Papéis da companhia são conversíveis em ações e não podem ser negociados na B3; companhia também pretende gerar créditos de carbono vinculados a áreas de reserva legal
Logo após ter concluído uma captação “verde” de R$ 150 milhões por meio de Certificados de Recebíveis do Agronegócio (CRAs), a Uisa já desenhou seus próximos passos. Conforme ata publicada no jornal A Gazeta, a sucroenergética realizou uma assembleia em 31 de maio para formalizar uma emissão de debêntures no valor de R$ 363,77 milhões. Oficialmente, a data de escrituração é um dia antes, 30 de maio.
De acordo com o documento, os papéis são do tipo simples e têm uma única série, com valor unitário de R$ 1,53 – desta forma, foram gerados 237,76 milhões de títulos. Além disso, as debêntures não foram registradas para negociação em qualquer mercado regulamentado de valores mobiliários.
“As debêntures serão objeto de colocação privada, fora do âmbito da B3 ou qualquer outro ambiente de distribuição ou negociação, sendo certo que todas as debêntures serão integralizadas pelo debenturista, sem a intermediação de quaisquer instituições financeiras integrantes do sistema de distribuição de valores mobiliários e/ou esforço de venda perante terceiros”, reforça a companhia.
Com isso, também ficou estabelecido que os papéis somente poderão ser negociados ou transferidos com autorização expressa da Uisa. Mas há exceções.
Além disso, uma reportagem do Valor Econômico, revelou que a companhia pretende emitir créditos de carbono vinculados a suas áreas de reserva legal.
A Uisa estará presente na Conferência NovaCana 2023, que acontece em São Paulo nos dias 4 e 5 de setembro. O gerente de sustentabilidade da companhia, Caetano Grossi, está confirmado entre os palestrantes do painel “Economia circular: extraindo o potencial máximo da cana”. Clique aqui para ver a programação completa.
No texto completo (exclusivo para assinantes NovaCana), saiba mais sobre estes créditos e sobre as debêntures da Uisa, incluindo informações sobre juros remuneratórios, prazos para pagamento e condições para conversão em ações.
Logo após ter concluído uma captação “verde” de R$ 150 milhões por meio de Certificados de Recebíveis do Agronegócio (CRAs), a Uisa já desenhou seus próximos passos. Conforme ata publicada no jornal A Gazeta, a sucroenergética realizou uma assembleia em 31 de maio para formalizar uma emissão de debêntures no valor de R$ 363,77 milhões. Oficialmente, a data de escrituração é um dia antes, 30 de maio.
De acordo com o documento, os papéis são do tipo simples e têm uma única série, com valor unitário de R$ 1,53 – desta forma, foram gerados 237,76 milhões de títulos. Além disso, as debêntures não foram registradas para negociação em qualquer mercado regulamentado de valores mobiliários.
“As debêntures serão objeto de colocação privada, fora do âmbito da B3 ou qualquer outro ambiente de distribuição ou negociação, sendo certo que todas as debêntures serão integralizadas pelo debenturista, sem a intermediação de quaisquer instituições financeiras integrantes do sistema de distribuição de valores mobiliários e/ou esforço de venda perante terceiros”, reforça a companhia.
Com isso, também ficou estabelecido que os papéis somente poderão ser negociados ou transferidos com autorização expressa da Uisa. Mas há exceções, podendo acontecer transferências entre: debenturistas; seus cotistas; sociedades dos seus respectivos grupos econômicos; outros fundos de investimento sob a mesma gestora; outra pessoa do mesmo grupo econômico que seja autorizada pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM) a exercer profissionalmente a atividade de administração de recursos de terceiros como gestor de recursos; e fundos de investimento cuja integralidade das cotas são detidas pelo debenturista.
Liquidação e juros
A ata ainda detalha que não haverá atualização monetária do valor nominal das debêntures. Além disso, a amortização deste valor acontecerá em uma única parcela, na data do vencimento.
Por sua vez, o pagamento da remuneração dos papéis também acontecerá no momento do vencimento. Neste caso, a Uisa relata que os juros serão calculados de forma exponencial e cumulativa, correspondendo a 100% da variação das taxas médias diárias dos Depósitos Interfinanceiros (DI) considerando um ano base com 252 dias úteis, com acréscimo de 5,5% ao ano.
Também está prevista uma multa de 2% sobre o valor total em caso de atraso no pagamento, além de um adicional de 1% ao mês. Contudo, há a possibilidade de prorrogações do vencimento das debêntures por três meses caso as operações de crédito bancário descritas na escritura ainda estejam em vigor na data do vencimento.
A Uisa estará presente na Conferência NovaCana 2023, que acontece em São Paulo nos dias 4 e 5 de setembro. O gerente de sustentabilidade da companhia, Caetano Grossi, está confirmado entre os palestrantes do painel “Economia circular: extraindo o potencial máximo da cana”. Clique aqui para ver a programação completa.
Conversão em ações
Outra característica das debêntures da Uisa é que elas são conversíveis em ações, seguindo termos detalhados na escritura de emissão. Conforme a ata, os papéis podem virar ações preferenciais da empresa a qualquer momento, a pedido do debenturista. Além disso, caso a Uisa se torne uma companhia aberta, as debêntures se tornarão ações negociadas em bolsa de valores.
Na reunião, os atuais acionistas da Uisa renunciaram ao direito de preferência para subscrição das debêntures.
Por conta disso, a assembleia também incluiu na pauta a alteração do estatuto social da empresa. O trecho acrescentado estabelece que os pedidos de conversão deverão ser encaminhados por escrito à diretoria, que poderá solicitar informações complementares.
Além disso, a solicitação pode ser rejeitada caso a diretoria “conclua que a conversão de ações preferenciais em ações ordinárias resultará na companhia tendo a maioria do seu capital social votante detido por estrangeiros não-residentes ou pessoas jurídicas estrangeiras não autorizadas a funcionar no Brasil ou empresas estrangeiras, em violação às disposições legais”.
Créditos de carbono
Uma reportagem do Valor Econômico publicada na última sexta-feira, 9, revelou ainda que a Uisa pretende gerar créditos de carbono referentes à vegetação em suas reservas legais e áreas de preservação permanente.
A operação, que envolveria 20,9 mil hectares distribuídos em cinco fazendas, pode ser a primeira envolvendo preservação florestal pelo setor de cana-de-açúcar brasileiro. As áreas fazem parte no bioma amazônico, mas possuem vegetação de Cerrado.
Conforme a reportagem, a contabilização e comercialização dos títulos no mercado voluntário será feita pela Future Carbon Group. Por ora, a expectativa é gerar cerca de 1 milhão de créditos de carbono, que serão registrados na Verra. Cada papel equivale a uma tonelada de carbono de emissão evitada.
A decisão, entretanto, envolve certa polêmica, uma vez que a Uisa é obrigada por lei a manter estes locais.
De acordo com o Future Carbon Group, entretanto, os créditos seriam “mais uma garantia” de proteção. Além disso, a sucroenergética e a consultoria se comprometeram a destinar 10% das receitas com os créditos ao Instituto Florescer, da própria Uisa, que faz trabalhos com comunidades locais.
Outra crítica envolve a plataforma da Verra que, segundo denúncias publicadas pelo The Guardian, teria projetos com cálculos “inflados” de emissões evitadas. Um dos pontos apontados pelo jornal envolve áreas com vegetação nativa que não estariam sob risco de desmate.
Renata Bossle – NovaCana
Com informações adicionais do Valor Econômico