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Usina alvo da Crédito Oculto foi de foragido e hoje está em fundo secreto

Segundo decisão da Justiça que autorizou operação, empresa faz parte de engrenagem para ocultar patrimônio de criminosos após o fim da Reag

Metrópoles 3 min de leitura

A usina Itajobi, alvo da Operação Crédito Oculto, terceira fase da Carbono Oculto, foi adquirida pelo grupo liderado por Mohamad Hussein Murad, conhecido como “Primo”, mas que se apresentou como João, em 2023. O parque industrial está sediado na região de Catanduva (SP).

Primo está foragido, acusado de desviar mais de R$ 8 bilhões de sonegação de impostos e suspeito de ter vínculos com a facção criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC).

Na junta comercial de São Paulo, a usina está registrada em nome de Walter Martins Ferreira III e do Fundo Celebration. A defesa da usina se recusa a revelar quem são os beneficiários do fundo.

De acordo com a decisão do Tribunal de Justiça de São Paulo (TJSP) que motivou a nova fase da Carbono Oculto, hoje, o fundo Celebration faz parte de uma engrenagem usada para blindar e ocultar o patrimônio do grupo após a liquidação da gestora Reag, em janeiro de 2026.

Esta engrenagem é uma tríade composta pela usina Itajobi, adquirida pelo Celebration e, segundo o TJSP, transferida para o grupo Entre Investimentos; o fundo Radford, administrado pelo Banco Genial e que tem como cotista único, justamente, a usina Itajobi; e, por fim as sociedades Berna Holdings Ltda. e Branson Holdings, que estão em nome de um laranja.

O grupo Itajobi está com uma mediação em andamento no Centro Judiciário de Solução de Conflitos e Cidadania (Cejusc) de São José do Rio Preto para tentar reestruturar uma dívida de R$ 3 bilhões.

Quem é Walter III, o Waltinho

Conhecido como Waltinho, Walter Martins Ferreira III, um dos sócios constituídos pela usina Itajobi, apareceu nas investigações como uma pessoa ligada à Reag. Ele já foi alvo de busca e apreensão em endereços em Barretos, no interior de São Paulo.

Waltinho está junto de Primo desde o início da sociedade com Roberto Augusto Leme, o Beto Louco, que também está foragido. Eles compraram a formuladora Copape e a distribuidora Aster, em 2020, por meio de um fundo de gaveta da Reag, chamado Location.

O Location, segundo as investigações, pertence a Renato Steinle, que recebeu R$ 45 milhões da esposa de Primo antes de fazer o negócio para adquirir a formuladora e a distribuidora de combustíveis. As empresas representaram um salto na organização criminosa, que passou a se tornar um dos grupos mais relevantes do país no setor.

A engenharia da compra fraudulenta foi desvendada e denunciada pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), do Ministério Público de São Paulo (MPSP), no âmbito da Operação Cassiopéia, um dos embriões da Carbono Oculto.

Ramiro Brites

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