“Mesmo que pareça estranho dizer isso, eu gostaria de ter mais competidores. O fato é que, para termos um mercado de etanol commodity, nós precisamos ter outras fontes produtoras para o biocombustível, além do Brasil e Estados Unidos”, diz a presidente da Unica, Elizabeth Farina
A União da Indústria da Cana-de-Açúcar (Unica) parece não ter desistido do sonho de transformar o etanol numa commodity mundial.
Mesmo depois de a Associação Internacional do Etanol (Ietha, na sigla em inglês), fechar suas portas neste ano por não conseguir “abrir o mercado” – a entidade foi criada em 2006 e tentou, sem sucesso, estabelecer regras e padrões globais para a negociação do biocombustível – a Unica quer agora levar o etanol a economias emergentes como a da China.
A União da Indústria da Cana-de-Açúcar (Unica) parece não ter desistido do sonho de transformar o etanol numa commodity mundial.
Mesmo depois de a Associação Internacional do Etanol (Ietha, na sigla em inglês), fechar suas portas neste ano por não conseguir “abrir o mercado” – a entidade foi criada em 2006 e tentou, sem sucesso, estabelecer regras e padrões globais para a negociação do biocombustível – a Unica quer agora levar o etanol a economias emergentes como a da China.
Num evento que reuniu líderes do setor sucroenergético em São Paulo no mês passado, a presidente da Unica, Elizabeth Farina, falou sobre a ideia de promover o combustível de cana no país asiático.
O projeto, que ainda está em fase embrionária, conta com a participação da Associação de Combustíveis Renováveis (RFA, na sigla em inglês), e busca o apoio da Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos, a Apex.
“Estamos no início das conversas. Ainda não assinamos um memorando de entendimento, mas pretendemos fazer isso. Os Estados Unidos estão avançando. Eles já foram em missão à China, e o USDA [Departamento de Agricultura norte-americano] está ministrando cursos [de capacitação]”, disse a executiva em entrevista ao portal NovaCana, durante um dos intervalos do World Bio Markets Brazil, que ocorreu em São Paulo entre os dias 25 e 26 de setembro.
“Estamos conversando com a Apex a fim de prospectar novos mercados. Também conversamos com a embaixada brasileira na China. Estamos dando os primeiros passos”
Elizabeth é cautelosa ao falar sobre o projeto e diz que a proposta “ainda é bem incipiente”. Contudo, há uma movimentação por parte da Unica e da RFA para que a iniciativa possa, de fato, sair do papel.
“Estamos conversando com a Apex a fim de prospectar novos mercados. Também conversamos com a embaixada brasileira na China. Estamos dando os primeiros passos”, informa.
Segunda maior economia do mundo, de 2000 para cá, a China aprovou a construção de quatro plantas de etanol, e deve, em breve, abrigar a maior usina de etanol celulósico do mundo.
O potencial de consumo do país asiático, que tem uma das maiores frotas automotivas do mundo, é grande. Segundo dados da Organização das Nações Unidas (ONU), o país conta apenas com cinco usinas de etanol, que produzem o combustível a partir do milho, trigo e mandioca. Em 2012, a produção do país foi de 2,1 bilhões de litros, quantidade inferior ao volume total de etanol exportado pelo Brasil no ano passado, que foi de 2,6 bilhões de litros. Em 2012, as vendas externas do renovável de cana à China foram de apenas 772 mil litros.
“Para o etanol virar uma commodity internacional é preciso haver demanda e produção em vários países”, argumenta Elizabeth.
“Mesmo que pareça estranho dizer isso, eu gostaria de ter mais competidores. O fato é que, para termos um mercado de etanol commodity, nós precisamos ter outras fontes produtoras para o biocombustível, além do Brasil e Estados Unidos”, reitera.
Elizabeth diz ainda que a criação de um mercado global daria mais segurança à matriz energética do planeta, que teria “mais segurança” para adotar uma mistura de etanol na gasolina. “Todos países misturam o etanol na gasolina. Então, seria uma oportunidade. Daria mais segurança para adotar uma mistura mandatória”, completa.
Leonardo Siqueira – NovaCana