Empresa reporta resultado líquido de R$ 108,36 milhões em 2019/20, 191,13% a mais que um ano antes
Os resultados no azul têm sido uma constante para o grupo Cerradinho Bioenergia. Na safra 2019/20, ele foi ainda mais positivo, motivado especialmente pelo início da operação da planta voltada para etanol de milho, também localizada em Chapadão do Céu (GO), em novembro de 2019.
Com capacidade de moagem de 571 mil toneladas do grão, a unidade pode produzir até 243 milhões de litros de etanol, 172 mil toneladas de DDG (grão de milho seco por destilação) e 7 mil toneladas de óleo. O investimento para construção da planta foi de R$ 280 milhões.
Com as duas unidades em operação, o grupo saiu de um resultado positivo de R$ 37,22 milhões em 2018/19 para R$ 108,36 milhões em 2019/20. No comparativo entre as duas temporadas, isto significa um aumento de 191,13%.
Mas a razão do crescimento não foi apenas a entrada da nova usina, que operou por cinco meses em 2019/20. Conforme reportagem publicada no Valor Econômico, a empresa também realizou investimentos na capacidade de moagem de cana e, no ciclo passado, fez ajustes operacionais para reduzir ou eliminar gargalos.
Ainda de acordo com o Valor, assim que a pandemia de coronavírus começou, a empresa – que não produz açúcar – teve que realizar alguns ajustes. A Cerradinho vendeu 45 mil toneladas de milho dos seus estoques entre março e abril e também realizou a renegociação de contratos; um deles, no valor de R$ 150 milhões. Além disso, a companhia fez um aporte de R$ 50 milhões.
Em 2019/20, a empresa reportou uma receita de R$ 1,17 bilhão, 44,33% a mais que os R$ 817 milhões de um ano antes. Já os custos com os produtos vendidos tiveram uma ampliação de 39,6%, passando de R$ 624,78 milhões para R$ 872,19 milhões no comparativo entre os dois anos-safra.
Confira, na versão completa (restrita para assinantes), gráficos e mais informações sobre:
- Evolução do lucro líquido
- Desempenho operacional
- Despesas e receitas financeiras
- Evolução da produção
- Perfil da dívida
- Posição das debêntures
- Alavancagem financeira
Os resultados no azul têm sido uma constante para o grupo Cerradinho Bioenergia. Na safra 2019/20, ele foi ainda mais positivo, motivado especialmente pelo início da operação da planta voltada para etanol de milho, também localizada em Chapadão do Céu (GO), em novembro de 2019.
Com capacidade de moagem de 571 mil toneladas do grão, a unidade pode produzir até 243 milhões de litros de etanol, 172 mil toneladas de DDG (grão de milho seco por destilação) e 7 mil toneladas de óleo. O investimento para construção da planta foi de R$ 280 milhões.
Com as duas unidades em operação, o grupo saiu de um resultado positivo de R$ 37,22 milhões em 2018/19 para R$ 108,36 milhões em 2019/20. No comparativo entre as duas temporadas, isto significa um aumento de 191,13%.

Mas a razão do crescimento não foi apenas a entrada da nova usina, que operou por cinco meses em 2019/20. Conforme reportagem publicada no Valor Econômico, a empresa também realizou investimentos na capacidade de moagem de cana e, no ciclo passado, fez ajustes operacionais para reduzir ou eliminar gargalos.
Ainda de acordo com o Valor, assim que a pandemia de coronavírus começou, a empresa – que não produz açúcar – teve que realizar alguns ajustes. A Cerradinho vendeu 45 mil toneladas de milho dos seus estoques entre março e abril e também realizou a renegociação de contratos; um deles, no valor de R$ 150 milhões. Além disso, a companhia fez um aporte de R$ 50 milhões.
Resultados operacionais
Em 2019/20, a empresa reportou uma receita líquida de R$ 1,17 bilhão, 44,33% a mais que os R$ 817 milhões de um ano antes.

Analisando os valores brutos, R$ 1,15 bilhão foi proveniente do etanol, com R$ 1 bilhão sendo referente ao volume produzido a partir da cana e R$ 147,17 milhões, ao biocombustível feito a partir do milho. O crescimento, ante 2018/19, chegou a 48,57%.
Já com a comercialização de energia, a receita foi de R$ 126,49 milhões, o que representa uma redução de 18,52% no comparativo ano a ano. Além disso, houve um rendimento de R$ 25,94 milhões advindo do DDG, subproduto do milho.
Por fim, uma quantia de R$ 71,75 milhões foi atribuída a outras receitas, um aumento anual de 266,07%.

