Cogeração de energia

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Térmica de energia a óleo combustível em Suape vai testar geração firme com etanol

Wärtsilä fechou uma parceria com a empresa brasileira de energia Energética Suape II para um treste de 400 mil horas com um motor movido a álcool


Jornal do Commercio (PE) - Publicado: 31 Mar 2025 - 08:46

A gigante finlandesa Wärtsilä fechou uma parceria com a empresa brasileira Energética Suape II, controlada pelo Grupo Econômico 4M, liderado pelo empresário Carlos Alberto Mansur Filho, para um teste inédito de geração de energia limpa, que utilizará produzido a partir da cana-de-açúcar de modo a gerar energia elétrica limpa.

A bateria de testes acontecerá na usina Suape II, localizada na área do Complexo Portuário de Suape (PE) e será a primeira no mundo a usar motor etanol para geração de eletricidade em larga escala. O projeto foi registrado pela Wärtsilä no primeiro trimestre de 2025.

A Wärtsilä trouxe ao Brasil um motor com capacidade de geração de 4 MW que será ligado ininterruptamente por 4 mil horas. Isso deve permitir sua performance na geração de energia de potência, que é o foco da empresa, que opera como fornecedor regular do ONS nas horas de pico de consumo em uma usina termelétrica a óleo combustível com capacidade instalada de 381,2 MW.

Com parceria já estabelecida com a Wärtsilä em Pernambuco, Mansur Filho aposta em um compromisso comum em inovação e soluções sustentáveis usando etanol, que é um combustível renovável e altamente disponível no mercado do Nordeste. Com isso, acredita abrir uma nova perspectiva de conversão de milhares de motores existentes no Brasil rodando como o uso de combustíveis como óleo, diesel e gás natural.

Térmicas verdes

A UTE Suape II é uma planta de alta eficiência, com operação e manutenção executada pela Wärtsilä. Ela faz uso das mais avançadas tecnologias para conjugar o máximo aproveitamento de energia com um mínimo de emissões.

A unidade já foi considerada a maior termelétrica a óleo do Brasil e iniciou sua operação comercial em 24 de janeiro de 2013, sendo uma UTE contratada na modalidade por disponibilidade e despachada centralizadamente pelo ONS. A geração de energia da usina depende de ordens de despacho do operador. Com essas condições, ela acabou se tornando ideal para ser o local do teste do motor da Wärtsilä.

Na verdade, Mansur Filho está mirando o próximo leilão de reserva de capacidade que vai acontecer este ano, depois que o governo brasileiro incluiu o etanol como combustível autorizado.

Por ser um biocombustível localmente disponível, o empresário acredita poder se beneficiar ao garantir que as usinas movidas a etanol façam parte das tecnologias aprovadas para geração de energia no país. Ele pretende construir uma nova usina, no mesmo sítio de Suape II, mas já usando etanol.

A Wärtsilä realizará até 4 mil horas de testes com o motor Wärtsilä 32M ao longo de dois anos, a partir de abril de 2026, para garantir a operação mais confiável e eficiente possível. A usina atualmente opera com óleo combustível. Mas o grupo ainda está avaliando os próximos passos e não definiu se irá expandir com uma nova usina movida a etanol ou se optará por converter a estrutura existente.

A adoção de um motor a etanol tem ainda o apelo de estímulo ao uso global de biocombustíveis, o que deverá quase dobrar até 2030, passando de aproximadamente 700 TWh de geração elétrica (2,4% da geração total) em 2023 para cerca de 1.250 TWh (3,2%) até 2030, complementando fontes renováveis intermitentes como a solar e a eólica onde o Nordeste é líder nacional.

O movimento também agrega um discurso verde para as térmicas já instaladas, que ganham com o motor de etanol o discurso de produzir energia de potência com um combustível já disponível e abundante no Brasil.

Segundo o presidente da Wärtsilä Energy, Anders Lindberg, o etanol também pode ter um papel importante na descarbonização do setor elétrico, já que está amplamente disponível, é de fácil transporte global e representa uma “solução verdadeiramente escalável e acessível”.

Fernando Castilho