O setor sucroenergético brasileiro foi alvo de diversas críticas por parte da Aliança Americana de Açúcar nos EUA. Em tom crítico a Unica rebateu as acusaçõesA ASA publicou um extenso documento na tentativa de convencer os EUA que o setor sucroenergético brasileiro é altamente...
Enquanto as usinas brasileiras reclamam da falta de incentivos e de uma política de longo prazo para o setor, a ASA publicou um extenso documento na tentativa de convencer os EUA que o setor sucroenergético brasileiro é altamente subsidiado.
Em resposta, a União da Indústria de Cana-de-açúcar (Unica) publicou na semana passada um documento em inglês intitulado "Os fatos reais sobre as alegações errôneas do lobby americano de açúcar sobre a indústria brasileira de cana" (tradução livre).
Em seis páginas, a Unica contrapõe as diversas críticas publicadas no relatório da Aliança Americana de Açúcar (ASA, na sigla em inglês) em abril. A entidade afirma que o setor sucroenergético brasileiro é fruto de intervenções do governo e políticas públicas, e não resultado da soma entre recursos naturais e a experiência dos empresários do ramo.
O principal argumento do texto da associação americana é de que os produtores de açúcar brasileiros têm, somados os programas destinados à agricultura e os específicos para açúcar e etanol, um crédito anual de US$ 2,5 bilhões por ano. Segundo a ASA, este crédito vem de uma redução no valor do INSS para trabalhadores rurais, do auxílio financeiro garantido aos trabalhadores rurais do Nordeste, das linhas de financiamento do BNDES PASS e Prorenova, e da renegociação do pagamento de tributos.
Em resposta, a Unica afirma que o que é pago para garantir a aposentadoria do trabalhador rural (INSS) é um imposto, não um subsídio, e que o valor é diferenciado já que as contribuições dependem do tipo de atividade exercida e que existe uma política de inclusão dos trabalhadores rurais na previdência social. Além disso, segundo a instituição, a Organização Mundial do Comércio não exige que impostos sejam relatados, porque "não há nenhum favorecimento embutido neles".
A instituição brasileira afirma ainda que o dinheiro cedido aos produtores do Nordeste é pouco, comparado às desvantagens que eles têm: US$ 40 milhões para 43 mil beneficiários. Além disso, a quantia é direcionada a produtores que moem menos de mil toneladas, o que, no total, representa cerca de 3% da produção nacional.
Quanto às linhas de financiamento, a Unica alega que os números usados pela ASA foram exagerados devido ao cálculo utilizado pela associação americana. Da mesma forma, diz que os dados referentes à renegociação de tributos de três empresas foram usados para representar todo o cenário do setor sucroenergético brasileiro, o que distorce a realidade.
A Unica rebate afirmando que, sim, a diversificação é positiva, já que não deixa os produtores dependentes das variações do mercado de apenas um produto, porém, ela não visa unicamente reduzir custos da produção de etanol, mas, sim, aumentar a independência energética do país e reduzir a emissão de gases do efeito estufa.
Além disso, nega que existam "subsídios cruzados" e explica que o açúcar e o etanol competem entre si, mesmo sendo produzidos nas mesmas usinas. Sendo assim, a determinação da mistura mínima de etanol à gasolina pode ou não beneficiar o mercado de açúcar.
Quanto aos preços da gasolina, a Unica observa que, por serem controlados pelo governo e estarem defasados frente aos internacionais, a política do governo tem prejudicado o setor sucroenergético.
Como o Brasil é o maior produtor e exportador de açúcar do mundo, os chamados "opositores das políticas de açúcar no mercado doméstico" defendem o fim dos impedimentos às importações para que o país possa expressar totalmente suas "vantagens naturais na produção de açúcar" e, consequentemente, reduzir o preço do açúcar.
Segundo a ASA, porém, por receber tantos incentivos do governo, o açúcar brasileiro tem mais chances de prejudicar os produtores e os consumidores americanos, caso entre no país livremente. No release que divulga o relatório, o representante da Aliança Jak Roney afirma: "Os produtores de açúcar americanos são altamente eficientes, mas um "desarmamento unilateral" enquanto os subsídios estrangeiros se mantêm causaria desemprego e nos deixaria dependentes de um açúcar duvidoso e subsidiado".
O único argumento usado pela associação americana não mencionado pela brasileira foi a proibição do uso do diesel em veículos leves. Mesmo assim, a Unica finaliza seu documento em defesa do açúcar brasileiro alegando que a ASA falha ao intencionalmente não comparar as políticas brasileiras para o setor com as americanas e desafiando os produtores dos Estados Unidos a aceitarem a competição.
Confira o extenso documento da ASA (.pdf)
Aqui a resposta da Unica (.pdf)
Vivian Faria – NovaCana
Enquanto as usinas brasileiras reclamam da falta de incentivos e de uma política de longo prazo para o setor, a ASA publicou um extenso documento na tentativa de convencer os EUA que o setor sucroenergético brasileiro é altamente subsidiado.
