
A Sumitomo Corporation, uma das maiores tradings de biomassa do mundo, anunciou no Japão a compra de 20% da Cosan Biomassa, que acaba de entrar em seu primeiro ano de escala comercial. O valor pago pela fatia minoritária foi de R$ 70 milhões, conforme anunciado pela Cosan S.A. por meio de fato relevante.
“A conclusão da operação, com a celebração dos contratos definitivos, está sujeita à satisfação de determinadas condições, além da aprovação do CADE - Conselho Administrativo de Defesa Econômica”, complementa a empresa.
Considerada até então uma startup da gigante de infraestrutura e energia Cosan, a Cosan Biomassa recebeu, no ano passado, um aporte de capital de cerca de R$ 90 milhões, efetuado pela holding controladora. Na ocasião, o capital social da Cosan Biomassa foi estimado em R$ 238,8 milhões. Com a entrada da japonesa Sumitomo Corporation, e a formação da nova joint venture, a Cosan Biomassa passa a ser avaliada em cerca de R$ 500 milhões.
A empresa nasceu com o propósito de desenvolver um mercado de longo prazo para o bagaço e a palha da cana-de-açúcar por meio da produção de pellets da biomassa. A planta comercial entrou em operação no ano passado no município paulista de Jaú, ao lado da usina da Raízen Energia, outra companhia controlada pela Cosan.
Segundo informado pela Cosan, a unidade tem capacidade instalada para produzir 175 mil toneladas de pellets/ano. Até 2025, a empresa quer ampliar sua produção para 2 milhões de toneladas por ano, e há planos para expandir para 8 milhões de toneladas no futuro, confirmadas as expectativas de retorno e a demanda potencial para este produto
Usualmente feito a partir de resíduos de madeira, os pellets são largamente usados nos Estados Unidos e na Europa como combustível em aquecedores residenciais, caldeiras de indústrias e também por geradoras de eletricidade. Assim, os principais mercados-alvo da Cosan Biomassa com os pellets da biomassa de cana são o europeu, o japonês e o sul-coreano.
O projeto, de acordo com informações divulgadas pela Cosan, abrange o desenvolvimento de toda a cadeia produtiva, o que inclui criar um mercado para o bagaço e a palha da cana e desenvolver a demanda para o produto final. A ideia é fechar contratos de venda de longa duração tanto para os pellets quanto para o bagaço e a palha.
Conforme afirmou o presidente da companhia, Mark Lyra, ao jornal Valor Econômico, o primeiro contrato de aquisição de bagaço foi feito por um período de dez anos com a unidade da Raízen vizinha à fábrica.
Por sua vez, o primeiro contrato de venda do produto final está em negociação, com previsão de ser finalizado neste ano. A previsão é que se trate de uma exportação para um dos maiores geradores de energia da Europa.
Em comunicado à imprensa, o gerente geral de biomassa da Sumitomo Corporation, Yoshi Kusano, afirmou que só o Japão deve importar entre 10 a 20 milhões de toneladas de biomassa pelletizada até 2030. “Uma parcela relevante dessa demanda deverá ser atendida pelo produto brasileiro", disse o executivo.
A trading japonesa, que agora pode se tornar oficialmente dona de parte dos negócios da empresa de biomassa da Cosan, desenvolve atividades multifacetadas, que incluem a venda de uma variedade de produtos e serviços dentro do Japão, importação e exportação, e o investimento empresarial nacional e internacional.
No que diz respeito à energia de biomassa, a companhia declarou após o anúncio do investimento da Cosan, que considera o material uma promissora fonte de energia, desde que começou a importar o material para geração de energia para o Japão em 2008. O investimento da companhia brasileira atende os objetivos de complementar os recursos de biomassa nacionais, nos quais a japonesa já tem participação com uma usina de biomassa, e entrar no mercado europeu.
Países como Japão, Coreia do Sul e Inglaterra, por exemplo, já têm metas para geração de energia renovável e sustentável. Um estudo publicado pela Comissão Europeia no início deste ano revelou, inclusive, que o uso da biomassa é a maneira mais econômica de atingir as metas estabelecidas para redução de emissão. Nos Estados Unidos, o governo estuda a possibilidade de utilizar biomassa para reduzir sua dependência no carvão mineral. A perspectiva é que nos próximos cinco anos a demanda mundial por pellets de biomassa salte das 25 milhões de toneladas comercializadas hoje para aproximadamente 40 milhões.
Com o aumento expressivo na demanda por biomassa sustentável, a cana-de-açúcar tem o potencial de suprir uma parcela crescente do mercado hoje dominado pela madeira plantada na Europa, Estados Unidos e Canadá. Estima-se que há um potencial de cerca de 80 milhões de toneladas de pellets que poderiam ser geradas apenas pelo setor sucroalcooleiro no Brasil e que hoje ainda não é explorado. Apenas no estado de São Paulo este potencial chega a 45 milhões de toneladas de pellets.
Yoshi Kusano aponta que união da Cosan Biomassa com a Sumitomo representa a criação de um novo mercado interessado em novas fontes de energia sustentável. No comunicado enviado pela empresa, assinala-se que os Estados Unidos e o Canadá exportaram em 2015 mais de 6 milhões de toneladas para Europa e Ásia, enquanto o restante foi produzido localmente. Nesse caso, se apenas 5% do carvão for substituído por biomassa, o mercado norte-americano rapidamente passará de exportador para importador, pois serão necessários 28 milhões de toneladas adicionais por ano para atender tal demanda.
Somente com a demanda crescente na Europa e na Ásia o mercado precisará de 15 milhões de toneladas adicionais até 2030 e o maior recurso de biomassa não explorado do mundo se encontra no setor sucroenergético brasileiro.
NovaCana
Com informações do Valor Econômico e Dinheiro Rural