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Unica começa hoje nova agenda de negociações com ministros de Dilma


Valor Econômico - Publicado: 01 Fev 2013 - 07:20 | Atualizado: 30 Nov -0001 - 21:00
A presidente-executiva da União da Indústria de Cana-de-Açúcar (Unica), Elizabeth Farina, informou que se reúne hoje com membros do governo para desenhar uma política de longo prazo para o setor sucroalcooleiro. O setor pretende atender à sinalização do governo de que agora está disposto a discutir medidas para garantir o crescimento da produção de etanol e de bioeletricidade.

"Os empresários do setor que estiveram na reunião com os ministros Mantega [Fazenda] e Lobão [Energia] trouxeram a posição de que o governo concordou que são necessárias algumas regras que coloquem em marcha investimentos no setor", disse Elizabeth. Houve um claro entendimento da necessidade de se criar uma política de preços para os combustíveis."As medidas anunciadas agora são importantes para a safra deste ano, mas não são suficientes para a retomada de investimentos de peso no setor."

Na avaliação da executiva, novos negócios dependerão de um conjunto de regras que dê mais segurança e uma visão de longo prazo para o investidor. Depois da forte expansão em meados da década passada, com a chegada de novos grupos no País, o setor entrou numa crise sem precedentes. Muitas usinas quebraram, outras foram vendidas e os investimentos minguaram.

Resultado: o País, que sempre foi reconhecido pela excelência na produção de etanol, teve de importar combustível dos Estados Unidos e frear o consumo interno. O objetivo de uma política de longo prazo é restabelecer o prestígio do etanol no Brasil e no mundo. As novas regras terão de encontrar uma solução para a questão da paridade entre o preço do etanol e da gasolina - nos últimos anos, o governo usou o preço da gasolina para controlar a inflação.

As demandas específicas seguem as mesmas que vêm sendo tratadas há pelo menos um ano, como desoneração tributária e definição de uma política clara para os preços dos combustíveis no país. "De forma geral, é importante que o governo defina qual é o papel que ele quer que o etanol e a bioeletricidade exerça na matriz energética do país", diz.

Segundo a executiva, as discussões para um marco regulatório começam hoje com as discussões em torno da desoneração do PIS/Confins, já aprovada pelo governo. "Nós já levamos propostas e existem linhas gerais de concordância entre ambos os lados."

Sobre as medidas recém-anunciadas pelo governo de aumentar em 6% o preço da gasolina e de alterar de 20% para 25% a mistura de anidro na gasolina, Elizabeth afirmou que foram importantes para que o empresário tomasse a decisão sobre onde alocar a cana que será colhida na próxima safra, que começa oficialmente em abril.

Em relatório divulgado ontem, o Barclays estima que o aumento do percentual do anidro na gasolina vai elevar em 3 bilhões de litros a demanda pelo biocombustível no país, atualmente em 8 bilhões de litros. No entanto, para o banco, a notícia não deve trazer impacto para as estimativas de aumento de ganhos das companhias sucroalcooleiras, uma vez que a medida já havia sido considerada pela instituição em suas projeções.

Conforme cálculos do Barclays, o etanol representa 20% do resultado operacional antes de depreciação e amortização (Ebitda) do grupo São Martinho e 23% do Ebitda da Raízen Energia (incluindo Comgás).

Outra definição sobre o mercado de etanol divulgada ontem foi a meta de uso de biocombustíveis da Agência de Proteção Ambiental dos Estados Unidos (EPA, na sigla em inglês) para 2013. O órgão propôs o uso de 2,75 bilhões de galões (10,4 bilhões de litros) para biocombustíveis avançados, categoria na qual inclui-se o etanol de cana do Brasil. Em 2012, foram 2 bilhões de galões.

As discussões sobre a política setorial no Brasil chegam num momento em que o consumo dos biocombustíveis se populariza no mundo. A definição da EPA deve se traduzir em uma ótima oportunidade para o Brasil, uma vez que o etanol de segunda geração não deve atingir escala significativa este ano e o consumo deverá ser ocupado pelo etanol brasileiro, assim como aconteceu em 2012.

Informações agrupadas do Valor Econômico e O Estado de S. Paulo, com adaptações pelo portal novaCana.com