O ataque do candidato à Presidência pelo PSDB, Aécio Neves, à política do governo Dilma Rousseff para o setor produtivo de etanol foi visto como positivo pela presidente da União da Indústria de Cana-de-Açúcar (UNICA), Elizabeth Farina. O presidenciável tucano participou mais cedo de sabatina promovida pela Confederação Nacional da Indústria (CNI). "Eu achei que o fato dele (Aécio) de mencionar explicitamente o etanol foi positivo", afirmou a executiva ao Broadcast.
Em seu discurso, Aécio criticou a política do governo para o setor de energia e combustíveis, como a contenção do preço da gasolina, que prejudica o crescimento da indústria do etanol. Segundo ele, o setor sucroalcooleiro vive uma "desorganização que atinge toda a cadeia". "Talvez uma das faces mais perversas da incapacidade do governo de estabelecer prioridades se dá no setor de etanol", disse.
Sobre o setor de energia, o senador tucano chamou de "nociva" a intervenção do governo com o novo marco regulatório vigente desde 2013. "O retrato mais nocivo (da ação estatal na economia) talvez tenha sido a intervenção do setor elétrico, uma opção errada", disse.
Elizabeth evitou polemizar politicamente as declarações de Aécio, mas ressaltou que "o etanol faz parte dessa matriz energética e sofre com a política para o setor".
A presidente da UNICA afirma que o setor sucroalcooleiro espera uma sinalização do governo sobre o aumento do porcentual de etanol na gasolina para que o segmento se planeje para ciclo produtivo da cana em 2015. A mistura é atualmente de 25% de álcool anidro sobre o combustível.
A elevação da mistura é alvo de uma comissão interministerial, empresários e o Inmetro, que faz testes técnicos sobre o impacto do aumento nos motores de veículos apenas a gasolina. Segundo Elizabeth, um estudo deve ficar pronto até o final de outubro. "O setor tem condição de atender a demanda (do aumento da mistura)", indicou.