A Tonon Bioenergia, empresa sucroalcooleira com três usinas, está propondo a troca de US$ 300 milhões em bônus sêniores com prazo para expirar em 2020 por títulos com o mesmo vencimento, mas pagamento de juros menores que o atual.
A ideia da empresa é melhorar sua situação financeira, com a substituição por bônus que pagam menos do que os atuais 9,25% ao ano. De acordo com a proposta, a empresa pagaria 7,25% por ano até 2017 e, após isso, voltaria ao patamar de 9,25% anuais. Atualmente, a empresa possui 530 milhões de dólares em títulos no mercado.
A medida, empreendida pela subsidiária Tonon Luxembourg, busca reduzir as obrigações impostas à Tonon na emissão anterior, estipulando que a companhia pode mudar o pagamento de juros até 2017 por decisão unilateral e que pode ainda atrasar o pagamento caso fique com menos de R$ 100 milhões em caixa ao final do trimestre fiscal.
Se aceita, a conversão dará mais liquidez à empresa para recursos para operações futuras. Para que a oferta seja válida, é necessário que mais de 95% dos detentores de títulos aceitem a troca. Em comunicado, a empresa disse que 80% já aderiram à conversão.
A oferta pode ser aceita até o dia 13 de julho e a empresa se comprometeu a pagar retroativamente a 24 de janeiro o cupom dos títulos, embora tenha afirmado que não pagará os bônus atrasados dos títulos atuais.
Um dos indicadores que mostram o estado delicado da Tonon é o rating. No final de maio, as agências de classificação de risco, Fitch Ratings e Standard & Poor’s rebaixaram a classificação da empresa, indicando aumento do risco de inadimplência.
“Falhar em atingir um acordo de troca colocaria a empresa em situação precária inaceitável de liquidez, potencialmente impactando as operações e podendo levar à insolvência judicial a ser arbitrada na Justiça”, justifica-se a Tonon em um trecho do comunicado.
Em janeiro de 2013, a agência classificadora de risco Fitch avaliava a empresa com nota ‘B’ e perspectiva estável, mas agora sua nota é ‘C’, e entre uma lista de seis avaliadas no setor, a Tonon é a quinta colocada. Situação que coloca o mercado em alerta para um eventual calote.
A reestruturação que está sendo negociada foi desenhada pela Tonon com a assessoria financeira do Blackstone Advisory Partners L.P. e dos escritórios de advocacia Davis Polk & Wardwell LLP e Felsberg Advogados, na esteira de uma crescente desvalorização dos bônus de sua dívida. Os bonds com vencimento em 2020 chegaram a perder a mais de 80% do seu valor de pico em julho de 2014, chegando a 13 centavos por dólar, com queda diária de 3%.
Além disso, a Tonon está tentando obter junto a investidores institucionais e detentores de títulos um empréstimo no valor equivalente a US$ 70 milhões. A garantia dada pela empresa são os equipamentos e bens das usinas Santa Cândida (Bocaína-SP) e Vista Alegre (Maracaju-MS). Por esse empréstimo, com vencimento em 2019, os juros oferecidos são de 12% ao ano.
Em maio de 2014, a Tonon captou US$ 230 milhões por meio de uma emissão de bônus. A taxa de juros oferecido foi de 10,5%. Esses títulos, com vencimento em 2024, tiveram como garantia os ativos da usina Paraíso Bioenergia (Brotas-SP). No entanto, um pagamento referente a esses bônus que deveria ter sido feito em 14 de maio ainda não foi acertado pela empresa, que tem 60 dias após a data para resolver a pendência.
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