Em resposta, a União da Indústria de Cana-de-açúcar (Unica) publicou na semana passada um documento em inglês intitulado "Os fatos reais sobre as alegações errôneas do lobby americano de açúcar sobre a indústria brasileira de cana" (tradução livre).
Em seis páginas, a Unica contrapõe as diversas críticas publicadas no relatório da Aliança Americana de Açúcar (ASA, na sigla em inglês) em abril. A entidade afirma que o setor sucroenergético brasileiro é fruto de intervenções do governo e políticas públicas, e não resultado da soma entre recursos naturais e a experiência dos empresários do ramo.
O principal argumento do texto da associação americana é de que os produtores de açúcar brasileiros têm, somados os programas destinados à agricultura e os específicos para açúcar e etanol, um crédito anual de US$ 2,5 bilhões por ano. Segundo a ASA, este crédito vem de uma redução no valor do INSS para trabalhadores rurais, do auxílio financeiro garantido aos trabalhadores rurais do Nordeste, das linhas de financiamento do BNDES PASS e Prorenova, e da renegociação do pagamento de tributos.
Em resposta, a Unica afirma que o que é pago para garantir a aposentadoria do trabalhador rural (INSS) é um imposto, não um subsídio, e que o valor é diferenciado já que as contribuições dependem do tipo de atividade exercida e que existe uma política de inclusão dos trabalhadores rurais na previdência social. Além disso, segundo a instituição, a Organização Mundial do Comércio não exige que impostos sejam relatados, porque "não há nenhum favorecimento embutido neles".
A instituição brasileira afirma ainda que o dinheiro cedido aos produtores do Nordeste é pouco, comparado às desvantagens que eles têm: US$ 40 milhões para 43 mil beneficiários. Além disso, a quantia é direcionada a produtores que moem menos de mil toneladas, o que, no total, representa cerca de 3% da produção nacional.
Quanto às linhas de financiamento, a Unica alega que os números usados pela ASA foram exagerados devido ao cálculo utilizado pela associação americana. Da mesma forma, diz que os dados referentes à renegociação de tributos de três empresas foram usados para representar todo o cenário do setor sucroenergético brasileiro, o que distorce a realidade.
Economia de escala
Em seu relatório, a ASA também critica a diversificação do setor de cana-de-açúcar, dizendo que o Brasil trabalha com "economia de escala" e que a produção de açúcar brasileira se beneficia de subsídios econômicos e de intervenções do governo no mercado de etanol, produzido "em paralelo" ao adoçante.A Unica rebate afirmando que, sim, a diversificação é positiva, já que não deixa os produtores dependentes das variações do mercado de apenas um produto, porém, ela não visa unicamente reduzir custos da produção de etanol, mas, sim, aumentar a independência energética do país e reduzir a emissão de gases do efeito estufa.
Além disso, nega que existam "subsídios cruzados" e explica que o açúcar e o etanol competem entre si, mesmo sendo produzidos nas mesmas usinas. Sendo assim, a determinação da mistura mínima de etanol à gasolina pode ou não beneficiar o mercado de açúcar.
Quanto aos preços da gasolina, a Unica observa que, por serem controlados pelo governo e estarem defasados frente aos internacionais, a política do governo tem prejudicado o setor sucroenergético.
Pela manutenção das políticas
Ao defender a tese de que o açúcar brasileiro é altamente subsidiado, a associação americana tinha por objetivo justificar as políticas americanas que regulam o mercado doméstico de açúcar, criticadas por alguns por dificultar o comércio internacional da commodity, encarecendo-a.Como o Brasil é o maior produtor e exportador de açúcar do mundo, os chamados "opositores das políticas de açúcar no mercado doméstico" defendem o fim dos impedimentos às importações para que o país possa expressar totalmente suas "vantagens naturais na produção de açúcar" e, consequentemente, reduzir o preço do açúcar.
Segundo a ASA, porém, por receber tantos incentivos do governo, o açúcar brasileiro tem mais chances de prejudicar os produtores e os consumidores americanos, caso entre no país livremente. No release que divulga o relatório, o representante da Aliança Jak Roney afirma: "Os produtores de açúcar americanos são altamente eficientes, mas um "desarmamento unilateral" enquanto os subsídios estrangeiros se mantêm causaria desemprego e nos deixaria dependentes de um açúcar duvidoso e subsidiado".
O único argumento usado pela associação americana não mencionado pela brasileira foi a proibição do uso do diesel em veículos leves. Mesmo assim, a Unica finaliza seu documento em defesa do açúcar brasileiro alegando que a ASA falha ao intencionalmente não comparar as políticas brasileiras para o setor com as americanas e desafiando os produtores dos Estados Unidos a aceitarem a competição.
Confira o extenso documento da ASA (.pdf)
Aqui a resposta da Unica (.pdf)
Vivian Faria – NovaCana