Política

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Unica: Demissões teriam mais ressonância se setor fosse melhor organizado


Agência Estado - Publicado: 12 Jan 2015 - 08:00 | Atualizado: 30 Nov -0001 - 21:00

O presidente do Conselho Deliberativo da União da Indústria de Cana-de-açúcar (Unica), Roberto Rodrigues, avalia que as demissões no setor sucroalcooleiro, decorrentes da crise das usinas e do encerramento antecipado da moagem da safra 2014/15, não provocam na opinião pública o mesmo impacto dos desligamentos que têm sido registrados na indústria automobilística porque o segmento não tem "expressão organizacional" que lhe dê maior representatividade.

Segundo ele, as 800 demissões na Volkswagen e as 260 na Mercedes-Benz em São Bernardo do Campo (SP) nos primeiros dias de 2015 tiveram mais repercussão por conta da organização dos sindicatos do que "os 50 mil empregos perdidos nos últimos três anos" na cadeia produtiva de açúcar e etanol. "Falta à cadeia como um todo se organizar melhor", disse ao Broadcast. "Não é um problema só das usinas, só da Unica, é muito maior, mais amplo. É um problema de todos", enfatizou.

Reportagem publicada pelo Broadcast em dezembro mostrou que o setor sucroernegético encerrou 2014 com o pior saldo de empregos desde a crise do final da década de 1990. Até novembro, as demissões superavam as admissões em 11.674 postos, de acordo com os dados mais recentes do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged). A parcial é inferior ao saldo de todo 2013, que ficou negativo em 10.475 postos.

Rodrigues, que foi ministro da Agricultura no governo Luiz Inácio Lula da Silva, disse acreditar que a nova titular da pasta, Kátia Abreu, será uma aliada do segmento sucroenergético. "Ela conhece muito bem o assunto. Fez uma referência ao setor no discurso de posse. Acredito que ela será uma aliada nesse debate", afirmou. Ele também considerou positiva a nomeação de Armando Monteiro, senador e ex-presidente da Confederação Nacional da Indústria (CNI) para o Ministério de Desenvolvimento, Indústria e Comércio (MDIC).

Sobre a saída de Arnaldo Jardim (PPS-SP) do Congresso para assumir a Secretaria de Agricultura do Estado de São Paulo, Rodrigues disse não acreditar que isso enfraqueça as bandeiras do Movimento Pró-Etanol, do qual o deputado federal era um dos líderes na Casa legislativa. Para ele, Jardim poderá atuar em São Paulo para resolver questões relacionadas às diferentes alíquotas de ICMS incidentes sobre o etanol, que fazem o preço do biocombustível variar tanto de um Estado para outro.

José Roberto Gomes