Depois de um longo período de espera, a Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq) e a Secretaria Especial de Portos (SEP) finalmente decidiram liberar projetos aguardados há anos pelo Complexo Industrial e Portuário de Suape. Além dos arrendamentos dos terminais incluídos no Plano de Concessões do Governo Federal, as empresas Odebrecht TransPort (OTP) e Agrovia receberam autorização para construir e operar, durante 25 anos, o primeiro terminal de açúcar do porto. Vencida pela Agrovia, a licitação do empreendimento foi feita em 2010, mas o processo precisou ser revisto depois que a OTP comprou a participação majoritária no empreendimento (75%), ficando o restante (25%) com a vencedora da concorrência.
Nos dois primeiros anos, o terminal receberá investimentos de R$ 139 milhões. As obras serão iniciadas ainda em agosto deste ano e a operação deve começar em setembro de 2016, atendendo à safra iniciada em novembro. A movimentação inicial deve chegar a 200 mil toneladas, superando 738 mil toneladas em 2038. Atualmente, o Porto do Recife movimenta de 250 a 450 mil toneladas de açúcar, segundo o Sindicato da Indústria do Açúcar e do Álcool de Pernambuco (Sindaçúcar).
“É uma atividade complementar à realizada no Porto do Recife. O terminal será mais focado no açúcar refinado, produto de maior valor agregado. No ancoradouro recifense a movimentação é voltada ao açúcar VHP (demerara)”, explicou o presidente Sindaçúcar, Renato Cunha. Ele destacou que, além do açúcar pernambucano, cujo volume chega a um milhão de toneladas em boas safras, o espaço atenderá outros estados nordestinos. Os produtos serão enviados, sobretudo, para o Oriente Médio e para países do Mediterrâneo.
A redução dos custos logísticos será o maior ganho para o setor açucareiro do Estado, avaliou Cunha. Com as condições diferenciadas de transporte nas exportações, o produto local ganhará competitividade. No Porto do Recife, o embarque do açúcar refinado é realizado em navios menores, de até 10 mil toneladas. Com o novo terminal, o transporte a granel - não em sacos - será feito em navios com capacidade de até 35 mil toneladas e o tempo de operação será reduzido de 15 para cinco dias.
Na etapa inicial, o espaço de 72,5 mil metros quadrados, situado na retroárea do cais 5, fará a recepção, armazenagem, ensacamento e elevação do açúcar refinado a granel.
Mariama Correia