Milho

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UE chega a acordo para limitar importações de milho da Ucrânia


RFI - Publicado: 20 Mar 2024 - 14:57

A menos de 90 dias das eleições europeias, o descontentamento dos agricultores continua a ser uma das preocupações para os governos e seus representantes eleitos. Além de tributar os cereais russos e bielorrussos, a UE se prepara para impor novas restrições às importações de produtos ucranianos. O Parlamento Europeu solicitou que as sanções fossem até mais severas do que as planejadas.

Após a invasão russa, os europeus implementaram o que foram chamadas de “medidas comerciais autônomas”. Isto é, uma isenção de direitos aduaneiros sobre as importações provenientes da Ucrânia. No final de janeiro, a Comissão propôs dois instrumentos para limitar a entrada de produtos alimentares ucranianos e preservar oportunidades para os agricultores europeus,

Em primeiro lugar, há o mecanismo de estabilização de volume que afetou os três setores considerados os mais sensíveis: aves, ovos e açúcar. Após pedido do Parlamento, esta medida será ampliada a quatro outros itens: aveia, mel, milho e grumos, ou seja, uma mistura de cereais desgerminados.

Os eurodeputados não conseguiram incluir o trigo nesta lista, mas este fará parte, juntamente com a cevada, do grupo de gêneros alimentícios especificamente monitorados por meio de um segundo instrumento. O novo texto pode, por exemplo, impor uma limitação às importações, caso aumentem muito em relação à média dos anos anteriores. Volumes excessivos não estarão mais isentos de direitos aduaneiros. Os anos usados como base de cálculo são 2022 e 2023.

Concorrência “desleal”

Os agricultores europeus acusam o fluxo de produtos ucranianos de baixar os preços internos nos países vizinhos, fazendo uma concorrência “desleal”. Mesmo em guerra, a Ucrânia mantém imensas capacidades de produção agrícola e a questão alimenta a ira no setor em toda a UE, particularmente na Polônia.

Os agricultores poloneses bloquearam novamente estradas em todo o país na quarta-feira, 20, opondo-se às importações de produtos agrícolas de países terceiros e contra as medidas ambientais da União Europeia. Os agricultores bloqueiam estradas de acesso a Varsóvia e a outras grandes cidades, incluindo Cracóvia, Wroclaw, Poznan e Bydgoszcz.

Eles estenderam os seus protestos à fronteira com a Alemanha. “Não desistiremos até que as nossas exigências sejam plenamente satisfeitas”, garantiram os organizadores em um comunicado.

Ao mesmo tempo, trabalhos estão em curso para permitir que os produtos agrícolas ucranianos encontrem seus mercados originais na África e no Oriente Médio, de modo que “não fiquem presos na Europa”, insistiu na terça-feira uma fonte do governo francês.

“O acordo reforça o envolvimento contínuo da UE ao lado da Ucrânia” e “fortalece as medidas de salvaguarda que aliviariam a pressão sobre os agricultores da UE se estes fossem submersos por um aumento repentino das importações”, reagiu a eurodeputada letã Sandra Kalniete (PPE, à direita), relatora do texto.

Medidas consideradas insuficientes

O ministro da Agricultura francês, Marc Fesneau, considerou, esta quarta-feira, “insuficientes” as medidas previstas no acordo europeu sobre a limitação das importações agrícolas ucranianas, desejando “incluir mais cereais”.

Em entrevista à France Info, ele disse: “Para nós, o acordo ainda não é como queríamos. Há um certo número de avanços, mas não são suficientes”.

“A agressão russa perturbou os mercados, tudo isto pesa nos preços”, explicou o ministro. “Precisamos de solidariedade, mas não à custa da desestabilização, porque isso se voltaria contra os ucranianos. Temos de encontrar este ponto de equilíbrio necessário e, ao mesmo tempo, uma estabilização dos mercados em âmbito europeu”, acrescentou Fesneau.

Com reportagem de Pierre Benazet