A Usina Batatais divulgou, na última semana de novembro, seus resultados referentes ao segundo trimestre da safra 2025/26, marcados por redução da moagem, queda na produção de derivados e pressão sobre as margens.
Segundo o relatório trimestral, a moagem acumulada no período somou 4,779 milhões de toneladas, retração de 12% frente ao mesmo trimestre da safra anterior, o que impactou diretamente toda a operação agrícola e industrial da companhia.
Com menor volume de cana disponível, a produção de açúcar bruto recuou para 309 mil toneladas, queda de 32,5% em relação ao ano anterior.
A produção total de etanol também diminuiu, alcançando 128 milhões de litros, redução de 29,9%, com 81 milhões de litros de hidratado e 47 milhões de litros de anidro. Já a fabricação de energia elétrica somou 158,7 GWh, queda de 31,1% no comparativo anual.
O volume de açúcar total recuperável (ATR) produzido encerrou o trimestre em 634 mil toneladas, baixa de 27,9%, enquanto o índice de toneladas de açúcar por hectare registrou retração de 21,8%.
Além disso, o relatório aponta uma queda de 20,5% na produtividade agrícola, que passou de 85,6 t/ha para 68,5 t/ha, reforçando o impacto do menor rendimento dos canaviais sobre toda a performance operacional.
Os dados do relatório mostram, ainda, a composição da receita por mercado. No semestre, o faturamento consolidado com açúcar, etanol, energia e outros produtos totalizou R$ 950,5 milhões, volume inferior ao registrado no mesmo período de 2024/25.
As margens também foram pressionadas, refletindo a combinação entre menor oferta de matéria-prima e custos operacionais mais elevados.
A companhia destacou que o açúcar foi o produto de melhor remuneração no período, resultado de estratégias comerciais adotadas para proteção de preços.
O relatório também aponta as posições de hedge vigentes: a safra 2025/26 encerrava setembro com 82% da exposição fixada a R$ 1,0533 por libra-peso, enquanto a safra 2026/27 contava com 7% fixados a R$ 1,1648 por libra-peso.
Na parte financeira, os números mostram um semestre mais desafiador para a companhia. O lucro bruto caiu de R$ 332,2 milhões para R$ 100,9 milhões, refletindo o menor volume processado e a variação negativa do valor justo do ativo biológico.
Já o Ebitda ajustado (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização, descontando também fatores tidos como relevantes pela empresa) encerrou o período em R$ 291,8 milhões, uma redução de 28,8% frente ao mesmo intervalo de 2024/25.
O resultado líquido também foi pressionado. A usina registrou prejuízo de R$ 36,6 milhões, revertendo o lucro de R$ 99,5 milhões registrado no mesmo período do ciclo anterior.
A dívida líquida ajustada aumentou para R$ 707 milhões, enquanto a estratégia financeira segue focada em liquidez robusta, alongamento de prazos e diversificação entre indexadores e instrumentos de captação.
O relatório mostra ainda que os investimentos totais chegaram a R$ 230,3 milhões no semestre, direcionados principalmente à renovação de canaviais, substituição de equipamentos industriais e modernização de processos, com foco na redução de custos operacionais e na automação das atividades.
Natália Cherubin