e o tradicional grupo sucroalcooleiro Usina São João (USJ), espera colocar em operação em janeiro de 2016 sua usina flex em Quirinópolis (GO).

A empresa vê na utilização plena da capacidade industrial uma oportunidade de negócio rentável e de “menor risco”. O milho pode elevar em 20% e até 30% o resultado operacional da usina.

A produção de etanol de milho é tão estratégica para a companhia que, em três anos, a unidade produzirá mais etanol a partir do grão do que da própria cana, disse em entrevista ao jornal Valor Econômico o presidente do conselho de administração da SJC Bioenergia, Marcelo de Andrade.

Nos primeiros doze meses de operação, a produção de etanol de milho deverá representar metade do que a unidade fabrica a partir da cana - 160 milhões de litros. A meta, no entanto, é elevar o volume de produção do etanol de milho para 200 milhões de litros nos três anos seguintes.

“É um volume equivalente a uma usina tradicional de cana com moagem de 2,5 milhões de toneladas”, comparou Andrade.

Dos R$ 160 milhões que serão investidos no projeto, 70% serão financiados pela Finep. O restante dos recursos, que somam R$ 48 milhões, virá do capital das empresas sócias, Cargill e USJ, que farão um aporte de R$ 24 milhões, cada.

No ano passado, o BNDES deixou claro, por meio de estudo publicado em parceria com 14 pesquisadores e economistas de instituições como a USP, Esalq, Pecege, Embrapa e CTBE, que a integração entre a cana e milho é favorável e pode garantir “o abastecimento do país em períodos críticos, como na entressafra da cana-de-açúcar”.

O dinheiro da Finep é mais uma ação concreta do governo para incentivar à produção de etanol a partir do milho e sinaliza para um novo paradigma na produção do renovável. “Isso vai trazer um encaminhamento novo ao setor, criando um modelo de negócio para as usinas de cana do Centro-Oeste”, disse ao Valor o superintendente de apoio a projetos inovadores da agência, Alexandre Velloso.

Além de rodar a fábrica na entressafra canavieira, de dezembro a março, período em que o setor sucroalcooleiro está inoperante no Centro-Sul, a unidade flex da SJC também utilizará milho em períodos de chuva, quando não for possível moer cana.

No período em que estiver processando o milho, a usina poderá continuar gerando energia com o bagaço estocado. Conforme Andrade, a geração adicional de eletricidade será de 40 mil MWh, o que elevará o volume total de produção da SJC Bionergia já na safra 2015/16 para 2015/16, segundo apurou o Valor.

Leonardo Siqueira - novaCana.com
Com informações do Valor Econômico