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Nova unidade de produção de açúcar deve manter Jalles Machado “acima da média”, afirma Fitch

jalles-machado-020916Em novo relatório elaborado sobre cenário financeiro da Jalles Machado, a Fitch enfatiza os ganhos que a companhia deve ter com a construção de sua nova unidade de produção de açúcar

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Em novo relatório elaborado sobre o cenário financeiro da Jalles Machado, a agência de classificação de riscos Fitch enfatiza os ganhos que a companhia deve ter com a construção de sua nova unidade de produção de açúcar.

Segundo o relatório, a nova fábrica de açúcar, construída junto à Usina Otávio Lage em Goianésia (GO), beneficiará a companhia com uma carteira maior de produtos de alto valor agregado, que inclui açúcar orgânico e cristal de marca. Dessa maneira, para a agência, o modelo de negócio da Jalles Machado será fortalecido.

“A companhia conseguirá se beneficiar dos preços do açúcar protegidos por hedge ainda na safra de 2017/2018”, afirma.

Na reportagem completa a seguir os detalhes da avaliação da situação financeira, dos investimentos da Jalles e as perspectivas para ela e o setor.

Em novo relatório elaborado sobre o cenário financeiro da Jalles Machado, a agência de classificação de riscos Fitch enfatiza os ganhos que a companhia deve ter com a construção de sua nova unidade de produção de açúcar.

Segundo o relatório, a nova fábrica de açúcar, construída junto à Usina Otávio Lage em Goianésia (GO), beneficiará a companhia com uma carteira maior de produtos de alto valor agregado, que inclui açúcar orgânico e cristal de marca. Dessa maneira, para a agência, o modelo de negócio da Jalles Machado será fortalecido.

“A companhia conseguirá se beneficiar dos preços do açúcar protegidos por hedge ainda na safra de 2017/2018”, afirma. O documento ainda completa que os preços da nova unidade de produção de açúcar já estão protegidos por hedge e que o aumento do Ebitda (sigla em inglês para Lucros Antes de Juros, Impostos, Depreciação e Amortização), em bases proforma, é estimado em mais de R$ 60 milhões.

A nova fábrica elevará a participação do açúcar no mix de produtos da companhia para 44%. Atualmente, a proporção é de 34% de açúcar e 66% de etanol. Além disso, a expectativa da Fitch é que os investimentos na nova fábrica de açúcar e nos canaviais devem aumentar a capacidade de moagem de 4,6 para 5 milhões de toneladas.

Classificação está mantida

Dessa forma, a Fitch ainda manteve os ratings de Probabilidade de Inadimplência do Emissor (IDRs, na sigla original) da companhia em B+ (Rating de Longo Prazo em Moedas Estrangeira) e A- (Rating Nacional de Longo Prazo).

No cenário de crédito internacional, a avaliação B+ representa que os compromissos financeiros correntes estão sendo honrados. Entretanto, a capacidade de continuar efetuando o pagamento dependerá de um ambiente de negócios e econômico sustentado e favorável.

Já o rating nacional A- denota um risco de crédito baixo. Contudo, mudanças adversas nas condições dos negócios, econômicas ou financeiras, podem afetar mais a capacidade de pagamento dessas obrigações no prazo esperado.

Os ratings refletem as expectativas da Fitch de que a Jalles Machado continuará gerando um fluxo de caixa das operações (CFFO) resiliente, com alavancagem moderada e margens operacionais robustas. No entanto, a agência acredita que a capacidade de acesso da companhia a diferentes fontes de captação deve continuar limitada, uma vez que o setor brasileiro de açúcar e etanol enfrentou, recentemente, um período de crise, em que muitos participantes se tornaram inadimplentes em suas obrigações. Dessa maneira, a elevada volatilidade do setor sucroenergético é um risco permanente, que foi incorporado à análise da Jalles Machado feita pela Fitch.

Apesar de os ratings serem similares aos que a Fitch manteve para a Biosev, também em abril, o cenário da Jalles Machado é bem diferenciado. Além da perspectiva dos ratings se manter estável (com baixa probabilidade de rebaixamentos ou elevações de ratings), a Fitch assinala o forte modelo de negócio da companhia, que está acima da média das companhias classificadas com as mesmas notas de crédito.

Impacto no fluxo de caixa

Ainda que os investimentos na nova fábrica de açúcar e nos canaviais devam ter impacto negativo no fluxo de caixa nos exercícios de 2017 e 2018, a visão da Fitch é de que a Jalles Machado apresentará fluxo de caixa livre (FCF) positivo nos próximos quatro anos.

A agência de classificação de risco espera que condições climáticas mais favoráveis em 2017 levem a produção agrícola de volta aos patamares históricos e contribuam para o aumento dos volumes de moagem para mais de 4,3 milhões de toneladas na safra de 2017/2018. A Jalles Machado moeu 3,8 milhões de toneladas de cana de açúcar na safra de 2016/2017, frente ao recorde de 4,6 milhões de toneladas moídas em 2015/16.

Embora os preços internacionais do açúcar tenham diminuído expressivamente no início do ano – indo de valores superiores a cUS$ 20/libra-peso para menos de cUS$ 17/libra-peso –, a Fitch aponta que os preços do açúcar da Jalles Machado estão protegidos por hedge e a melhora dos volumes moídos deverá contribuir para que o fluxo de caixa dos ativos seja positivo em 2017/2018.

Alavancagem moderada

Além disso, a Fitch espera que a Jalles Machado deverá reportar uma alavancagem líquida ajustada em torno de 2,0 vezes no exercício de 2017 – índice inalterado frente a 31 de março de 2016 – e de 1,7 vez no exercício de 2018, ficando bem abaixo da média do setor e denotando uma menor taxa de riscos para os investidores. A companhia registrou alavancagem líquida ajustada de 2,2 vezes no período de 12 meses encerrado em 31 de dezembro de 2016.

A redução dos índices de alavancagem líquida na safra atual, de acordo com as projeções da Fitch, reflete a expectativa de fluxo de caixa positivo no exercício, bem como o recente fortalecimento do real em relação ao dólar, frente a 31 de dezembro de 2016.

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