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Trump apoia proibição da exportação de diesel conforme combustíveis atingem preços recordes

Reuters 4 min de leitura

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou nesta terça-feira, 22, que apoia a proibição das exportações de diesel, enquanto candidatos republicanos em algumas das disputas eleitorais mais acirradas de novembro defendiam a medida como forma de conter os preços recordes dos combustíveis.

Os preços do diesel atingiram níveis recordes nos EUA e na Europa, à medida que as guerras no Irã e na Ucrânia reduziram drasticamente as exportações de alguns dos maiores produtores, como Rússia, Arábia Saudita e Emirados Árabes Unidos.

“Eu disse: ‘Não vamos exportar o diesel. Produzimos muito diesel. Eu pedi isso. Eu pedi isso à minha equipe’”, disse Trump ⁠a repórteres antes de uma reunião com o presidente ucraniano, Volodymyr Zelenskiy.

Os altos preços dos combustíveis são um ponto fraco para ⁠Trump nas eleições de 3 de novembro, nas quais os republicanos tentam manter a maioria nas duas Casas do Congresso.

O secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent, falando na mesma reunião, disse que o governo estava analisando se tal proibição seria viável e se uma proibição total ou parcial poderia funcionar.

Vários candidatos republicanos ‌nas disputas eleitorais mais acirradas para o Congresso em todo ‌o país, como o senador Dan Sullivan, do Alasca, a deputada federal Ashley Hinson, de Iowa, e Mike Rogers, de Michigan, pediram que o governo Trump implementasse a proibição.

“O combustível americano deve ficar aqui com os americanos”, disse Sullivan em comunicado nesta terça-feira. “O custo do diesel está simplesmente alto demais. Estou ‌pedindo uma suspensão temporária das exportações de diesel americano para que possamos reconstruir nossas reservas antes do inverno e colocar as famílias americanas e do Alasca em primeiro lugar”, completa.

A acessibilidade dos alimentos e de outros bens está no topo das preocupações dos eleitores antes das eleições de meio de mandato.

Hinson e Rogers também pediram, na segunda-feira, o fim imediato da guerra no Irã, distanciando-se de Trump.

O Departamento de Agricultura dos EUA instou, na semana passada, a Casa Branca a tomar medidas em relação aos preços do diesel, segundo duas fontes a par do assunto. A secretária de Agricultura, Brooke Rollins, disse na segunda-feira que havia conversado com Trump sobre o assunto, classificando os preços altos como “uma preocupação real”.

Autoridades em energia alertam para riscos

O apoio de Trump à proibição da exportação de diesel o coloca em desacordo com suas próprias autoridades do setor de energia, que alertam que isso poderia elevar os preços dos combustíveis nas regiões costeiras e reduzir o abastecimento para os aliados europeus.

O secretário de Energia, Chris Wright, disse em um evento do Daily Caller na semana passada que uma proibição levaria a um excesso de diesel na Costa do ‌Golfo dos EUA e levaria as refinarias norte-americanas a reduzirem as taxas de produção, o que diminuiria rapidamente a produção de gasolina.

“Se você começar a impor barreiras aos fluxos, rapidamente reduzirá a produção e terá menos oferta. Precisamos de mais oferta, não de ‌menos”, disse Wright.

O secretário do Interior dos EUA, ‌ Doug Burgum, disse que é improvável que uma proibição reduza os preços do petróleo e que isso poderia levar a medidas retaliatórias por parte dos países exportadores de energia, dos quais estados como a ⁠Califórnia dependem para parte de seu abastecimento energético.

O setor petrolífero também se opôs à proibição. Todd Staples, presidente da TXOGA, uma associação comercial de petróleo e gás natural do Texas, disse que isso “prejudicaria os empregos no mercado interno, levaria à escassez de combustível no país e colocaria o poder nas mãos da China e da Rússia, forçando nossos aliados a recorrer a esses países para suprir suas necessidades”.

Embora uma proibição à exportação de diesel pudesse, em teoria, reduzir temporariamente os preços na Costa do Golfo dos EUA, ela restringiria ainda mais a oferta na Europa, que sofre com uma escassez estrutural de diesel e depende fortemente das exportações dos EUA.

“Isso pareceria bastante prejudicial para alguns aliados-chave dos EUA”, disse o diretor de análises de comercialização de petróleo da consultoria Wood Mackenzie, Jim Mitchell.

Trump disse que ele e Zelenskiy discutiriam os ataques ucranianos a refinarias de petróleo na Rússia.

“É um golpe sério para os russos. É também um golpe sério para o preço do diesel”, disse Trump, que também informou aos repórteres que os dois líderes discutiriam uma solução para pôr fim à guerra da Rússia na Ucrânia. “Acho que isso vai ⁠acontecer”, disse Trump.

Gram Slattery e Ryan Patrick Jones e Timothy Gardner 
Com reportagem adicional de Bo Erickson, Leah Douglas, Jarrett Renshaw e Nichole Jao

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