Em 2019/20, os custos da Cerradinho com os produtos vendidos tiveram uma ampliação de 39,6%, passando de R$ 624,78 milhões para R$ 872,19 milhões no comparativo entre os dois anos-safra. Considerando a variação negativa do ativo biológico, de R$ 29,87 milhões, o lucro bruto da sucroenergética foi de R$ 277,12 bilhões na temporada.
Em 2018/19, a desvalorização do ativo biológico foi menos significativa, de R$ 6,54 milhões. Porém, com receitas menores, o lucro bruto também foi mais baixo: R$ 185,68 milhões.

Dentre as despesas e receitas financeiras do grupo, o saldo foi negativo em R$ 107,76 milhões, com gastos de R$ 170,99 milhões e ganhos de R$ 63,23 milhões. A consequência foi uma piora ante 2018/19, quando o resultado financeiro ficou negativo em R$ 71,57 milhões. Na ocasião, as despesas foram de R$ 111,24 milhões e as receitas, de R$ 39,67 milhões.

Produção da Cerradinho
Na safra 2019/20, o grupo Cerradinho esmagou 5,2 milhões de toneladas de cana, 10,63% a mais que um ano antes. Além disso, outras 170 mil toneladas de milho foram moídas pela empresa. Com estas matérias-primas foram produzidos 430 milhões de litros de etanol de cana e outros 70,6 milhões, de milho.
Já a produção de energia caiu 3,27% entre as duas últimas temporadas, passando de 473,82 MWh para 458,79 MWh.
Conforme a demonstração financeira do grupo, a estimativa é que a moagem em 2020/21 chegue a 5,27 milhões de toneladas de cana-de-açúcar e 462 mil toneladas de milho. Isto deve gerar uma produção de 644 milhões de litros de etanol, 132 mil toneladas de DDG e 5 mil toneladas de óleo, além da geração de 400,11 MWh de energia.

Segundo a empresa, a área estimada de colheita entre os dois últimos ciclos teve um pequeno aumento, de 45,45 mil hectares para 45,87 mil. Já a produtividade prevista foi ampliada de 98,42 toneladas de cana por hectare para 102,44 t/ha. Por outro lado, o ATR por tonelada de cana teve uma retração, indo de 130,81 quilogramas por tonelada para 128,71 kg/t.
Débitos da companhia
A dívida da Cerradinho Bioenergia com empréstimos e financiamentos com vencimentos em até 12 meses passou de R$ 198,74 milhões em 31 de março de 2019 para R$ 315,73 milhões em 31 de março de 2020, o que representa um aumento de 58,85%.
Já os débitos com vencimento a longo prazo totalizavam R$ 367,90 milhões no encerramento na última temporada, uma retração de 20,87% na comparação anual.
Considerando empréstimos e financiamento de curto e longo prazos, as dívidas da Cerradinho Bioenergia eram de R$ 683,63 milhões. O valor é 3,01% maior que o observado em 31 de março de 2019.

Por sua vez, a posição das debêntures – título de dívida que gera direito de crédito para quem investe e outra forma de captar recursos de terceiros – estava em R$ 692,83 milhões ao final da safra 2019/20. Desse montante, R$ 88,74 milhões têm vencimento em curto prazo e R$ 604,09 milhões, em longo prazo.
No total, o aumento anual do compromisso da Cerradinho com debêntures foi de 124,71%. Especificamente, a posição com vencimentos em até 12 meses teve um crescimento de 326,46%, enquanto os títulos com prazo superior a 12 meses aumentaram 110,11%.

Atualmente, há quatro debêntures emitidas pelo grupo: a primeira, no valor de R$ 210 mil, foi emitida em junho de 2018; a segunda, de R$ 100 mil, em setembro de 2018; a terceira, no valor de R$ 214,68 mil, em maio de 2019; e mais recente, no valor de R$ 200 mil, em março de 2020.
Neste cenário, o total de empréstimos da Cerradinho Bioenergia, incluindo debêntures e operações de mercado futuro, totalizaram R$ 1,35 bilhão. Com isto, o índice de alavancagem da empresa ficou em 49%.

Gabrielle Rumor Koster – NovaCana