Prejuízo é quatro vezes maior do que o registrado até o mesmo trimestre da temporada passada (2014/15)
Os resultados financeiros da Tonon Bioenergia demonstram um prejuízo do terceiro trimestre da safra 2015/16 cerca de 70% maior do que o resultado negativo apresentado no mesmo período da safra 2014/2015. No acumulado da temporada, o saldo quadriplica o prejuízo registrado de abril a dezembro da safra 2014/15.
Os números da companhia, divulgados na última semana, segundo parecer da auditoria responsável pela revisão das informações contábeis, sugerem “a existência de incerteza significativa”. Ou seja, segundo a auditoria, há uma “dúvida relevante quanto à capacidade de continuidade operacional dos negócios da companhia”, que já se encontra em processo de recuperação judicial.
Os detalhes financeiros mostram a deterioração dos números da Tonon, a exemplo do que já havia ocorrido no trimestre anterior. O saldo divulgado revela o cenário que levou, justamente em dezembro do ano passado, ao pedido de recuperação judicial.
Os detalhes da crítica situação do grupo estão apresentados a seguir.
Em processo de recuperação judicial, a Tonon Bioenergia apresentou no terceiro trimestre da safra 2015/16, período findo em dezembro do ano passado, um prejuízo líquido de R$ 176 milhões. Com o resultado, a perda acumulada na temporada chega a mais de R$ 927 milhões. O resultado não contempla o último trimestre da safra encerrada em março de 2016.
Os resultados da companhia, apresentados na última semana em relatório destinado aos investidores, mostram a deterioração dos números da Tonon, a exemplo do que já havia ocorrido no trimestre anterior.
O saldo financeiro divulgado revela o cenário que levou, justamente em dezembro do ano passado, ao pedido de recuperação judicial. A companhia sucroenergética com sede em Bocaína (SP) é dona de três usinas, somando uma capacidade de moagem de 8,2 milhões de toneladas.
O prejuízo do terceiro trimestre da safra 2015/16 é 70% maior do que o resultado negativo apresentado no mesmo período da safra 2014/2015. No acumulado da temporada, o saldo quadriplica o prejuízo registrado de abril a dezembro da safra 2014/15.

Segundo parecer da Ernest&Young, auditoria responsável pela revisão das informações contábeis, o prejuízo líquido sugere “a existência de incerteza significativa”, o que levaria segundo o relator a uma “dúvida relevante quando à capacidade de continuidade operacional dos negócios da companhia”.
Essa incerteza levou a Ernest&Young a “se abster de conclusões”, uma vez que mudanças na situação dependeriam do sucesso de implementação do processo de recuperação judicial. Além disso, a auditoria alega desconhecer os detalhes sobre as formas com que a companhia conseguirá liquidar suas obrigações, que estão altamente sujeitas à sofrer com as oscilações do mercado.
Em março desse ano, a Tonon Bionergia entregou à justiça sua proposta de pagamento de credores. O plano de recuperação, no entanto, não foi o suficiente para acalmar o mercado. Carente de informações substanciais desde que a Tonon entrou com recuperação judicial, a agência de classificação de risco Standard & Poors (S&P) reafirmou os ratings que refletem o risco de calote geral nos pagamentos de dívida da empresa.
Receita cresce, mas é acompanhada pelos custos
A receita operacional da companhia até o terceiro trimestre da safra, composta pela venda de açúcar, etanol e energia elétrica, correspondeu no terceiro trimestre a R$ 237,25 milhões, um crescimento de 57% em relação ao mesmo período da safra 2014/2015.
O resultado contribuiu para o acumulado em nove meses registrar uma receita de R$ 742 milhões, o que representa 7% do montante resultante das vendas no mesmo período da safra anterior.
Já o custo operacional para as vendas cresceu, de um trimestre para o outro, pouco mais de 54%. Na comparação dos três trimestres de 2015/16 com os mesmos meses da safra anterior, os custos operacionais cresceram 38,8% e, consequentemente, ficaram R$ 142,67 milhões acima da receita.

Dívidas possuem vencimento em curto prazo
O endividamento de cerca de R$ 2,8 bilhões com empréstimos e financiamentos, declarados à época da entrada do processo de recuperação judicial, aparecem nos resultados. No relatório, a comparação é realizada com o início da safra 2015/16: do primeiro trimestre para o terceiro, o valor da dívida cresceu 26%.

Quase que em sua totalidade essas dívidas são referentes ao passivo circulante, ou seja, possuem vencimento em até um ano (curto prazo). O montante das dívidas dessa natureza em dezembro de 2015 era nove vezes maior do que na posição registrada no início da safra, em abril do mesmo ano.

Segundo o relatório, esse crescimento se deve ao fato de que a companhia reclassificou para passivo circulante diversos empréstimos e financiamentos devido ao pedido de recuperação judicial. "Os contratos preveem que a dívida pode ser exigida a qualquer momento no caso de pedido de recuperação judicial", explica o documento.
Marina Gallucci – NovaCana