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Unica anuncia demissões e reestruturação


Unica - Publicado: 20 Mai 2014 - 17:16 | Atualizado: 30 Nov -0001 - 21:00

A União da Indústria de Cana-de-Açúcar (UNICA) anunciou na tarde desta terça-feira (20) os efeitos da prolongada crise do setor sobre a instituição. Em um esforço de adaptação à "realidade econômico-financeira das indústrias sucroenergéticas" onze profissionais serão desligados, a diretoria de comunicação será extinta e a contribuição das associadas reduzida a menos da metade para as usinas de São Paulo.

A notícia veio após a assembleia geral realizada hoje que elegeu os novos conselheiros da entidade e confirmou o ex-ministro da Agricultura Roberto Rodrigues para presidir o Conselho Deliberativo.

As empresas associadas os representantes dos conselhos definiram os representantes dos conselhos Deliberativo e Fiscal para o mandato 2014-2016. Também foi confirmada permanência da economista e ex-presidente do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (CADE), Elizabeth Farina, na Presidência Executiva da entidade, cargo que ocupa desde novembro de 2012.

Roberto Rodrigues substitui o ex-ministro chefe da Casa Civil e presidente da Bunge Brasil, Pedro Parente, que exerceu a presidência do Conselho Deliberativo da UNICA desde abril de 2012. O cargo deixa de ser ocupado por um representante de empresa associada e passa a ser exercido por Rodrigues, na qualidade de profissional contratado pela associação.

Assumem como novos Conselheiros o diretor do Grupo Alto Alegre e atual presidente da Associação Brasileira do Agronegócio (ABAG), Luis Carlos Corrêa de Carvalho, e o empresário Riccardo Nardini, do Grupo Nardini. O CEO da Biosev, Rui Chammas e o diretor Comercial da empresa, Enrico Biancheri, também passam a ocupar formalmente as duas cadeiras indicadas pela Biosev no Conselho Deliberativo da UNICA.

Deixa o Conselho o executivo Antonio Carlos Previte, do Grupo Ferrari, que passa a ocupar o cargo de Conselheiro Fiscal da UNICA. O mesmo Conselho Fiscal terá a participação do executivo do Grupo São Martinho, Guilherme Fontes Ribeiro.

A Assembléia também definiu os integrantes dos Conselhos Deliberativo e Fiscal do Sindicato da Indústria do Açúcar do Estado de São Paulo (SIAESP) e do Sindicato da Indústria da Fabricação do Álcool no Estado de São Paulo (SIFAESP). O empresário do Grupo São Martinho e vice-presidente da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (FIESP), João Guilherme Sabino Ometto, permanece na presidência dos conselhos do SIAESP, acompanhado do presidente do Conselho Deliberativo da Copersucar, Luis Roberto Pogetti, no cargo de Secretário e do vice-presidente da Bunge Brasil, Martus Antonio Rodrigues Tavares, no cargo de Tesoureiro.

Já o SIFAESP passa a ter na presidência o diretor global para cana-de-açúcar do Grupo Tereos, Jacyr da Silva Costa Filho, acompanhado do vice-presidente da Raízen, Pedro Isamu Mizutani, como Secretário, e do diretor da Odebrecht Agroindustrial, Amaury Eduardo Pekelman, no cargo de Tesoureiro.

Ajuste orçamentário

A Assembleia Geral de Associados da UNICA aprovou uma redução no valor das contribuições associativas para as indústrias instaladas no Estado de São Paulo, de R$ 0,13 por tonelada de cana processada cobrados na safra passada para R$ 0,06 por tonelada processada na safra 2013/2014. Para indústrias instaladas fora de São Paulo, o valor cai de R$ 0,06 para R$ 0,045 por tonelada.

A redução foi justificada pela necessidade de adequação das contribuições à realidade econômico-financeira das indústrias sucroenergéticas que, desde 2008, vêm sofrendo grande perda de competitividade em razão de políticas públicas adotadas para o setor de combustíveis, que incluem a redução da carga tributária sobre os derivados de petróleo comercializados no País e a comercialização de gasolina subsidiada.

Além disso, ainda em função do ajuste orçamentário, foi comunicada aos Associados uma redução no quadro de colaboradores da UNICA envolvendo 11 profissionais de diversos setores, que se desligarão da entidade nas próximas semanas. Entre os desligamentos está o do diretor de Comunicação Corporativa da UNICA, Adhemar Altieri, que ocupava o cargo desde novembro de 2007 e deixará a entidade em 30 de junho de 2014. Com o desligamento, a diretoria de comunicação da entidade será extinta.

Projeto Agora

Criado em 2009 e ganhador de diversos prêmios de expressão nacional, o Projeto AGORA, que reúne 18 entidades e empresas da cadeia produtiva da cana-de-açúcar, vai fazer uma pausa em suas atividades para desenvolver um novo modo de atuação. A decisão tornou-se inevitável após o forte ajuste orçamentário da Unica.

"Além de contribuir com o principal aporte de recursos, a UNICA cedia suas instalações e profissionais, o que permitia ao AGORA executar suas iniciativas. Com a perda de parte dessa estrutura devido aos ajustes orçamentários anunciados hoje, será preciso rever essa forma de viabilizar o AGORA," explica a presidente, Elizabeth Farina. Ela frisa que a maioria dos integrantes do AGORA deseja a continuidade do Projeto, hoje considerado o maior voltado para a comunicação e marketing integrados do agronegócio brasileiro.

A pausa nas atividades do AGORA terá início após a realização da Cerimônia de Entrega do 5º Prêmio TOP Etanol, marcada para o dia 02 de junho no Grand Hyatt Hotel em São Paulo. O TOP Etanol, uma das principais iniciativas anuais do AGORA, dedicada ao mercado da comunicação. A edição deste ano do evento vai receber os três principais pré-candidatos à Presidência da República. Aécio Neves, Dilma Rousseff e Eduardo Campos terão a oportunidade de discursar sobre seus planos para o setor sucroenergético, caso eleitos.

Farina deixa claro que a paralisação é consequência direta da crise que vem impactando o setor sucroenergético nacional nos últimos anos e que agora afeta também a Unica, maior entidade associativa do setor no Brasil. Para ela, a situação tem suas raízes nas políticas públicas inadequadas adotadas pelo governo, que subsidia a gasolina e tira a competitividade do etanol.

Etanol Celulósico

A Assembléia aprovou uma importante alteração no estatuto da UNICA, que passará a admitir a associação de empresas produtoras de etanol de segunda geração (2G), ou celulósico, desde que produzido a partir de resíduos e subprodutos da cana-de-açúcar. A alteração reflete os investimentos já realizados em 2G por diversas empresas associadas da UNICA, além de viabilizar o ingresso no quadro de associados de produtores dedicados exclusivamente ao etanol 2G.

 

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