Etanol: Mercado: Gasolina

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Anfavea faz resistência equivocada e precoce, diz Unica


Unica - Publicado: 15 Abr 2014 - 08:20 | Atualizado: 30 Nov -0001 - 21:00
Em nota publicada pelo jornal O Estado de S. Paulo na sexta-feira (11/04), o presidente da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), Luiz Moan, se declarou contrário ao aumento da mistura de etanol na gasolina para 27,5%, por motivos técnicos e ambientais. A Unica considera a posição da Anfavea equivocada e precoce, já que o governo ainda está analisando estudos que formarão a base da decisão final sobre a mistura.

A seguir, a visão da Unica sobre pontos específicos levantados pela Anfavea:
. A Anfavea superestima o impacto do aumento da mistura. Ela não indica a base utilizada para as comparações feitas, mas sabe-se que a Anfavea normalmente utiliza o E22 (gasolina com 22% de etanol) como referência para medir consumo e emissões. Qualquer análise deve ser feita tomando como base a mistura vigente, de 25%. Utilizar uma base inferior produz aumentos nas avaliações, que não são condizentes com a realidade;

. Os valores de emissão de poluentes citados pela Anfavea se referem exclusivamente a veículos novos, não refletindo a média da frota circulante. Medições existentes com veículos mais antigos e movidos a gasolina apontam resultados muito diferentes dos divulgados pela Anfavea, com diminuição nas emissões de monóxido de carbono e óxidos de nitrogênio. Esses resultados indicam que eventuais aumentos nas emissões de aldeídos e óxidos de nitrogênio são muito inferiores aos citados, ficando abaixo de 20% para os óxidos de nitrogênio e em torno de 15% para aldeídos;

. Em veículos novos de última geração, as variações observadas nas emissões são marginais em termos absolutos, mesmo quando as variações percentuais são elevadas, já que os valores absolutos se aproximam de zero. Dados da CETESB mostram que a emissão média de óxidos de nitrogênio para veículos novos abastecidos com E22 é de 0,03 g/km, enquanto no caso dos aldeídos a emissão se situa em 0,002 g/km. Portanto, as variações percentuais mencionadas pela Anfavea soam alarmistas pois tem peso pouco significativo em termos de impacto ambiental. Veículos que tem sua manutenção negligenciada apresentam variações nessas emissões superiores às mencionadas pela Anfavea.

. É fundamental frisar que, juntos, os impactos ambientais positivos com a mistura de 27,5% superam largamente o eventual aumento de emissões que poderia ocorrer. Destacamos:

- Redução na emissão de óxidos de enxofre e hidrocarbonetos cancerígenos como o benzeno, em quantidade diretamente proporcional ao aumento no teor de etanol na gasolina;

- Redução na emissão de gás carbônico, de 1,5% a 2,0% em relação ao E25, ou 3,5% a 4% em relação ao E22, dependendo da base de cálculo e considerando o ciclo de vida do combustível;

- Redução, em níveis variáveis e dependendo da calibração do motor, nas emissões de monóxido de carbono, hidrocarbonetos e outros compostos orgânicos, em contraposição possível ao aumento na emissão de óxidos de nitrogênio;

- Queda na tendência de formação de partículas finas nas emissões, devido à estrutura molecular mais simples do etanol, com apenas dois carbonos, contra média de oito na gasolina;

. O aumento médio no consumo de combustível esperado com a mistura de 27,5% é de 0,5% a 1% em relação à atual mistura, de 25%, inferior ao estimado pela Anfavea. A título de comparação, o aumento médio de consumo com pneus descalibrados fica em torno de 1,5% a 3%, enquanto o ar condicionado ligado aumenta o consumo entre 10% e 15%;

. Peças e componentes que entram em contato com o combustível devem suportar o aumento na mistura, já que há vários anos se pratica no Brasil o limite final de 26% de mistura. Afirmar que essas peças e componentes não poderiam suportar um aumento de 1,5% na mistura não é razoável pois elas são produzidas com amplas tolerâncias. Desconsiderar esse fato seria o mesmo que admitir que esses produtos são de baixa qualidade;

. Por fim, não se deve esquecer que quando o governo, de forma unilateral, reduziu o piso da mistura de etanol de 20% para 18% em 2012, a Anfavea não se manifestou sobre eventuais aumentos de emissões que a decisão poderia acarretar, especialmente para monóxido de carbono, compostos orgânicos, benzeno e óxidos de enxofre. Na época, também não houve comentário da Anfavea sobre a possibilidade da alteração na mistura resultar na carbonização de velas e outros componentes do motor, levando a um aumento no consumo de combustível.