Etanol: Exportação

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Preços de créditos de biocombustíveis (RINs) despencam nos EUA após decisão de Trump


NovaCana - Publicado: 27 Jan 2017 - 10:16 | Atualizado: 27 Jan 2017 - 13:19

Os preços dos créditos de combustíveis renováveis nos Estados Unidos – que são comercializados entre as refinarias americanas para garantir o cumprimento do mandato de biocombustíveis do governo – caíram significativamente na última semana.

A desvalorização aconteceu depois que o presidente Donald Trump decidiu congelar o programa e pedir a revisão de 30 regulamentos ambientais publicados antes de assumir o cargo.

Um memorando da última sexta-feira, 20 de janeiro, intitulado "Regulatory Freeze Pending Review" determinou que a Agência de Proteção Ambiental (EPA, na sigla em inglês), que regula a política de combustíveis renováveis, paralise temporariamente quaisquer regulamentos publicados no Registro Federal entre 28 de outubro e 17 de janeiro.

Entre os regulamentos “congelados” estão decisões relacionadas ao Padrão de Combustíveis Renováveis (RFS, na sigla em inglês), que cobrem o mandato de etanol no país norte-americano.

Os RINs (sigla para Renewable Identification Numbers), créditos usados para rastrear o uso de etanol dentro das metas estabelecidas pelo governo, caíram 23%, indo para 46 centavos por RIN na quarta-feira (25). Até então, esse era o menor valor desde novembro de 2015, de acordo com dados compilados pela Bloomberg.

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Segundo dados da agência de informações Argus Media, levantados pelo jornal Valor Econômico, o RIN vinculado aos biocombustíveis avançados (categoria na qual se encaixa o etanol produzido a partir da cana-de-açúcar no Brasil) caiu 8% entre segunda e quinta-feira. O valor foi de 104,5 para 95 centavos de dólar.

Os créditos (RINs) são fixados a cada litro de biocombustível. Eles são gerados pelas refinarias por meio da mistura de combustíveis renováveis à gasolina. Quando há um valor excedente – resultante de uma mistura acima do volume obrigatório estabelecido pela EPA –, ele é, então, comercializado para refinarias que não atingiram esse patamar.

Repercussão

O presidente executivo da Copersucar, maior trading e etanol do Brasil e dona de dona da maior trading de biocombustíveis dos Estados Unidos, a Eco­Energy, Paulo Roberto de Souza, afirmou ao jornal Valor Econômico que não vê risco de o novo governo americano alterar os mandatos estabelecidos para este ano. Ainda assim, ele avalia que pode haver risco com relação à mistura de 15% do etanol na gasolina (E15). “Se não for um governo abertamente favorável aos biocombustíveis, talvez não tenhamos o E15, mas não vemos riscos em relação ao E10 [mistura de 10% de etanol na gasolina]”.

O presidente da Copersucar afirmou que mercado está esperando que Trump “se pronuncie sobre o programa de [combustíveis] renováveis derivados do milho” e lembrou que, em campanha, o republicano se manifestou a favor do mercado de etanol de milho perante os produtores.

Coelho assinala que “o mercado já ‘reprecificou’ o RIN como resultado das indicações iniciais do governo Trump”. O executivo completa: “Mesmo com a reação negativa do mercado, não há medidas efetivas ainda, e a expectativa é com o que virá”.

Com um raciocínio similar, a Green Plains, terceira maior produtora de etanol dos Estados Unidos, disse que esse tipo de congelamento regulatório é rotineiro durante as mudanças administrativas. O grupo industrial ainda complementou que considera altamente improvável que as metas mais recentes sejam afetadas, de acordo com uma declaração enviada à Bloomberg.

A empresa também disse que sua organização de lobbying, a Growth Energy, está em contato com o Congresso e que está pedindo “mais esclarecimentos”.

Batalha entre indústrias

A ação de Trump surge em meio a uma batalha entre os diferentes segmentos da cadeia de abastecimento de combustível dos Estados Unidos. A discussão é sobre quem deve bancar o custo do programa de renováveis.

O bilionário Carl Icahn, que detém uma participação maioritária na refinadora de petróleo CVR Energy Inc. e é conselheiro especial de Trump, está entre os mais barulhentos defensores das mudanças no programa. Já os defensores da indústria de etanol se opõem a mudanças na lei, dizendo que isso mina sua finalidade de proteção ambiental.

“[A medida de Trump] parece ser o que está estimulando a venda desenfreada de RINs”, afirmou à Bloomberg, o gerente da StarFuels, Mark Ruyack. A empresa é uma corretora de biocombustíveis com sede em Jupiter, na Flórida. “É um caso clássico de vender o rumor e depois comprar o fato”, declarou.

Meta não realista para gasolina

Em novembro do ano passado, a indústria de biocombustíveis – e, mais especificamente, o setor de etanol de milho – obteve uma vitória quando a administração Obama estabeleceu em níveis recordes as cotas de utilização de biocombustíveis para o ano de 2017, também conhecidas como Renewable Volume Obligations (RVOs).

Agora, o memorando de Trump atrasa as datas efetivas da regulamentação em até, pelo menos, 21 de março – e a administração afirmou que podem ocorrer novos adiamentos.

O analista da Barclays, em Nova York, Paul Cheng, afirmou a reportagem da Bloomberg, que essa situação pode ser de “curta duração”. “Acreditamos que o novo governo provavelmente irá reajustar o mandato de 2017 para atender mais assertivamente à demanda esperada de gasolina, em contraste com a meta da administração anterior, que era pouco realista”, escreveu Cheng.

O último memorando da EPA indica que as novas metas devem entrar em vigor apenas em 10 de fevereiro. Já a Renewable Fuels Association (Associação de Combustíveis Renováveis,) um grupo comercial com sede em Washington, disse que as normas para este ano já estavam em vigor em 1º de janeiro. “Esse adiamento da data efetiva para as regras do RVO 2017 é simplesmente processual”, disse o presidente da associação Bob Dinneen. “Não se espera que afete a implementação, execução ou conformidade com o RFS”, acrescentou.

novaCana.com
Com informações da Bloomberg e do Valor Econômico