Etanol: Preços

Etanol: Preços

Preço do etanol deve seguir perto de níveis atuais na bomba


Agência Estado - Publicado: 28 Jun 2013 - 21:17 | Atualizado: 28 Jun 2013 - 22:13
Os preços do etanol hidratado ao consumidor devem ficar em patamares estáveis nesta safra, perto dos valores atuais, uma vez que as chuvas recentes favorecem ainda mais a produção do biocombustível na atual temporada, disse o presidente da consultoria Datagro.

"As chuvas indicam uma tendência na direção de (produzir) mais etanol", disse o presidente da Datagro, Plinio Nastari, à Reuters, no intervalo do Ethanol Summit, realizado em São Paulo.

Depois da desoneração do PIS/Cofins, o que trouxe algum alívio de custos para o setor, os preços do etanol hidratado começaram a registrar recuos também para o consumidor final, elevando a competitividade do biocombustível frente à gasolina e puxando seu consumo.

"Acho que agora ficou consolidado de 1,64 a 1,69 na bomba o preço para o etanol hidratado, porque tem sempre uma inércia para se ter a transmissão do preço do produtor para a bomba. Esta inércia foi vencida e a redução do preço ao produtor chegou à bomba", disse Nastari.

Ele acrescentou que os problemas em campo por conta do clima devem ter efeito pequeno e somente no curto prazo. "Daí então, nós vamos ver a manutenção dos preços nas bombas ainda por um bom tempo, não acredito que haverá uma reversão da queda dos preços na bomba nas próximas semanas", disse.

A nova estimativa de safra da Datagro, prevista para meados de julho, já deve mostrar os efeitos da chuva sobre o processo de colheita e moagem da cana no centro-sul do Brasil, segundo Nastari.

Questionado sobre o efeito do câmbio nas exportações do setor, Nastari observou que mantém sua estimativa de exportação de etanol do Brasil em 4,1 bilhões de litros na atual temporada 2013/14.

A Datagro estima a importação brasileira de etanol, especialmente para abastecer a região Norte e Nordeste, em cerca de 520 milhões de litros.

Ele explicou que os preços ainda muito elevados nestas duas regiões viabilizam as importações, independente do câmbio de 2,18 reais ou 2,20 reais.

Competitividade

O diretor do Centro Brasileiro de Infraestrutura (Cbie), Adriano Pires, observou que em um primeiro momento, após a desoneração, as empresas tentaram recuperar margens por conta das dificuldades enfrentadas anteriormente, mas depois este efeito chega até ao consumidor final.

"Depois deste efeito, o mercado se movimenta e se começa a ter o resultado da desoneração lá na bomba, coisa que está acontecendo recentemente", disse.

Mas ele acrescentou que a desoneração ou a elevação da mistura do anidro na gasolina são medidas que não resolvem o problema do etanol, e defendeu a alteração da Cide (Contribuição de Intervenção sobre o Domínio Econômico) para o combustível fóssil.

Na avaliação do especialista, o Brasil deveria seguir o exemplo do modelo norte-americano, que estipulou metas de uso de combustíveis renováveis na matriz energética em determinado prazo, o que estimularia os investimentos no setor.

A retomada da cobrança de Cide para a gasolina pode ser um instrumento para estimular investimentos de longo prazo na indústria de etanol, defende o setor de etanol.

Mas Pires lembra que tal iniciativa também depende de uma contrapartida do setor, investindo para melhorar produtividade e gerar empregos.

Pires observou que o setor já trabalha com um fator imponderável, que é o clima, e compete com a gasolina, que não segue regras de mercado, tendo o seu preço controlado e subsidiado pelo governo.

Para o diretor do Cbie, o mercado estará atento às condições climáticas para avaliar o efeito sobre os preços do etanol.

Agência Estado e Reuters