Apesar das chuvas dos últimos dias, a safra canavieira em Pernambuco foi marcada por um longo período de seca desde setembro do ano passado, modificando a distribuição pluviométrica positiva vista até aquele momento. O cenário reduziu a previsão de recordes produtivos, mas ainda foi capaz de permitir que as usinas superassem a moagem da temporada anterior.
A usina da Cooperativa dos Fornecedores de Cana de Pernambuco (Coaf) em Timbaúba (PE) anunciou a moagem de 880 mil toneladas até 22 de janeiro, data de encerramento das atividades da safra 2024/25. O montante supera em 10% a temporada anterior, porém não alcançou as 950 mil toneladas previstas.
Com esta matéria-prima, a unidade produziu 1,2 milhão de sacos de açúcar de 50 quilos, 16,1 milhões de litros de etanol e 26 milhões de litros de aguardente. A companhia iniciou a safra em agosto de 2024 e empregou 4,5 mil profissionais na usina e no campo.
Além da safra maior em relação à anterior, a Coaf destacou a eficiência vista na temporada, pois produziu mais em um tempo menor. O resultado foi comemorado pelos cooperados, que também celebraram a chegada das precipitações no fim da safra, o que evitou que houvesse perda de rendimento da unidade, uma vez que chuva reduz o teor de açúcar da cana.
Por outro lado, os cooperados acumularam prejuízos com a morte da socaria da cana por conta da seca que perdurou por vários meses. De acordo com a Coaf, houve uma perda severa, pois será preciso replantar, elevando o custo de produção.
“A fim de evitar a repetição deste mal em toda zona canavieira do estado, a Associação dos Fornecedores de Cana de Pernambuco pede ao governo estadual a adoção de pequenas e micro barragens na Zona da Mata, de modo que evite o desperdício da água da chuva no período chuvoso, que escorre pelos rios até o mar”, solicita a entidade, em nota.
De acordo com a AFCP, o recurso hídrico “faz muita falta” nos meses do ano com baixa pluviosidade.