Processadores de açúcar norte-americanos ofereceram ontem quase 100 mil toneladas curtas (90,71 mil t) do produto ao governo dos Estados Unidos, que, por sua vez, tentará revendê-las a usinas para transformação em etanol. Essa é uma das medidas do governo para conter uma onda de inadimplência por parte dos processadores, que têm US$ 386 milhões em empréstimos federais vencendo no final de agosto e de setembro.
O Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) adotou esse procedimento para não ter de 'confiscar' o açúcar, o que seria mais dispendioso para o governo, que prefere receber o dinheiro. Além disso, ao retirar o produto do mercado, o departamento contribui para a fortalecimento dos preços domésticos. Para o USDA, o ideal seria um valor de 20,9 centavos de dólar por libra-peso, mas especialistas avaliam que seriam necessárias 600 mil toneladas, e não 100 mil, para elevar as cotações internas até esse patamar. Atualmente, o açúcar é negociado em 20,45 cents/lb nos EUA.
O programa de compra faz parte da lei agrícola (Farm Bill) de 2008 e prevê que o USDA deve adquirir açúcar caso acredite que os processadores não conseguirão cumprir suas obrigações. No entanto, os produtores de etanol do país não estão preparados para processar açúcar, já que a maioria utiliza milho como matéria-prima. Por isso, o USDA já disse que pretende vender o açúcar comprado com desconto de aproximadamente 50%.
Essas compras serão a terceira intervenção do governo no mercado doméstico de açúcar este ano. O USDA já gastou US$ 50,7 milhões com compras de açúcar no mês passado.