O setor sucroalcooleiro não espera que o aumento da mistura de etanol à gasolina de 25% para 27,5% seja adotado ainda em 2014. "O aumento da mistura é uma pauta pontual que beneficia o setor sucroalcooleiro e a Petrobras (reduz importação de gasolina), mas que não virá esse ano", afirmou ao Broadcast a presidente da União da Indústria deCana-de-Açúcar (Unica), Elizabeth Farina.
Segundo ela, o governo está comprometido a aguardar o resultado do trabalho do grupo técnico composto pelo setor com a Petrobras e o Inmetro, sob coordenação do Ministério de Minas e Energia (MME), para avaliar o impacto do aumento sobre motores de motocicletas e veículos movidos apenas a gasolina.
"O dia ´x´ (de anúncio do aumento) tem de ser no ano que vem, porque o grupo técnico tem três meses para avaliar a mudança. Isso deve acontecer (entrega do resultado) lá para o final de setembro, quando a safra estará no fim", estima Elizabeth, ressaltando que o setor precisa de "previsibilidade" para atender ao aumento de consumo de etanol anidro usado na mistura.
O grupo definiu na última quinta-feira (19) o "termo de referência" para a elaboração do estudo, que tem dez semanas para emitir parecer técnico sobre uma variação de mistura entre 22% e 30%. De acordo com Elizabeth, no levantamento prévio feito pelo Inmetro a pedido do ministro da Casa Civil, Aloizio Mercadante, foram apresentados resultados de estudos internacionais que atestam como possível um aumento de até 42% do biocombustível na gasolina.
Após dois encontros com Mercadante, que determinou a criação do grupo técnico, Elizabeth diz que há "postura política" no governo para que o porcentual do biocombustível na gasolina seja ampliado para elevar em 1 bilhão de litros o nível de consumo de etanol.
A possibilidade de aumento foi incluída como emenda na Medida Provisória 647, em tramitação no Senado, com limite de aprovação em 10 de agosto. Mas mesmo com uma possível chancela dos parlamentares, a presidente da Unica avalia que o governo busca "conforto político" para tomar a decisão com base em parecer técnico.
A associação da indústria automotiva (Anfavea) é contra o aumento, prevendo prejuízo ao desempenho dos motores movidos exclusivamente a gasolina. Segundo a Anfavea, estes modelos representam 38% da frota circulante no País (cerca de 14,4 milhões de automóveis e comerciais leves).
Nivaldo Souza