Etanol: Mercado: Gasolina

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Testes da Anfavea não encontraram restrição para o E27, diz Fórum Sucroenergético


NovaCana - Publicado: 24 Abr 2015 - 18:05 | Atualizado: 17 Jul 2015 - 15:45

Os testes finais sobre a mistura de 27,5% etanol anidro na gasolina, não indicaram qualquer problema de durabilidade nos veículos avaliados pela Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), segundo relato do Fórum Nacional Sucroenergético (FNS).

Os resultados da análise foram apresentados na quarta-feira (22), durante reunião técnica do Grupo de Acompanhamento em Brasília, na sede do Ministério de Minas e Energia (MME), com a participação de representantes do governo, Anfavea, Associação Brasileira dos Fabricantes de Motocicletas e Similares (Abraciclo) e do FNS.

O aumento da mistura de 25% para 27% foi autorizado pelo governo em 4 de março e está em vigor desde 16 de março, mas o resultado dos testes de durabilidade eram a prova de fogo da mistura. O próprio governo deu margem à insegurança ao manter a gasolina premium com a mistura antiga enquanto o presidente da Anfavea, Luiz Moan, alimentou a suspeita ao recomendar aos proprietários de veículos à gasolina que utilizassem a premium.

O presidente da Anfavea informou que entregou para o grupo ministerial que cuida do assunto os resultados dos testes de durabilidade no dia 7 de abril. No dia seguinte o ministro do MME foi ao Senado Federal e listou o E27 como um desafio para o país, ao lado de questões como a necessidade de novas usinas e o incentivo ao etanol celulósico. Mesmo com os testes concluídos e sem revelar problemas, Moan continuou recomendando o uso da gasolina premium.

Procurada na quinta-feira pelo portal novaCana para comentar os resultados, a Anfavea afirmou, através de sua assessoria de imprensa, que não se manifestaria e indicou o MME, uma vez que a análise já estava nas mãos da pasta há cerca de um mês. O ministério foi questionado, mas não respondeu à reportagem até a publicação deste texto.

Presente na reunião, a secretário executivo do FNS, Pedro Luciano Oliveira, afirmou que as discussões técnicas foram esgotadas e que o relatório não traz qualquer ressalva ao aumento da mistura. “O posicionamento da Anfavea é muito singelo, diz que, terminados os testes, não encontraram nenhuma incompatibilidade ou inconveniência na utilização da mistura, nos aspectos de durabilidade, desempenho e dirigibilidade”.

Sobre a recomendação de utilizar gasolina premium, atualmente com 25% de etanol, o relatório final não faz qualquer menção. Para Oliveira, não caberia ao grupo técnico tratar do comentário de Moan, já que esta foi “uma colocação política, de um nível [hierárquico] superior”. Mas, pontua que, se houvesse necessidade, a equipe “poderia ter feito uma ressalva, pedido para manter a gasolina premium, se não fez é porque está tudo ‘ok’. Acredito que isto esteja superado”.

Não foi apresentada a metodologia de análise e os números de veículos envolvidos, horas de testes e quilometragem rodada, segundo o secretário executivo do FNS. “Cada empresa fez à sua maneira e a Anfavea consolidou isso”, explicou.

De acordo com as informações da União dos Produtores de Bioenergia do Oeste Paulista (Udop), a Anfavea destacou na apresentação que os ensaios de dirigibilidade, durabilidade e partida a frio/quente executados até o momento com a gasolina C fornecida pela Petrobras não apresentaram alterações significativas. "Com base nos ensaios realizados até o momento, não foram encontradas evidências que impeçam o uso da gasolina com 27,5% de etanol para os veículos aqui avaliados", apontou o relatório final.

Ainda segundo apurou a Udop, o resultado dos testes também apresentou aumento no nível de NOx, mas dentro dos limites estabelecidos pelo Proconve para os veículos avaliados e um aumento de 1% a 2% no consumo dos veículos sujeitos aos testes.

A próxima etapa será a realização de um encontro dos setores automobilístico e sucroalcooleiro com o chefe da Casa Civil, Aloizio Mercadante, para tratar do assunto. A data da reunião ainda não foi definida.

Novo aumento da mistura

Segundo Oliveira, representante do Fórum Nacional Sucroenergético, neste momento não há intenção do setor em brigar para o aumento da mistura em 0,5%, até o limite legal de 27,5%, para a gasolina, uma vez que há restrições técnicas para aferição do meio ponto percentual.

Uma fonte ouvida pela Agência Estado, afirmou que a cadeia produtiva de açúcar e etanol pediria novos testes para uma eventual elevação do percentual para 30%. No entanto, Oliveira desconhece esta demanda e disse que, no grupo que integra, não há esta discussão.

“A gente já sabe que até 30% os resultados seriam praticamente os mesmos, mas não estamos nem mexendo com isso porque temos que assegurar o suprimento e os 27% já vão ensejar um acréscimo de demanda razoável. Isso pode até ser uma meta futuro, mas não está sendo desenhado, nem está sendo pautado neste momento”.

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