"Tem sempre uma inércia para se ter a transmissão do preço do produtor para a bomba. Esta inércia foi vencida e a redução do preço ao produtor chegou à bomba"Os preços do etanol hidratado ao consumidor devem ficar em patamares estáveis nesta safra, perto dos valores atuais, uma vez que as chuvas recentes favorecem ainda mais a produção do biocombustível na atual temporada, disse o presidente da consultoria Datagro.
"As chuvas indicam uma tendência na direção de (produzir) mais etanol", disse o presidente da Datagro, Plinio Nastari, à Reuters, no intervalo do Ethanol Summit, realizado em São Paulo.
Depois da desoneração do PIS/Cofins, o que trouxe algum alívio de custos para o setor, os preços do etanol hidratado começaram a registrar recuos também para o consumidor final, elevando a competitividade do biocombustível frente à gasolina e puxando seu consumo.
"Acho que agora ficou consolidado de 1,64 a 1,69 na bomba o preço para o etanol hidratado, porque tem sempre uma inércia para se ter a transmissão do preço do produtor para a bomba. Esta inércia foi vencida e a redução do preço ao produtor chegou à bomba", disse Nastari.
Ele acrescentou que os problemas em campo por conta do clima devem ter efeito pequeno e somente no curto prazo. "Daí então, nós vamos ver a manutenção dos preços nas bombas ainda por um bom tempo, não acredito que haverá uma reversão da queda dos preços na bomba nas próximas semanas", disse.
A nova estimativa de safra da Datagro, prevista para meados de julho, já deve mostrar os efeitos da chuva sobre o processo de colheita e moagem da cana no centro-sul do Brasil, segundo Nastari.
Questionado sobre o efeito do câmbio nas exportações do setor, Nastari observou que mantém sua estimativa de exportação de etanol do Brasil em 4,1 bilhões de litros na atual temporada 2013/14.
A Datagro estima a importação brasileira de etanol, especialmente para abastecer a região Norte e Nordeste, em cerca de 520 milhões de litros.
Ele explicou que os preços ainda muito elevados nestas duas regiões viabilizam as importações, independente do câmbio de 2,18 reais ou 2,20 reais.
"Depois deste efeito, o mercado se movimenta e se começa a ter o resultado da desoneração lá na bomba, coisa que está acontecendo recentemente", disse.
Mas ele acrescentou que a desoneração ou a elevação da mistura do anidro na gasolina são medidas que não resolvem o problema do etanol, e defendeu a alteração da Cide (Contribuição de Intervenção sobre o Domínio Econômico) para o combustível fóssil.
Na avaliação do especialista, o Brasil deveria seguir o exemplo do modelo norte-americano, que estipulou metas de uso de combustíveis renováveis na matriz energética em determinado prazo, o que estimularia os investimentos no setor.
A retomada da cobrança de Cide para a gasolina pode ser um instrumento para estimular investimentos de longo prazo na indústria de etanol, defende o setor de etanol.
Mas Pires lembra que tal iniciativa também depende de uma contrapartida do setor, investindo para melhorar produtividade e gerar empregos.
Pires observou que o setor já trabalha com um fator imponderável, que é o clima, e compete com a gasolina, que não segue regras de mercado, tendo o seu preço controlado e subsidiado pelo governo.
Para o diretor do Cbie, o mercado estará atento às condições climáticas para avaliar o efeito sobre os preços do etanol.
Agência Estado e Reuters
"As chuvas indicam uma tendência na direção de (produzir) mais etanol", disse o presidente da Datagro, Plinio Nastari, à Reuters, no intervalo do Ethanol Summit, realizado em São Paulo.
Depois da desoneração do PIS/Cofins, o que trouxe algum alívio de custos para o setor, os preços do etanol hidratado começaram a registrar recuos também para o consumidor final, elevando a competitividade do biocombustível frente à gasolina e puxando seu consumo.
"Acho que agora ficou consolidado de 1,64 a 1,69 na bomba o preço para o etanol hidratado, porque tem sempre uma inércia para se ter a transmissão do preço do produtor para a bomba. Esta inércia foi vencida e a redução do preço ao produtor chegou à bomba", disse Nastari.
Ele acrescentou que os problemas em campo por conta do clima devem ter efeito pequeno e somente no curto prazo. "Daí então, nós vamos ver a manutenção dos preços nas bombas ainda por um bom tempo, não acredito que haverá uma reversão da queda dos preços na bomba nas próximas semanas", disse.
A nova estimativa de safra da Datagro, prevista para meados de julho, já deve mostrar os efeitos da chuva sobre o processo de colheita e moagem da cana no centro-sul do Brasil, segundo Nastari.
Questionado sobre o efeito do câmbio nas exportações do setor, Nastari observou que mantém sua estimativa de exportação de etanol do Brasil em 4,1 bilhões de litros na atual temporada 2013/14.
A Datagro estima a importação brasileira de etanol, especialmente para abastecer a região Norte e Nordeste, em cerca de 520 milhões de litros.
Ele explicou que os preços ainda muito elevados nestas duas regiões viabilizam as importações, independente do câmbio de 2,18 reais ou 2,20 reais.
Competitividade
O diretor do Centro Brasileiro de Infraestrutura (Cbie), Adriano Pires, observou que em um primeiro momento, após a desoneração, as empresas tentaram recuperar margens por conta das dificuldades enfrentadas anteriormente, mas depois este efeito chega até ao consumidor final."Depois deste efeito, o mercado se movimenta e se começa a ter o resultado da desoneração lá na bomba, coisa que está acontecendo recentemente", disse.
Mas ele acrescentou que a desoneração ou a elevação da mistura do anidro na gasolina são medidas que não resolvem o problema do etanol, e defendeu a alteração da Cide (Contribuição de Intervenção sobre o Domínio Econômico) para o combustível fóssil.
Na avaliação do especialista, o Brasil deveria seguir o exemplo do modelo norte-americano, que estipulou metas de uso de combustíveis renováveis na matriz energética em determinado prazo, o que estimularia os investimentos no setor.
A retomada da cobrança de Cide para a gasolina pode ser um instrumento para estimular investimentos de longo prazo na indústria de etanol, defende o setor de etanol.
Mas Pires lembra que tal iniciativa também depende de uma contrapartida do setor, investindo para melhorar produtividade e gerar empregos.
Pires observou que o setor já trabalha com um fator imponderável, que é o clima, e compete com a gasolina, que não segue regras de mercado, tendo o seu preço controlado e subsidiado pelo governo.
Para o diretor do Cbie, o mercado estará atento às condições climáticas para avaliar o efeito sobre os preços do etanol.
Agência Estado e Reuters