Financeiro

Financeiro

Usina Campestre (SP) é avaliada em R$ 315 milhões


 - Publicado: 26 Set 2013 - 16:28
A UPI (Unidade de Produção Independente) da Companhia Açucareira de Penápolis, a Usina Campestre, não deve ser negociada por menos de R$ 315 milhões, aponta estudo técnico feito pela empresa MPS Agrobusiness Assessoria de Ribeirão Preto.

A avaliação do parque industrial da companhia foi apresentada esta semana em assembleia com credores, em Penápolis. A publicação do edital contendo as regras do pregão judicial da unidade de produção deve ocorrer amanhã, em dois jornais - um local e outro de circulação nacional.

O gestor judicial da usina, José Carlos Fernandes de Alcântara, explicou que o valor apurado partiu de algumas premissas. A mais importante delas, tomou como base a garantia do fornecimento de 1,4 milhão de toneladas de cana para o ano que vem, 1,8 milhão em 2015, volume que deve chegar a 2,1 milhões em 2016 e, a partir de 2017, a 2,5 mi/t.

Alcântara informou que a avaliação dos técnicos da MPS também levou em consideração para produzir o laudo a localização da Campestre - próxima de rodovias -, topografia do terreno, existência de mão de obra qualificada e fornecedores, bem como a unidade voltada mais para a produção de açúcar do que etanol e a lagoa de resfriamento.

Como pontos negativos foram destacados a forte concorrência pela matéria-prima na região, falta de cana-de-açúcar própria, recursos e necessidade de terceirização de serviços.

Envelopes

O gestor judicial da Campestre adiantou que os envelopes contendo as propostas dos grupos interessados na aquisição da UPI serão recebidos até as 16h do dia 28 de outubro, no Fórum Estadual de Penápolis. A abertura dos envelopes está marcada para 5 de outubro, em nova assembleia.

Caso a maior proposta não atinja o valor mínimo da avaliação do parque industrial, a assembleia definirá sobre novas forma de alienação ou a falência da Campestre. "O objetivo é que o processo de transição seja concluído a tempo de a usina retornar suas atividades logo no início da safra 2014-2015", pontuou Alcântara.

Questionado sobre os trabalhadores que integravam o quadro funcional da Campestre, o gestor judicial explicou que parte deles se desligou da empresa e outra parte foi dispensada. Ele disse que foram mantidos apenas alguns funcionários, mas não quis revelar quantos, em setores diversos, contribuirão durante o processo de transição.

Proposta

No início de agosto, o Grupo Clealco, com sede em Clementina, ofertou R$ 97,6 milhões nos ativos referentes ao parque industrial e licenças ambientais da Campestre. A proposta com o valor que corresponde a menos de um terço do avaliado chegou a ser apresentada formalmente e anexada ao processo de recuperação da companhia, mas foi inviabilizada pelos credores.

Proibição da queima contribuiu para a paralisação da usina

A Campestre passa por recuperação judicial desde 2009. A moagem foi paralisada em 21 de junho devido às dificuldades para realizar a colheita da cana sem queima - proibida na região por liminar - além da recusa de alguns fornecedores em entregar a matéria-prima, já que estavam com pagamentos atrasados.

Até 21 de junho, a usina moeu quase 500 mil toneladas do total de 1,85 milhão de toneladas projetado. Mas sua capacidade ultrapassa a 2,2 milhões de toneladas por safra.

No dia 27 de junho, a empresa Eco Multi Commodities Fundo de Investimento em Direitos Financeiros Agropecuária, de São Paulo, apresentou um pedido de falência da companhia. A empresa alegou que não recebeu R$ 6,5 milhões que estavam previstos para serem quitados nos anos de 2011 e 2012, conforme o Plano de Recuperação Judicial. O pedido não foi aprovado.

Agravo

Outro entrave do processo ocorreu na última semana quando um agravo de instrumento foi interposto pela Morang LLC Mellon Serviços Financeiros DTVM S/A, de Ribeirão Preto, que conseguiu liminar para cancelar uma assembleia. A decisão foi derrubada e a reunião foi realizada na última segunda-feira. A Morang alega que o crédito que tem a receber (cerca de R$ 12 milhões) é de alienação fiduciária garantido pela quota da família Egreja e por 300 mil toneladas de cana da Rio Doce (ligada a Campestre). Somando-se todas essas dívidas, o valor dos créditos extraconcursais chegariam a R$ 50 milhões.

A acionista pede, em síntese, para que a Justiça entenda que o seu crédito a receber seja considerado extraconcursal, desta forma, passaria a ter prioridade no recebimento do valor devido com a venda da unidade.

Silvia Helena
Folha da Região (Araçatuba-SP)
Tags:Outros