Cana: Mercado

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Unica pressiona Orplana sobre revisão do Consecana, mas produtores têm demandas

Entidade que representa as usinas afirma que detalhamento técnico contratado já foi concluído; já a representante dos fornecedores cobra a presença da contraparte em reuniões


NovaCana - Publicado: 30 Abr 2025 - 16:05 | Atualizado: 01 Mai 2025 - 12:51

Atualização (01/05, às 12h50): O texto abaixo foi alterado para incluir o posicionamento da Orplana. O título da reportagem também foi modificado para refletir o conteúdo completo.

Em nota pública divulgada nesta quarta-feira, 30, a União da Indústria de Cana-de-açúcar e Bioenergia (Unica) voltou a tratar sobre a atualização do modelo Consecana-SP, utilizado para remunerar os produtores de cana-de-açúcar. O texto ataca diretamente a postura adotada pela Organização de Associações de Produtores de Cana do Brasil (Orplana) em relação ao tema.

“Com o início da safra 2025/26 nesse mês de abril, a Unica aguarda o aceite, pela Orplana, dos resultados do estudo técnico realizado pela Fundação Getúlio Vargas (FGV) e o restabelecimento da governança do Consecana-SP para seguir com a implementação imediata da revisão do modelo”, afirma a entidade que representa as usinas.

Na nota, a Unica afirma que o estudo de revisão contratado foi concluído e teve entrega reconhecida pelas partes. “Dessa forma, a Unica reitera a disposição de realizar a imediata implementação dos resultados apresentados, assim que estes sejam reconhecidos como válidos, nos termos contratuais, pela Orplana”, declara.

Ainda segundo o texto, as expectativas da entidade foram “contrariadas” a partir do momento em que “não houve o restabelecimento da adequada governança do Consecana-SP”, o que envolveu “circulares publicadas unilateralmente”.

Em resposta, a Orplana enviou um posicionamento na noite desta quarta-feira, 30. Segundo a entidade, o objetivo do texto é “esclarecer pontos importantes sobre o processo de revisão dos parâmetros técnicos conduzido pela FGV e reiterar seu compromisso com os procedimentos e instâncias formais estabelecidos”.

Ainda de acordo com a Orplana, a Unica não enviou representantes para reuniões realizadas nos dias 14 e 30 de abril, o que teria “comprometido o avanço técnico e institucional da revisão”.

O CEO da Orplana, José Guilherme Nogueira, também afirmou que não houve, por parte da entidade, qualquer quebra de governança ou tentativa de conduzir o processo de forma unilateral. “Pelo contrário, o processo de revisão nunca seguiu uma governança e conseguimos trazer isso”, disse, em comunicado.

Ele ainda acrescentou: “Seguimos firmes no propósito de garantir a representatividade e os direitos dos produtores, respeitando rigorosamente o estatuto do Consecana-SP e os acordos firmados entre as partes. Todo o setor merece esses esclarecimentos para que não haja desbalanços e garanta a equidade entre as partes”.

Ainda de acordo com o posicionamento da Orplana, o processo de revisão “está seguindo o rito previamente acordado e registrado em atas”, com etapas previamente definidas. Assim, a representante dos produtores relata que, após a entrega do estudo preliminar pela FGV, o documento deve ser analisado e validado por um grupo técnico composto por membros da Orplana e da Unica e, na sequência, submetido à diretoria do Consecana-SP.

“A Orplana ressalta ainda que o estudo foi finalizado e entregue no mês de abril. Porém, ainda há questões metodológicas a serem esclarecidas e realizadas no âmbito do Consecana-SP, conforme previsto no processo de governança vigente”, afirma a entidade.

Nogueira, CEO da Orplana, ainda acrescenta: “Todo esse processo está sendo conduzido com responsabilidade, transparência e compromisso com os princípios do regimento do Consecana-SP, visando assegurar a equidade entre os elos da cadeia produtiva. O produtor precisa ter clareza do processo e, disso, não abrimos mão”.

Impasse em andamento

Esta não é a primeira vez que os estudos da FGV estão no centro de um embate público entre as entidades. No começo de abril, uma reportagem do Globo Rural tratou dos impasses para a atualização dos cálculos utilizados para a precificação da cana-de-açúcar.

Naquele momento, a Unica argumentava que ambas as entidades tiveram um prazo de 60 dias para se manifestarem após a entrega de um relatório da FGV, o que ocorreu em 17 de janeiro. Com o encerramento do prazo, o sistema deveria passar a vigorar. A Orplana, entretento, argumentava que os estudos ainda estavam em andamento.

Após a publicação, a Orplana divulgou um comunicado onde mencionou o estudo técnico da FGV, encomendado com o objetivo de subsidiar a revisão do modelo. “Diversas reuniões foram realizadas, inclusive onde as duas entidades solicitaram esclarecimentos”, disse, referindo-se à própria Orplana e à Unica.

“A Orplana destacou a necessidade de aprofundamentos técnicos em diversos pontos, especialmente relacionados ao Capex industrial. Tais observações e necessidades de detalhamentos foram registrados em ata”, relatou, em 10 de abril.

Além disso, a entidade que representa os produtores afirmou que, até o dia 9 de abril de 2025, os estudos ainda não haviam sido entregues em sua totalidade.

“Algumas etapas seguem pendentes e, portanto, não há validação final do conteúdo. A afirmação de que a Orplana estaria dificultando o avanço das negociações é infundada. Ao contrário, a entidade permanece empenhada em garantir que a revisão seja conduzida com o rigor técnico necessário, transparência e equilíbrio entre os elos da cadeia produtiva”, complementou.

A entidade ainda ressaltou que os estudos da FGV devem servir como base para análise da diretoria do Consecana-SP. Assim, eles devem ser posteriormente avaliados por um grupo técnico composto por membros da Orplana e da Unica, que poderá validar ou sugerir ajustes.

“A Orplana reafirma seu total interesse na conclusão célere dos estudos, por entender que esse processo é estratégico para o setor, trazendo maior previsibilidade e segurança a todos os envolvidos”, afirmou o comunicado, que seguiu: “Ao mesmo tempo, reforça que não compactua com meias-informações ou versões unilaterais do andamento dos trabalhos, inclusive aquelas divulgadas por meio da imprensa”.

Atualmente, a Orplana representa 35 associações e mais de 12 mil produtores de cana-de-açúcar em todo o país. Por conta disso, a entidade integra o Conselho dos Produtores de Cana-de-Açúcar, Açúcar e Etanol do Estado de São Paulo (Consecana-SP), onde atua ao lado da Unica.

Renata Bossle – NovaCana